Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

O México têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

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E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, na capital, litoral e interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Cabeça da serpente no templo de Kukulkan

Chichén Itzá, assim como Ek Balam que visitei um dia antes, está no estado de Yucatán. Foi uma das grandes e importantes cidades construída pela civilização maia se tornando o centro de um vasto território. Teve uma população numerosa e diversificada, e isso ficou registrado na arquitetura e detalhes das construções. É um Patrimônio Mundial da UNESCO, e em 2007 foi escolhida como uma das Novas 7 Maravilhas do Mundo, o que a deixou mais conhecida e fez aumentar o número de visitantes.

A cidade maia mais famosa foi a quinta que eu conheci em minha viagem pelo México. Normalmente fico com o pé atrás quando um lugar é muito famoso, muito divulgado. Então cuido para não criar uma grande expectativa para ao chegar não achar que é tudo aquilo. Em Chichén Itzá funcionou, ela me surpreendeu.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Você entra, anda alguns passos e no meio da praça dá de cara com o El Castillo, um imponente templo em forma de pirâmide com 30m de altura, e que apesar de ser menor que a Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ela me impressionou mais. Talvez por estar só em um espaço aberto e assim se destacar, não sei. Só sei que ela é o cartão postal de Chichén Itzá, e todos querem tirar foto dela ou com ela. O difícil é conseguir uma foto sem uma multidão ao seu redor.

O El Castillo foi construído para Kukulkan, um dos governantes de Chichén Itzá que depois de sua morte virou uma divindade. Ele seria o que o deus asteca Quetzalcoatl foi para Teotihuacan: a serpente emplumada. Na base da escada de um dos lados da pirâmide tem a cabeça da serpente, como em outras edificações, mas é nela que em março e setembro quando marca o início da primavera e outono que é projetada a sombra da serpente descendo do templo para fertilizar a terra.

Há quem diga que o templo foi construído propositalmente para que isso aconteça, mas há quem acredita que não passa de uma coincidência. Seja como for, nesses períodos Chichén Itzá atrai grande público para ver o acontecimento.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
As mil colunas representando os guerreiros e sacerdotes

Mas não pense que se viu o El Castillo viu tudo em Chichén Itza. Têm outras construções bem interessantes e ao contrário de Teotihuacán que ao entrar você consegue ter uma visão geral da antiga cidade, em Chichen Itza não é assim. Ela é espalhada entre arvores e vendedores (muitos) e é preciso ir desviando deles para desvendar a cidade.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Templo dos Guerreiros

Não tem necessariamente que seguir um roteiro, mas há sugestão de um nos mapas do parque. Eu fiz o meu indo para o que chamava a minha atenção. Depois do El Castillo segui para um conjunto de Colunas que os mil soldados do Templo dos Guerreiros, e dali segui sempre à direita passando entre outras construções pela La Iglesia, Observatório e El Osario.

Observatório

De volta ao El Castillo, já estava bem incomodado com o calor, mas segui para o outro lado e passei pelo imenso (o maior existente) campo de Jogo de Pelotas, o esporte praticado pelos maias e que muitos acreditam que também tinha caráter religioso e os derrotados pagavam com a vida. Continuei em uma espécie de rua cercada por vendedores e cheguei ao cenote sagrado usado em sacrifícios aos deus da chuva. Um cenote bonito, mas que não é permitido entrar. Era comum construir as cidades próximas a cenotes, e em Chichén Itzá existem dois.


Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itza não é a cidade pré-colombiana mais visitada, mas não se iluda pois você irá encontrar uma multidão. Todos os dias o lugar recebe várias excursões de cidades como Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida. Eu cheguei às 09h imaginando que fosse encontrar o lugar vazio, mas não estava e com as horas o público só aumentava. Quando saí ao meio dia, parecia que eu nadava contra a corrente, uma multidão estava entrando. Naquela hora o que eu mais queria era sair dali pois além da multidão, o calor estava insuportável. É loucura visitar Chichén Itza ao meio dia.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
La Iglesia

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Anexo de las Monjas

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada Guias de Turismo que oferecem os seus serviços. Se puder contrate um, vale a pena. Ou pelo menos tenha um guia turístico para aproveitar melhor a visita.

>> Visitei em 03h só as ruinas sem ir ao museu que fica na portaria. Não foi a que eu mais demorei, mas isso devido ao fato de não poder subir em nenhuma ruina (ou seja, foram 03h só andando, observando e tirando fotos) e pelo calor e multidão que incomodaram muito.
>> É grande e anda muito, vá com calçado confortável.
>> Vá preparado para o calor, não esqueça o protetor solar, água e chapéu.
>> Têm muuuuitos vendedores no local.
>> Na portaria têm lanchonetes e próximo têm restaurantes. Dentro não tem.

Valor: 75 pesos cobrado pelo Governo Federal, mas o Governo do Estado de Yucatán cobra também um valor de 406 pesos, totalizando 481 pesos (abril/19).
“ Todas as noites acontece também o espetáculo de som e luzes onde o El Castillo é iluminado e a história de Chichén Itza é contada. Tem um custo extra. Eu não assisti.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Como chegar

>> Todos os dias saem excursões de um dia das principais cidades turísticas da região (Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida) para visitar Chichen Itza e outros atrativos. Pelos relatos que li esta opção não vale muito a pena pois passa mais tempo viajando do que na Zona Arqueológica. Também tem ônibus da empresa ADO saindo dessas cidades.

>> Existem hotéis no povoado próximo a Zona Arqueológica, inclusive tem um resort dentro dela.

>> Eu não fui de excursão e nem fiquei no resort. Optei em ficar na cidade de Valladolid a 50 minutos de ônibus e fui por conta própria pagando 37 pesos a passagem. Têm vários horários saindo do terminal de autobus da ADO. Além de ônibus têm vans que saem da mesma rua do terminal. A princípio eu ia de van, mas um morador sugeriu que eu fosse de ônibus e foi melhor assim, pois a van precisa ter um número de pessoas para sair e como eu estava com bagagem o ônibus foi mais confortável.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
A cabeça da serpente está por todos os cantos

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Campo do jogo de pelotas. O maior do mundo maia.

Valladolid – Chichén Itza – Mérida:

A Zona Arqueológica fica entre as duas cidades e eu programei a minha visita no dia que fui de uma para a outra. Usei transporte público (ônibus) e foi tranquilo. O desembarque e embarque acontece em frente a portaria principal.

>> De Valladolid a Chichén Itza a viagem demorou 50 minutos. Já para Mérida demorou aproximadamente 2h30min pois o ônibus era da empresa Oriente que é chamado de segunda classe usado mais pelos moradores e para em tudo que é lugar. Têm ônibus melhores da empresa ADO que vão direto, mas os horários são poucos e ruins. Confira o post sobre como viajar de ônibus pelo México.

>> Também dá para fazer o caminho inverso. Inclusive para as cidade de Tulum, Playa del Carmen e Cancun pela empresa ADO.

E a bagagem? Na portaria de Chichén Itza tem guarda Volumes. Eu estava com uma pequena mala de rodinhas, dessas que entra como bagagem de mão no avião e teria que pagar 100 pesos. Do ônibus até a bilheteria foi preciso passar por um mercado de artesanato, foi aí que um senhor de uma das tendas ofereceu para guardar a minha bagagem pela metade do valor cobrado. Aceitei, fiquei um pouco apreensivo, mas deu tudo certo.

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O cenote sagrado. Fica dentro da zona arqueológica e era usado para sacrifício

Chichén Itza combina com

Na região existem cenotes (confira o post sobre 10 cenotes que conheci no México) que podem ser visitados facilmente se você estiver de carro. Próximo às ruinas está o cenote Ik Kil que dá para ir de carro ou de taxi. Ele estava na minha lista, mas não fui conhecer pois não queria chegar tarde a Mérida e também porque é o cenote que os grupos das excursões visitam e ele fica muito cheio.

Outra opção próxima é a cidade colonial de Valladolid.

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