Festa do Caboclo Bernardo em Regência

Festa do Caboclo Bernardo em Regência

Mês passado aconteceu mais uma edição da Festa do Caboclo Bernardo em Regência, litoral norte do Espírito Santo, e eu estava lá. Mas antes de falar sobre a festa é preciso falar de Regência e do Caboclo Bernardo.

Regência Augusta ou simplesmente Regência

Regência é uma Vila de pescadores na foz do Rio Doce, município de Linhares. Lugar simples de ruas sem calçamento distante aproximadamente 120 km de Vitória sendo que desses, uns 30 são em estrada de terra.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência

A rotina do lugar era a pesca, que começou a ser modificada justamente devido a simplicidade e características naturais sendo desenvolvido o turismo ecológico. A praia quase deserta atrai as tartarugas marinhas para colocar os seus ovos. Isto fez com que uma das primeiras bases do Projeto TAMAR fosse instalada ali, atraindo visitantes para o Centro de Educação Ambiental e para o Centro Ecológico. Uma das coisas mais legais é assistir a soltura dos filhotes.



As ondas atraem os surfistas, fazendo de Regência um dos melhores lugares para a prática do esporte. Foi gravado no local o filme “A Onda da Vida”. A cultura popular atrai visitantes nas épocas de festas como o tradicional carnaval da Fubica e a Festa de Caboclo Bernardo. 

Festa do Caboclo Bernardo em Regência

Esta movimentação turística fez com que algumas pousadas fossem abertas e a vila ganhou um pequena estrutura com mercado, padaria e restaurante. A Vila passou a ser frequentada. Mas muita gente só ficou sabendo de Regência a partir de 2015 quando houve o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) fazendo com que a lama descesse pelo Rio Doce até a sua foz.

A lama chegou e os peixes e turistas sumiram. Pousadas, comércio e casas fecharam. Os moradores que viviam da pesca ficaram prejudicados e os que viviam do turismo também. Mas aos poucos isto esta mudando e Regência vai recuperando o seu ritmo. Os eventos têm ajudado nesse sentido.

Bernardo José dos Santos ou simplesmente Caboclo Bernardo

Um pescador que nasceu e viveu na Vila de Regência, e que se transformou em herói com o naufrágio de um navio.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Praça com o busto do Caboclo Bernardo

Durante uma tempestade na madrugada de 7 de setembro de 1887 o Cruzador Imperial Marinheiro naufragava próximo a foz do Rio Doce. Alguns sobreviventes conseguiram chegar a Vila de Regência e pediram ajuda aos moradores que tentaram ajudar, mas o mar estava muito violento. 

O caboclo Bernardo depois de algumas tentativas conseguiu nadar até o navio levando um cabo preso nos dentes e através dele resgatou 128 tripulantes. Recebeu várias homenagens e foi condecorado no Rio de Janeiro pela Princesa Isabel recebendo uma medalha de ouro pelo seu ato heroico. 

Festa do Caboclo Bernardo em Regência

Caboclo Bernardo continuou em Regência com a sua vida simples de pescador e aos 54 anos de idade foi morto por um pescador com um tiro a queima roupa. Foi sepultado na vila e o seu nome foi dado a ruas e escolas no Estado do Espírito Santo. Em Regência tem busto dele na praça que também leva seu nome e próximo dela está o Museu Histórico que guarda a história do morador ilustre. E para homenagear o herói, todo ano acontece uma festa. 

Festa de Caboclo Bernardo e Encontro de Bandas de Congo


Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Banda de congo

Caboclo Bernardo ficou um pouco esquecido, então a partir de 1930 acontece no dia 03 de junho (data da sua morte) uma festa para homenagear o Herói Nacional. Este ano devido a greve dos caminhoneiros a festa aconteceu no fim do mês.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Banda de congo de Regência

A festa acontece na praça de sexta a domingo com programação esportiva e cultural. Tem encenação do Auto do Caboclo Bernardo e às noites acontecem shows musicais na praça. Este ano o principal foi da Banda Casaca, uma banda pop-rock capixaba com influências do congo, inclusive utilizando seus instrumentos. E no domingo tem o que eu mais gosto que é o encontro de bandas de congo. 

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Congódromo, rua para o cortejo das bandas

Bandas de congo são grupos folclóricos religiosos próprios daqui do Estado e que se apresentam para homenagear o santo padroeiro ou em ocasiões especiais como este encontro de bandas. As bandas de congo tem uma importância muito grande para a nossa identidade cultural.  São formadas por homens e mulheres que o estandarte do santo padroeiro e dançam ao som predominante de dois instrumentos: o tambor e a casaca, este último é típico daqui.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Grupo de Reis de Minas Gerais

Há 28 anos a moradora conhecida como Tia Mariquinha teve a ideia de reunir bandas de congo durante a festa. E desde então a Vila de Regência é ocupada por bandas de congos de vários lugares do Espírito Santo e outros grupos folclóricos como Folia de Reis e Jongo que veem inclusive de outros estados. A cultura popular se faz presente e dá o ritmo da festa de Caboclo Bernardo. Foi a forma de manter viva a tradição.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Instrumento Casaca, típico do Espírito Santo

Os grupos chegam cedo e vão para a concentração. Tomam café da manhã, conversam, afinam os instrumentos, tocam e dançam. Depois vão para a igreja passando pelo “Congódromo”, uma rua especialmente preparada para o cortejo das bandas.  O evento além de festejar serve para reunir os Mestres de congo que conversam sobre assuntos pertinentes as bandas. Durante todo dia é possível ouvir e ver as bandas e grupos, mas é no final do dia que todos seguindo uma ordem se apresentam no centro da praça.

Festa do Caboclo Bernardo em Regência
Banda de congo indígena tocando a Casaca

Serviço

>> Se você gosta de festas populares, então agende aí para junho do ano que vem. Em Regência tem algumas pousadas, camping e casas de aluguel. Este ano reservei hospedagem no site Airbnb.
>> Tem padarias, mercados e poucas opções de restaurantes.
>> Para ir de carro a partir de Vitória siga pela rodovia ES-010, ate Vila do Riacho e pegue uma estrada de terra até a Vila de Regência. A viagem de carro dura cerca de duas horas. Outra opção é seguir pela BR-101 norte, até o município de Linhares e no distrito de Bebedouro entrar no trevo à direita na rodovia que leva até Regência. Este caminho também tem estrada de terra.
>> De ônibus precisa ir até a cidade de Linhares com a viação águia branca e lá pegar outro ônibus da empresa Unimar. Veja horários.

O melhor da Street Art em Vitória

O melhor da Street Art em Vitória

Muito bom que as ruas das cidades se transformaram em espaços de arte.  Hoje é praticamente impossível andar pelas ruas sem ser atraído pela arte visual que vem tomando conta dos espaços urbanos. Muros, paredes, bancos, tudo virou tela para os artistas. Que bom!

Estas manifestações artísticas deixam a cidade muito mais interessante visualmente, valorizam o espaço e permitem que mais pessoas vejam arte simplesmente fazendo um passeio ou circulando por onde moram através do transporte, sem necessariamente ir a uma galeria de arte.

O melhor da Street Art em Vitória

Esta arte vista nas ruas é a Street Art, e é toda manifestação artística em espaço público, não é só grafite ou outras pinturas em muros e paredes como muitos pensam. Os temas podem ser os mais variados e estão em todos lugares, da periferia aos bairros nobres da cidade.

Os artistas estão ganhando mais espaço e fazendo trabalhos cada vez mais impressionantes. Em muitas cidades estes trabalhos entraram nos roteiros turísticos como é o caso do Beco do Batman em São Paulo que conheci ano passado.

O melhor da Street Art em Vitória

Praticamente em todas cidades têm trabalhos incríveis de arte urbana, basta prestarmos mais atenção, e eu passei a prestar mais atenção aqui na região metropolitana da grande Vitória, onde moro. Neste post, que faz parte de uma Blogagem Coletiva sobre Street Art pelo mundo (#streetartpelomundo), vou mostrar alguns dos trabalhos em Vitória.

Ficore Kabelera

Um dos principais representantes da cultura urbana daqui do Espírito Santo nasceu em Belo Horizonte – MG. Na arte visual ele trabalha o Grafite e través dele chegou ao Hip Hop. Gosta de formas geométricas e figurativas abstratas em trabalhos que podem ser vistos pelas ruas de Vitória, em outras cidades do Brasil e até de outros países como Inglaterra e Itália. Em 2013 viajou pelos dois países e teve um mural tombado como patrimônio cultural da cidade histórica italiana de Spinoso.

O melhor da Street Art em Vitória
Cardume de Cordas de 2015 na Faculdade de Música do espírito Santo. Instrumentos e elementos marinhos fazendo uma referência a localização na baía de Vitória, centro da cidade.

O melhor da Street Art em Vitória


O melhor da Street Art em Vitória
Com vários trabalhos em área nobre de Vitória, o que ele considera a sua obra prima fica em um beco de um condomínio simples que foi ocupado. O mural de de 2014 com 300 m² ocupa toda parede externa de um prédio. A obra com tema africano recebeu o nome de Raízes da Cor e teve uma boa repercussão sendo incluída na lista de 20 melhores murais de artistas brasileiros do site especializado Street Art Brasil

Raízes de Cores.
A obra impressiona, ainda mais sendo grande em um espaço pequeno. Pena que fique em um lugar tão escondido sendo vista por poucos. As paredes laterais estavam pichadas, mas ela estava intacta. Para ver tem que entrar em um beco na esquina das ruas Antônio Engrácio da Silva com Alcino Pereira Neto próximo ao Restaurante Victória Doc. O lugar estava tranquilo, havia trabalhadores e um casal de jovens conversando. Como Ficore mesmo diz, o trabalho recuperou o espaço.

Diário de Arte


O melhor da Street Art em Vitória

Durante uma semana os artistas grafiteiros do Grupo Força Graffitacional Crew: Moris - Luahn Gaba - Liam - Keka – Starley, trabalharam em um dos painéis mais marcantes na ilha de Vitória. Ele está na Praça do Cauê em Santa Helena e é logo visto por quem chega pela terceira ponte.

O melhor da Street Art em Vitória

Um painel feito especialmente para o Projeto Conexões da Organização Médicos Sem Fronteiras para marcar a luta mundial contra a AIDS. A obra foi inspirada em depoimentos de profissionais que atuaram em projetos em países africanos e nele está o rosto de um dos médicos.

O melhor da Street Art em Vitória


Mural da Fábrica de Ideias

Uma antiga fábrica em Vitória se tornou espaço de economia criativa. E sua parede de 250 metros ganhou um painel em grafite de autoria do Artista Plástico Emílio Aceti e de artistas do Centro Grafitacional, nele estão colocados histórias, sentimentos e homenagens.


O painel modificou a paisagem de Jucutuquara, colorindo um dos bairros mais tradicionais de Vitória.

Jardim Araceli


O melhor da Street Art em Vitória

Em um viaduto no final da Praia de Camburi está o maior mural de Vitória com 1400 m². O trabalho realizado por sete artistas grafiteiros (Fel, Nico, Fagundes, Chic, Iran, Maik e Art Oi) é belíssimo apesar da história triste de duas meninas que sofreram exploração sexual e foram assassinadas.

O melhor da Street Art em Vitória

Araceli foi morta em 18 de maio 1973 e ninguém foi punido. Aqui no Estado é conhecido como o caso Araceli e a data da sua morte passou a ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O melhor da Street Art em Vitória

O trabalho foi inspirado nos quadrinhos retratando brincadeiras infantis homenageando as crianças.

Blogagem Coletiva

Veja as dicas de todos os blogs que participam da blogagem Street Art pelo mundo:

Hotel Fazenda China Park, conforto e lazer nas montanhas capixabas

Hotel Fazenda China Park

O destino turístico mais procurado nas “Montanhas Capixabas”é a região da Pedra Azul em Domingos Martins. Não é por menos, lá a paisagem é de encher os olhos, você tem boas opções de passeios, restaurantes e meios de hospedagem que vão de uma pousada mais aconchegante a grandes hotéis. E é em época de temperaturas baixas que a região é ainda mais desejada.


Só a região em si já atrai o turista, mas se puder aproveitar tudo que o lugar proporciona e ainda ficar hospedado em um hotel confortável e que ofereça mais opções de lazer, melhor ainda né. O Hotel Fazenda China Park é assim. É cercado por natureza, com uma área imensa e estrutura igualmente grande com muitas opções para o hospede.

Hotel Fazenda China Park

Me hospedei 3 vezes no hotel, na primeira vez em 2013 não gostei muito. Voltei ano passado ainda com a lembrança da primeira impressão, mas era nítida a diferença para melhor. Este ano retornei sem receio nenhum e já havia novidades. Está sempre melhorando e é indicado para todas as idades. O atendimento dos funcionários é bom e em tempo de internet o WI-FI funciona bem.

Localização

O Hotel Fazenda China Park está localizado em Domingos Martins a 20km da Rota do Lagarto, uma estrada cenário que deve fazer parte do seu roteiro e que dá acesso a pedra azul que dá nome a região. O acesso é pela BR 262 no Km 72, distante aproximadamente 90 km do aeroporto de Vitória. Não há comercio nos arredores do hotel, mas caso esqueça de levar alguma coisa tem uma pequena loja ao lado da recepção.

Lazer

   Hotel Fazenda China Park

A estrutura de lazer tem destaque no hotel, são várias opções e sempre tem novidades. A maioria é ao ar livre e não poderia ser diferente sendo um hotel fazenda, mas também tem opções em ambiente fechado evitando assim de ficar preso no quarto em dias de chuva. Nessas minhas idas peguei tempo bom e também chuva todos os dias, mas independente do tempo há o que fazer.

Tem um PARQUE AQUÁTICO de dar inveja a muitos clubes por aí. Com toboáguas, cachoeira artificial, escorregador e playground para as crianças.

Hotel Fazenda China Park

Possui o único TELEFÉRICO no Espírito Santo com mais de 1km de extensão. O trajeto é tranquilo e tem uma visão geral do lugar. Na parte alta do teleférico tem um mirante e se preferir pode pode voltar com mais adrenalina na TIROLESA mais alta no Estado com 120 metros de altura e 700 metros de comprimento, podendo atingir até 80 km/h. Infelizmente tive que voltar também no teleférico pois há limite de peso na tirolesa kkk. O teleférico está incluído na diária do hotel, mas a tirolesa é terceirizada e cobrada separada.

Hotel Fazenda China Park

Em abril tinha mais uma opção para os adultos, o ARVORISMO. 10 obstáculos distribuídos num percurso de 200 metros e a volta pode ser feita por uma tirolesa. Ou seja, agora o hotel têm duas tirolesas sendo que esta última é mais baixa e com uma distância menor. E o bom, pra mim, é que nessa eu posso descer, mas mesmo assim não consegui por causa da chuva. Alguma coisa diz que é para eu não saltar de tirolesa no Hotel Fazenda China Park.

Foto: Site do Hotel

Para quem prefere atividades mais tranquilas tem lagos com PEDALINHOS, pescaria e passeios em uma FAZENDINHA. Para as crianças tem o ESPAÇO KIDS com recreadores, e para ficar longe da chuva tem o CENTRO DE VIVÊNCIA com cinema, academia, jogos e o CENTRO TERMAL com piscinas, ofurôs e sauna. Além disso tudo tem trilhas, centro de treinamento e centro de eventos.

Hotel Fazenda China Park

Ou seja, tem muita coisa para aproveitar, mas se mesmo assim você ainda quiser fazer um TOUR pela região (vale muito a pena), o pessoal da recepção providencia para você.

Hospedagem

Hotel Fazenda China Park

São 7 tipos de acomodações no Hotel Fazenda China Park, tem em prédios ou em chalés, com varanda ou sem varanda, com hidromassagem, com ofurô, com churrasqueira. Todas com bom acabamento e bom gosto.

Eu fiquei muito bem acomodado na Suíte Plus com varanda e dois ambientes sendo que um com cama de casal e o outro com suas camas de solteiro, com TV, Frigobar, ar condicionado e wi-fi muito bom. Muito bem localizada na área central do hotel ao lado da recepção, restaurante e centro de vivência, localização ideal para dias de chuva. É bom lembrar as acomodações estão distribuídas no terreno, algumas mais distantes da área central.

Alimentação

Hotel Fazenda China Park

Tem um restaurante onde são servidas todas as refeições: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Em todas as minhas idas o serviço era buffet no quilo com boa variedade, comida de qualidade e saborosa. No site informa que só o café da manhã está incluído na diária, mas há a opção de meia pensão ou pensão completa. No restaurante há também uma adega e um bar.

Dica 1: há um restaurante Gourmet no hotel que funciona somente nos finais de semana, é o Casa Chef Ari. Não conheci.

Dica 2: o bar do restaurante não fica abeto até tarde. Se quiser prolongar a noite bebendo umas batendo papo num lugar mais descontraído pergunte sobre o bar o Edmar. Alguns funcionários moram em uma pequena vila dentro do hotel e o Edmar é um deles e dono do único bar. É um ambiente legal e com boas opções de bebida. É indicado na recepção e frequentado pelos hospedes.

Passe o dia

O ideal é se hospedar para aproveitar melhor tudo que o hotel oferece, mas para quem quer ou só pode passar o dia tem a opção do passaporte que dá direito aproveitar a estrutura de lazer.


Por duas vezes a minha hospedagem foi oferecida por participar do Pocando no ES, encontro de blogueiros de viagem. A minha opinião é independente das cortesias recebidas.





Dicas de Santa Teresa na região serrana do Espírito Santo

Santa Teresa

Santa Teresa, localizada a 80km de Vitória na região serrana do Espírito Santo, é uma típica cidade do interior colonizada por imigrantes. Nesse caso italianos que chegaram em 1875 e a origem dos colonizadores está presente por toda cidade, no modo de falar dos moradores, nas construções, gastronomia e nas festas, muitas festas.




De uns tempos pra cá, Santa Teresa criou um calendário de festas e eventos para atrair cada vez mais visitantes e turistas. Mas a mais tradicional, e uma das mais concorridas, é a Festa do Imigrante promovida justamente para comemorar a chegada e instalação dos imigrantes na colônia. Sem dúvida alguma o ponto alto da festa é a "Carretella Del Vin", um desfile pelas ruas da cidade mostrando toda trajetória, com muita música, comida e bebida, afinal de contas isto não pode faltar numa festa italiana.

Santa Teresa

Mas se for à Santa Teresa fora do período da festa, é possível conhecer a história da cidade visitando o Museu da Cultura e Imigração Italiana que abre de quinta a domingo das 9 às 12hs  e 14 às 17hs e funciona no primeiro andar da Galeria Cultural Virgínia Gasparini Tamanini que está aberta diariamente das 8 às 17hs pois no térreo tem artesanato e produtos da região como biscoitos, doces, vinhos e licores.

A galeria fica no centro da cidade, aliás a maioria dos atrativos está no centro de Santa Teresa e recomendo que estacione o carro e ande a pé, você irá aproveitar melhor. É no centro que estão os casarões, muitos dos restaurantes e comercio em geral, a igreja Matriz e ao lado dela a Rua do Lazer que pode muito bem ser chamada de rua gastronômica pois o que predomina são bares, restaurantes, lanchonetes e café.

Santa Teresa
Rua de Lazer

A Rua do Lazer é a Rua Coronel Bonfim Júnior que é fechada para circulação de veículos nos finais de semana e feriados e ocupada por mesas dos estabelecimentos comerciais. A sobremesa está logo no início no Café Zanoni, não deixe de comer o quindim. Depois vem uma sequência de bares e restaurantes.

E se você, assim como eu, gosta de tomar uma cerveja gelada com tira-gosto num bom boteco, não passe despercebido pelo Bar Elite. Um bar tradicional de 1920, e se for num domingo de dia e der sorte terá além da cerveja uma cantada italiana.

Santa Teresa

Quanto aos restaurantes, em Abril fui a dois deles como convidado do Pocando no ES, encontro de blogueiros de viagens promovido pelo Capixaba na Estrada. Jantei no Bar e Restaurante Fabrício, ambiente mais descolado com boa comida e bom atendimento. No dia seguinte almocei no já conhecido Taberna Lounge com a sua pegada medieval.
Santa TeresaCantada aos domingos no Bar Elite

Na Rua de Lazer, antes de sentar na primeira mesa a sua frente, circule pela rua e observe o casario. São construções bonitas e com grande valor histórico. E à noite, depois do pecado da gula, não vá embora logo. Ali há uma pequena praça onde costuma ter apresentações de grupos culturais e bandas com um som muito bom, mas se preferir esticar à noite até de madrugada então você tem que ir ao Pub Toca da Rota. Quem passa em frente não imagina como é o ambiente lá dentro, é muito bom. Funciona nos finais de semana e feriados, é concorrido e costuma ter fila para entrar.

Santa Teresa
Museu Mello Leitão

Ainda no centro da cidade há a Praça Augusto Ruschi e pertinho dela está o Museu de Biologia Mello Leitão na chácara onde viveu Augusto Ruschi, filho de imigrantes, nasceu e viveu em Santa Teresa. Era agrônomo, ecologista, naturalista e apaixonado por beija-flor e orquídeas, ele é o Patrono da Ecologia no Brasil. Vá ao museu, conheça mais sobre esse homem e ande despreocupado entre as arvores e plantas. Aberto para visitação de terça-feira a domingo das 8h às 17h. Entrada grátis.

Fora do centro têm outros atrativos, vinícolas e circuitos e aí precisa ir de carro. Tem a Casa Lambert, uma das primeiras construções da cidade. A casa de estuque foi feita pelos irmãos Lambert e chama atenção de quem passa. É aberta a visitação de quinta a domingo e feriados das 9 às 12hs e das 13:30 às 16:30hs.

Santa Teresa
Santa Teresa produz vinho, espumantes e licores

Em terra de italianos não pode faltar vinho e em Santa Teresa existem algumas pequenas vinícolas familiares que produzem vinho de mesa. Uma delas é a Cantina Mattiello, ela oferece aos visitantes loja de seus produtos, cafeteria e visita guiada para conhecer o processo de produção com degustação ao final. A visita guiada deve ser agendada e existe um custo. A loja funciona todos os dias das 8 às 17hs.

CIRCUITOS TURÍSTICOS

Como Santa Teresa está em uma região serrana, então têm muitos vales. Eles cercados por natureza e com propriedades rurais, capelas, pousadas, restaurantes e com muita beleza se tornaram circuitos turísticos. O mais antigo e conhecido é o Circuito Caravaggio, nele estão lugares gostosos que recebem visitantes como a Casa do Espumante, o Liquori Ferrari e bem no alto está a rampa de voo livre, que mesmo quem não tem intenção de voar deve fazer uma visita, de preferência no fim de tarde. O visual vale a pena. Outro circuito que ainda não é tão conhecido, e por isso é mais vazio, é o Circuito Colibris.

Santa Teresa
Rampa de voo livre no Circuito Caravaggio

Já na saída da cidade, quando estiver voltando para Vitória, pare para tomar o seu último café ou comprar biscoitos e doces maravilhosos na loja da fábrica Claid’s Biscoitos.

Devido a proximidade com Vitória é possível fazer passeio de um dia em Santa Teresa conhecendo muita coisa. Mas aproveite melhor o seu tempo e durma na cidade.

ONDE FICAR EM SANTA TERESA


Santa Teresa

Durante o Pocando no ES fiquei hospedado na Casa da Nonna Pousada. Não conhecia e foi uma boa surpresa. Fui recepcionado pela provável Nonna, mas ela logo foi chamar a filha Célia que é a proprietária da pousada, muito atenciosa, simpática e que faz os deliciosos bolos do café da manhã.

A Célia aproveitou o sobrado da mãe, construiu uma outra parte e deu origem a pousada que foi inaugurada este ano, portanto está novinha com ótimas instalações. São 5 suítes completas e 6 quartos que compartilham 3 banheiros nos corredores.

Na diária está incluído o café da manhã que não é exagerado, porém muito gostoso com opções de sucos naturais, pães e bolos caseiros. Eu que não sou muito de café da manhã, exagerei no bolo de milho.

A localização é outro ponto favorável para quem, igual a mim, gosta de ficar no centro de Santa Teresa. Ela está próxima ao comércio, galeria de artesanato e a uma quadra da Rua de Lazer, não precisando de carro. Mas como fica bem na rua sugiro para quem tem um sono mais leve que peça um quarto mais nos fundos. É bom saber também que a pousada funciona no primeiro andar e o acesso é feito por um lance de escada.

Fiquei somente uma noite, mas gostei muito. Me senti como se estivesse na casa de alguém e não numa pousada.

COMO IR

A partir de Vitória pela BR 101 norte até a cidade de Fundão e depois entrar a esquerda continuando pela rodovia estadual ES 164.

De ônibus é com a Viação Lírio dos Vales.



Pocando no ES

A Casa do Rio Vermelho, a Bahia de Jorge Amado em Salvador

A Casa do Rio Vermelho

Na minha última viagem a Salvador, em março, depois de voltar a lugares já conhecidos e que gosto muito como o Pelourinho e Solar do Unhão, quis visitar algo novo. Foi aí que fiquei sabendo da Casa do Rio Vermelho, antiga residência do escritor Jorge Amado que abriga um memorial.

Eu ainda não tinha ouvido falar da atração, mas a casa está aberta desde 2014 como memorial. Rio Vermelho é o nome do bairro onde ela está localizada, e foi onde a família Amado morou quando saiu do Rio de Janeiro e voltou a Salvador. 

A Casa do Rio Vermelho

Fui conhecer imaginando encontrar uma dessas casas com muitos objetos, documentos e obras do antigo morador. Mas a casa é muito mais do que isso, é um espaço que não tem só coisas, tem presença principalmente do Jorge Amado e dos seus personagens famosos. Visitar a casa foi como passear pelos seus livros, encontrar os personagens e tipos de uma Bahia que só Jorge Amado sabia contar.

A Casa do Rio Vermelho

A entrada é por uma escada que leva ao jardim e já ali percebi que não seria possível fazer uma visita rápida. No jardim tem muito do Jorge Amado, os bancos junto a uma mangueira onde ele ficava com a sua esposa Zélia Gattai, também escritora. Os sapos (de barro) que ele gostava tanto e os símbolos do candomblé, sua religião. Ali estão as cinzas dele. Também têm dois pequenos ambientes com vídeos, o primeiro mostrando a relação dele com o Candomblé. E o segundo ambiente tem vídeos com depoimento de várias pessoas. Só nesses lugares da para ficar um bom tempo.

A Casa do Rio Vermelho

Ao entrar na casa tive certeza que precisava de mais tempo, fui já no final do dia e uma hora foi pouco tempo. A casa é grande com muitos cômodos e detalhes e tive que acelerar. Se pra mim o jardim tem mais do Jorge Amado, a casa tem mais do escritor.

A Casa do Rio Vermelho

Os ambientes destacam o espaço de trabalho, suas amizades com outros artistas, suas obras e muito dos seus personagens, como se eles estivessem vividos ali. Tudo é apresentado de uma maneira interessante e dinâmica através de objetos, cenários, sons e imagens projetadas nas paredes e mobílias.

A Casa do Rio Vermelho

Eu li pouca coisa do Jorge Amado, confesso que sei mais de suas obras través de séries e novelas da televisão, mas foi como se eu os conhecessem, fui surpreendido com o que vi ali. Imagino como deve ser a visita para quem é mais próximo das obras dele ou para quem leu o livro A Casa do Rio Vermelho de autoria de Zélia Gattai.

Agora toda vez que for a Salvador tenho mais um lugar para voltar. 

A Casa do Rio Vermelho


VISITA A CASA DO RIO VERMELHO

Pode ser feita de forma independente e não tem um roteiro que deve ser seguido, mas se preferir pode ser feita com um monitor da casa.

Aberta de terça a domingo, das 10 às 17 horas. Não abre durante o carnaval.
Ingresso: R$ 20,00 e R$ 10,00 meia. Aceita cartão e na quarta é grátis.

Rua Alagoinhas, Nº 33. Rio Vermelho, Salvador.
(71) 333-1919.