Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

O México têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, na capital, litoral e interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Cabeça da serpente no templo de Kukulkan

Chichén Itzá, assim como Ek Balam que visitei um dia antes, está no estado de Yucatán. Foi uma das grandes e importantes cidades construída pela civilização maia se tornando o centro de um vasto território. Teve uma população numerosa e diversificada, e isso ficou registrado na arquitetura e detalhes das construções. É um Patrimônio Mundial da UNESCO, e em 2007 foi escolhida como uma das Novas 7 Maravilhas do Mundo, o que a deixou mais conhecida e fez aumentar o número de visitantes.

A cidade maia mais famosa foi a quinta que eu conheci em minha viagem pelo México. Normalmente fico com o pé atrás quando um lugar é muito famoso, muito divulgado. Então cuido para não criar uma grande expectativa para ao chegar não achar que é tudo aquilo. Em Chichén Itzá funcionou, ela me surpreendeu.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Você entra, anda alguns passos e no meio da praça dá de cara com o El Castillo, um imponente templo em forma de pirâmide com 30m de altura, e que apesar de ser menor que a Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ela me impressionou mais. Talvez por estar só em um espaço aberto e assim se destacar, não sei. Só sei que ela é o cartão postal de Chichén Itzá, e todos querem tirar foto dela ou com ela. O difícil é conseguir uma foto sem uma multidão ao seu redor.

O El Castillo foi construído para Kukulkan, um dos governantes de Chichén Itzá que depois de sua morte virou uma divindade. Ele seria o que o deus asteca Quetzalcoatl foi para Teotihuacan: a serpente emplumada. Na base da escada de um dos lados da pirâmide tem a cabeça da serpente, como em outras edificações, mas é nela que em março e setembro quando marca o início da primavera e outono que é projetada a sombra da serpente descendo do templo para fertilizar a terra.

Há quem diga que o templo foi construído propositalmente para que isso aconteça, mas há quem acredita que não passa de uma coincidência. Seja como for, nesses períodos Chichén Itzá atrai grande público para ver o acontecimento.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
As mil colunas representando os guerreiros e sacerdotes

Mas não pense que se viu o El Castillo viu tudo em Chichén Itza. Têm outras construções bem interessantes e ao contrário de Teotihuacán que ao entrar você consegue ter uma visão geral da antiga cidade, em Chichen Itza não é assim. Ela é espalhada entre arvores e vendedores (muitos) e é preciso ir desviando deles para desvendar a cidade.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Templo dos Guerreiros

Não tem necessariamente que seguir um roteiro, mas há sugestão de um nos mapas do parque. Eu fiz o meu indo para o que chamava a minha atenção. Depois do El Castillo segui para um conjunto de Colunas que os mil soldados do Templo dos Guerreiros, e dali segui sempre à direita passando entre outras construções pela La Iglesia, Observatório e El Osario.

Observatório

De volta ao El Castillo, já estava bem incomodado com o calor, mas segui para o outro lado e passei pelo imenso (o maior existente) campo de Jogo de Pelotas, o esporte praticado pelos maias e que muitos acreditam que também tinha caráter religioso e os derrotados pagavam com a vida. Continuei em uma espécie de rua cercada por vendedores e cheguei ao cenote sagrado usado em sacrifícios aos deus da chuva. Um cenote bonito, mas que não é permitido entrar. Era comum construir as cidades próximas a cenotes, e em Chichén Itzá existem dois.


Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itza não é a cidade pré-colombiana mais visitada, mas não se iluda pois você irá encontrar uma multidão. Todos os dias o lugar recebe várias excursões de cidades como Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida. Eu cheguei às 09h imaginando que fosse encontrar o lugar vazio, mas não estava e com as horas o público só aumentava. Quando saí ao meio dia, parecia que eu nadava contra a corrente, uma multidão estava entrando. Naquela hora o que eu mais queria era sair dali pois além da multidão, o calor estava insuportável. É loucura visitar Chichén Itza ao meio dia.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
La Iglesia

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Anexo de las Monjas

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada Guias de Turismo que oferecem os seus serviços. Se puder contrate um, vale a pena. Ou pelo menos tenha um guia turístico para aproveitar melhor a visita.

>> Visitei em 03h só as ruinas sem ir ao museu que fica na portaria. Não foi a que eu mais demorei, mas isso devido ao fato de não poder subir em nenhuma ruina (ou seja, foram 03h só andando, observando e tirando fotos) e pelo calor e multidão que incomodaram muito.
>> É grande e anda muito, vá com calçado confortável.
>> Vá preparado para o calor, não esqueça o protetor solar, água e chapéu.
>> Têm muuuuitos vendedores no local.
>> Na portaria têm lanchonetes e próximo têm restaurantes. Dentro não tem.

Valor: 75 pesos cobrado pelo Governo Federal, mas o Governo do Estado de Yucatán cobra também um valor de 406 pesos, totalizando 481 pesos (abril/19).
“ Todas as noites acontece também o espetáculo de som e luzes onde o El Castillo é iluminado e a história de Chichén Itza é contada. Tem um custo extra. Eu não assisti.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Como chegar

>> Todos os dias saem excursões de um dia das principais cidades turísticas da região (Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida) para visitar Chichen Itza e outros atrativos. Pelos relatos que li esta opção não vale muito a pena pois passa mais tempo viajando do que na Zona Arqueológica. Também tem ônibus da empresa ADO saindo dessas cidades.

>> Existem hotéis no povoado próximo a Zona Arqueológica, inclusive tem um resort dentro dela.

>> Eu não fui de excursão e nem fiquei no resort. Optei em ficar na cidade de Valladolid a 50 minutos de ônibus e fui por conta própria pagando 37 pesos a passagem. Têm vários horários saindo do terminal de autobus da ADO. Além de ônibus têm vans que saem da mesma rua do terminal. A princípio eu ia de van, mas um morador sugeriu que eu fosse de ônibus e foi melhor assim, pois a van precisa ter um número de pessoas para sair e como eu estava com bagagem o ônibus foi mais confortável.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
A cabeça da serpente está por todos os cantos

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Campo do jogo de pelotas. O maior do mundo maia.

Valladolid – Chichén Itza – Mérida:

A Zona Arqueológica fica entre as duas cidades e eu programei a minha visita no dia que fui de uma para a outra. Usei transporte público (ônibus) e foi tranquilo. O desembarque e embarque acontece em frente a portaria principal.

>> De Valladolid a Chichén Itza a viagem demorou 50 minutos. Já para Mérida demorou aproximadamente 2h30min pois o ônibus era da empresa Oriente que é chamado de segunda classe usado mais pelos moradores e para em tudo que é lugar. Têm ônibus melhores da empresa ADO que vão direto, mas os horários são poucos e ruins. Confira o post sobre como viajar de ônibus pelo México.

>> Também dá para fazer o caminho inverso. Inclusive para as cidade de Tulum, Playa del Carmen e Cancun pela empresa ADO.

E a bagagem? Na portaria de Chichén Itza tem guarda Volumes. Eu estava com uma pequena mala de rodinhas, dessas que entra como bagagem de mão no avião e teria que pagar 100 pesos. Do ônibus até a bilheteria foi preciso passar por um mercado de artesanato, foi aí que um senhor de uma das tendas ofereceu para guardar a minha bagagem pela metade do valor cobrado. Aceitei, fiquei um pouco apreensivo, mas deu tudo certo.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
O cenote sagrado. Fica dentro da zona arqueológica e era usado para sacrifício

Chichén Itza combina com

Na região existem cenotes (confira o post sobre 10 cenotes que conheci no México) que podem ser visitados facilmente se você estiver de carro. Próximo às ruinas está o cenote Ik Kil que dá para ir de carro ou de taxi. Ele estava na minha lista, mas não fui conhecer pois não queria chegar tarde a Mérida e também porque é o cenote que os grupos das excursões visitam e ele fica muito cheio.

Outra opção próxima é a cidade colonial de Valladolid.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Ek Balam, ruinas de um reino maia

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Arco de entrada

Quando fui a Machu Picchu um colega da escola onde eu trabalhava disse não entender eu “pagar para viajar para ver pedras”. Imagino o que ele diria agora se soubesse que um dos principais motivos para eu viajar até o México foi poder conhecer ruinas de cidades pré-hispânicas.

>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

O país têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, da capital ao litoral passando pelo interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itza, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Ek Balam, ruínas de um reino maia

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Vista parcial da cidade a partir do Palácio Oval

Este sítio arqueológico estava na minha lista, mas sinceramente não imaginava que fosse conseguir conhecer pois não tinha informações de como chegar lá sem carro.

Depois de Tulum, no litoral, segui viagem para Valladolid, uma cidade no interior do estado de Yucatán. Andando por suas ruas fui abordado, numa esquina, por um taxista oferendo viagem em um taxi coletivo justamente para Ek Balam. Ele tinha 2 moradores para levar e precisava de pelo menos mais uma pessoa para fazer a corrida. Não pensei duas vezes, paguei 50 pesos e lá fui eu.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

Com um pouco mais de meia hora de viagem, passando por alguns povoados, o taxi me deixou na entrada do sítio. Até as ruínas é preciso caminhar uns 400m. Era ainda cedo, e no caminho passei por meia dúzia de gringos que já estavam de saída, até então eram os únicos visitantes e por um tempo tive a cidade só pra mim. O lugar estava silencioso.

Com o tempo chegou mais gente, mas continuou tranquilo. Não faz muito tempo que Ek Balam foi aberta a visitação, com isso não é uma das cidades mais visitadas.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya


Já na caminhada achei Ek Balam diferente das outras. Ela está envolvida pela natureza, é mais silenciosa. Havia um certo suspense, o sol não estava forte e apesar de ser carcada por mata, muitas arvores estavam secas e a cor de barro predominava criando uma paisagem árida, talvez feia para muitos, mas eu achei interessante, bonita.

Ek Balam é uma das últimas cidades descoberta, relativamente com pouco tempo de pesquisa. Mas já se sabe, ou pelo menos acredita, que sua construção é de antes da era cristã e que foi capital do reino de Talol. Portanto foi uma cidade importante, mas a maior parte dela ainda não foi escavada e está escondida pela mata.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

A parte que é vista da cidade provavelmente era onde morava a elite, e a exemplo de Tulum também era murada por uma questão de segurança. O acesso principal a esse núcleo se dá por um arco maia que até então eu não tinha visto.

É nesse espaço que estão concentradas as ruínas principais. É dividido em duas praças, a entrada se dá pela praça sul onde se destaca o Palácio Oval que não é tão alto, mas do alto do seu topo se tem uma boa vista da cidade.  Ao lado da praça está o campo de jogo de bola, um dos jogos mais antigos e que era muito praticado pelos maias.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Campo do jogo de bola

A praça seguinte é a norte e nela está a Acrópolis que é o edifício mais importante e mais alto com 32 metros. Do alto do seu topo tem uma visão mais ampla da cidade e a floresta ao seu redor.

Ao contrário de outras pirâmides que conheci e subi, na Acrópolis a atração não é só subir até o topo não. Ela têm patamares que servem de paradas, no meu caso, não só para descansar e tomar fôlego, mas também para ver o que há neles.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
A Acrópolis

Acrópolis foi um palácio real e esses patamares têm suas fachadas com muitos detalhes decorativos em alto relevo. A arte e arquitetura eram valorizadas em Ek Balam se destacando de outras cidades. Os trabalhos estão sendo restaurados e preservados (por isso as coberturas de palha), e o melhor exemplo dessa arte está na tumba de um dos principais governantes que é ricamente ornamentada externamente, e no seu interior estão milhares de presentes depositados na ocasião de sua morte, mas infelizmente não é possível entrar.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Detalhe da facha da tumba de um dos governantes da cidade

Como chegar

Está localizada no município de Temozon, mas das cidades mais conhecidas, Valladolid é a mais próxima. Visitei a partir dela e fui de taxi coletivo pagando 50 pesos o trecho. Não tem transporte público pra lá, e pelo que percebi é mais fácil conseguir outras pessoas para o taxi na parte da manhã, vá cedo.

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada Guias de Turismo oferecem os seus serviços.
>> A área visitada é pequena fazendo com que o deslocamento seja curto e a visita rápida. Demorei aproximadamente 1h30min visitando com calma e subindo nas ruinas. Lá ainda é permitido.
>> O espaço é todo aberto e em um dia de sol forte o calor vai incomodar muito, leve um boné ou chapéu. Na entrada têm muita gente vendendo e não são caros.
>> Não esqueça do protetor solar e água.
>> Na entrada há comércio de artesanato, comida e bebida.
Valor: 75 pesos cobrado pelo Governo Federal, mas o Governo do Estado de Yucatán cobra também um valor de 338 pesos, totalizando 413 pesos (abril/19).

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Vista do alto da Acrópolis

As ruínas de Ek Balam combinam com

A visita no local não é demorada e dá para aproveitar o dia para conhecer outras atrações na região. Se estiver de carro e quiser continuar nas zonas arqueológicas dá para visitar também Chichén Itza no caminho para Mérida. Eu preferi visitar alguns cenotes.

Conheci o cenote XCanché. que fica bem ao lado das ruínas, e como eu não estava de carro fechei um pacote com um taxista que estava no estacionamento para me levar aos cenotes Palomita e Água Dulce e no fim da tarde retornar para Valladolid. Aproveitei melhor o tempo e saiu mais em conta do que se eu voltasse a Valladolid para de lá ir aos cenotes.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

Tulum, ruínas de uma cidade maia à beira mar

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar

Quando fui a Machu Picchu um colega da escola onde eu trabalhava disse não entender eu “pagar para viajar para ver pedras”. Imagino o que ele diria agora se soubesse que um dos principais motivos para eu viajar até o México foi poder conhecer ruinas de cidades pré-hispânicas.

>> Veja aqui o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
Parte central da antiga cidade com as principais edificações. Em destaque no centro o El Castillo

O país têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, da capital ao litoral passando pelo interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Tulum, ruínas de uma cidade maia à beira mar

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
Templo do deus do vento à beira mar

Na Rivera Maya visitei a Zona Arqueológica de Tulum. Diferente de todas que conheci, ela fica em um lugar privilegiado no alto de uma falésia beirando o mar do Caribe. Com essa localização, e por falta de ruinas monumentais, a atração principal acaba sendo o visual que se tem a partir dela e Tulum acaba sendo mais conhecida pela imagem registrada ali..

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar

Sendo assim, aconteceu comigo o que deve acontecer com a maioria das pessoas, eu queria logo chegar aos mirantes. Mas da entrada até à beira do mar é preciso passar por algumas ruinas que me surpreenderam pois a imagem que eu tinha gravada de Tulum era justamente a vista do mar do Caribe, e acabei não dando a devida atenção a elas.

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
El Castillo voltado para o interior da cidade

Mas eu não tive sorte na Riviera Maya. Durante o tempo que passei por lá o mar não estava tão caribenho, havia muito sargaço (uma espécie de algas) na praia e dentro do mar. E principalmente no dia que fui conhecer A Zona Arqueológica o tempo estava fechado com nuvens escuras indo e vindo, vento e ameaça de chuva. A maré estava alta com o mar batendo no barranco e com água escura por causa do sargaço. A tradicional foto (a primeira) não ficou tão bonita com o azul do mar confundindo com o azul turquesa do mar. O tempo estava tão ruim que até a escada que dá acesso à praia estava fechada ( em Tulum é possivel ir à praia e voltar para as ruinas, então com roupa de banho).

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
O lado do El castillo voltado para o mar

Graças ao mau tempo voltei a minha atenção para a cidade maia do período final pré-hispanico. Cidade costeira, Tulum foi construída como uma fortificação, não têm construções (ou ruinas) altas como em outros lugares, mas são robustas e tirando o lado do mar ela tem um muro sendo fácil entender porque ela é a “Cidade Amuralhada”. Acredita-se que Tulum foi um importante entreposto comercial ligando rotas marítimas e terrestres. 

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar

Não sei explicar, mas achei as edificações diferentes de outras zonas arqueológica, talvez isso se deva ao período e localização de sua construção. São construções bonitas e impactantes, mas não espere encontrar pirâmides e poder subir nelas. Em Tulum o destaque fica para El Castillo e templos próximos ao mar que também serviam de torres de observação.

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
Templo de los frescos com pinturas decorativas. Não é permitido entrar


Como chegar

>> O sítio arqueológico fica bem perto do centro da cidade de Tulum onde fiquei hospedado. Lá é comum o uso de bicicleta, eu aluguei uma e fui com ela até a portaria que fica distante 1km da rodovia.
>> Para quem estiver em Playa del Carmen e Cancun tem a opção de van ou ônibus, 1h de viagem da primeira e 2 horas da segunda. O desembarque será na rodovia próximo ao estacionamento e será necessário caminhar ou pegar um trenzinho (pago) para chegar até a portaria.
>> E de todas cidades saem também excursões com guias.
>> Antes da portaria têm estacionamento, lojas, bares e restaurantes.

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar
El Castillo ao fundo no alto

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No domingo a entrada é grátis para os mexicanos e residentes, fazendo com que tenha mais gente. No interior têm placas com informações e na entrada têm Guias de Turismo oferecem os seus serviço.
>> A área  a ser visitada é pequena, praticamente plana e não é permitido subir nas ruínas, sendo possível ir de chinelos e não precisar de muito tempo para conhecer. Eu fiz a visita em 1h e 30min.
>>Tulum está localizada numa região bem turística próxima a rodovia que liga a Riviera Maya a Cancun. É o terceiro sítio arqueológico mais visitado depois de Teotihuacan e Chichén Itza. Fui cedo e ainda estava tranquilo, mas logo começam a chegar as excursões.
>> O espaço é todo aberto e em um dia de sol forte o calor vai incomodar muito, leve um boné ou chapéu. Na entrada têm muita gente vendendo e não são caros.
>> Não esqueça do protetor solar e água.
Valor: 75 pesos (abril/19).

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar

As ruínas de Tulum combinam com

É possível combinar esta visita com praias em Tulum, nas ruínas tem uma escada que dá acesso a elas. No dia que fui estava fechada devido o mau tempo, mas se você estiver de carro ou bicicleta dá para ir em praias próximas. Cheguei ir a algumas delas, mas como o tempo não estava bom optei pelos cenotes. Fui de bicicleta em 3 deles, o Gran Cenote, O cenote Escondido e o Cristal, todos relativamente próximos. Tenho um post sobre os 10 cenotes que conheci no México.

Tulum, ruínas de uma cidade maya à beira mar

As ruínas de Teotihuacan, a cidade dos deuses

Ruínas de Teotihuacan

Quando fui a Machu Picchu um colega da escola onde eu trabalhava disse não entender eu “pagar para viajar para ver pedras”. Imagino o que ele diria agora se soubesse que um dos principais motivos para eu viajar até o México foi poder conhecer ruinas de cidades pré-hispânicas.


Ruínas de Teotihuacan

O país têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que já existiam antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, da capital ao litoral passando pelo interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.


Teotihuacan, a cidade dos deuses

Ruínas de Teotihuacan

Distante 50km da Cidade do México está o sítio arqueológico de Teotihuacan, uma das maiores e mais populosas cidades pré-hispânica do México. A sua origem é de antes da era cristã, mas não se sabe exatamente quem a construiu. Foi povoada por vários grupos étnicos, se tornou o centro de poder de uma região influenciando outras cidades. Foi considerada sagrada (a cidade dos deuses) e foi abandonada sem saber exatamente o motivo.

Apesar das dúvidas é inegável a sua importância e, provavelmente pela proximidade da capital, é o sítio arqueológico mais visitado no país.

Ruínas de Teotihuacan

Se o que se vê hoje impressiona, imagino como era Teotihuacan no seu auge. Ela é grande e com as construções distribuídas e ligadas por uma espécie de avenida fica nítido o desenho de cidade. E ainda têm as pirâmides da lua e a do sol, que são os principais atrativos para os turistas.

Depois de 1 hora de viagem, o motoristas gritou “pirâmide”. Desci e como em todos sítios arqueológicos que visitei passei por vários vendedores até chegar a bilheteria e portaria. Ao entrar já procurava visualmente a pirâmide do sol, o destaque de Teotihuacan, mas ela estava longe dali. Entrei pela portaria 1 e a pirâmide fica na portaria 2 distante dali. Mas foi bom ter acontecido isso pois percorri toda cidade deixando a melhor parte para o final. O lado ruim disso é que você já pode estar cansado na hora de subir as pirâmides.

Ruínas de Teotihuacan
Pirâmide do Sol

O setor que entrei é conhecido como cidadela, um grande pátio com algumas construções também interessantes, mas a que se destaca é o Templo de Quetzalcóatl, o deus do vento e a palavra significa serpente emplumada. A adoração a esse deus era grande e é comum a figura da serpente nas ruinas.

Da Cidadela segui até o lado norte onde ficam as pirâmides da Lua e do Sol. Para chegar até lá é preciso passar por uma espécie de avenida chamada de Calle de los  Muertos, e o nome vem do fato de acreditarem que muitas construções que estão ao seu lado são tumbas. Finalmente depois de algumas paradas no trajeto de 4km cheguei a pirâmide do Sol.

DETALHE: Se você for de carro e não quiser fazer o trajeto a pé, é só seguir por fora, deixar o carro nos estacionamento de cada entrada e visitar os setores.

Ruínas de Teotihuacan

A pirâmide do Sol impressiona pelo seu tamanho e altura de 65 metros. O desafio foi subir as escadarias inclinadas com os seus mais de 200 degraus irregulares. Mas indo devagar e parando alguma vezes consegui chegar ao seu disputado topo. A visão dali é incrível e vale ficar um tempo ali. Mas não demorei, pois ainda tinha a pirâmide da Lua que fica próxima dali.

Ela é mais baixa com 45 metros, têm menos degraus, mas não se engane pois são mais altos exigindo de você. Ao contrário da pirâmide do sol, na da lua não é permitido subir toda escadaria escadaria sendo possível só a primeira e confesso que dei graças a Deus por isso. Mesmo não indo até o topo, a visão que se tem da cidade a partir da pirâmide da Lua é ainda melhor.


Muita gente visita Teotihuacan para conhecer as pirâmides. Elas realmente valem a ida, mas o lugar tem muito mais e merece ir com tempo. No local existem museus que já estão incluídos no ingresso. Eu demorei aproximadamente 4h e meia sem visitar os museus, mas gosto de visitar sem correria e sou curioso.

Fui numa segunda feira e cedo para não encontrar o lugar cheio. Cheguei por volta das 9h, o público era pequeno, mas à medida que o tempo foi passando chegou mais gente. Pensei que fosse ser mais vazio, mas estava suportável. Dizem que o público é maior à tarde quando as excursões chegam da Basílica de Guadalupe.

Ruínas de Teotihuacan
Pirâmide da Lua

Visitas: de segunda a domingo das 9 às 17h. Na entrada Guias de Turismo oferecem os serviços deles.
Valor: 75 pesos (abril/19).


Orientações

>> O espaço é todo aberto e em um dia de sol forte o calor vai incomodar muito, leve um boné ou chapéu. Na entrada têm muita gente vendendo e não são caros.
>> Não esqueça do protetor solar.
>> Devido ao esforço físico (e calor) EVITE SUBIR nas pirâmides caso você:
* Tenha alguma lesão ou cirurgia recente;
* Tenha problemas cardíacos;
* Tenha problemas nas costas, juntas e ossos;
* Esteja grávida;
* Tenha pressão alta ou aneurisma;
* Esteja sob efeito de álcool ou drogas;
* Esteja usando calçados escorregadios ou com salto alto.

Ruínas de Teotihuacan

Como ir por conta própria

A partir da Cidade do México fui de metrô linha 5 amarela até o Terminal Autobuses del Norte. Lá segui de ônibus da empresa Autobuses Theotihuacan localizada na sala 8 à esquerda de quem entra no terminal. Tem vários horários e a passagem ida e volta custou 104 pesos, o retorno fica em aberto. Leia como é viajar de ônibus no México.


Ruínas de Teotihuacan

Teotihuacan combina com

Você pode aproveitar a sua ida a Teotihuacan e visitar a Basílica de Guadalupe, a padroeira da América Latina. Ela fica no caminho e para aproveitar melhor os dois lugares visite a Basílica na volta fugindo assim do fluxo das excursões que normalmente visitam na ida. Fiz isso e acho que a visita vale a pena independente de você ser religioso.

Na volta de Teotihuacan avise ao motorista que irá para a Basílica e ele irá deixar você numa estação mais próxima, mas a distância é curta e dependendo do seu cansaço dá para ir caminhando.

Ruínas de Teotihuacan

As ruinas do Templo Mayor na Cidade do México

Ruinas do Templo Mayor na Cidade do México
Ruinas do Templo Mayor

Quando fui a Machu Picchu um colega da escola onde eu trabalhava disse não entender eu “pagar para viajar para ver pedras”. Imagino o que ele diria agora se soubesse que um dos principais motivos para eu viajar até o México foi poder conhecer ruinas de cidades pré-hispânicas.


O país têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que já existiam antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, da capital ao litoral passando pelo interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Templo Mayor na Cidade do México

Ruinas do Templo Mayor na Cidade do México
Ruinas do Templo Mayor

Bem ao lado da Catedral Metropolitana da Cidade do México está o que sobrou do Templo Mayor, o centro religioso dos astecas. A capital mexicana foi construída pelos espanhóis sobre Tenochtitlan, umas das principais cidades estados habitada pelo povo indígena mexica (daí o nome México).

O Templo Maior, como tudo que existia ali, foi destruído restando somente as ruinas encontradas por acaso já no final do século XX. Em forma de pirâmide, o templo construído para os deuses da chuva e da guerra chegou ater 45m de altura sendo a principal construção da cidade.

Ruinas do Templo Mayor na Cidade do México
Monolito de Tlaltecuhtli

Exprimida entre as construções espanholas, a Zona Arqueológica é uma das atrações do Centro Histórico da Cidade do México, e pode ser visitada. Vá conhecer, mas não vá como eu esperando encontrar uma grande construção em forma de pirâmide que é comum no México. Ali só restaram as “bases”, assim mesmo no plural  pois os mexicas acreditavam que o templo ocupava o centro do universo e quando havia necessidade de construir um maior, eles não faziam em outro lugar e sim um sobre o outro, e durante a visita é visível as várias camadas.

A visita segue um circuito definido com placas informativas em vários lugares. Não é grande e se você não for fazer nenhum estudo arqueológico, não irá demorar para conhecer as ruinas. Mas ao final do circuito está o museu que sem ele a visita ao Templo Maior não é a mesma coisa, ele faz toda diferença e aí precisa de mais tempo.

Ruinas do Templo Mayor na Cidade do México
Pedra Coyolxauhqui .

O museu é interessantíssimo, bonito e organizado. Nele, além de exposições temporárias,  estão expostas peças encontradas durante as escavações arqueológicas. E lugar de destaque está o monolito de Tlaltecuhtli, deus ou deusa da terrra, a maior escultura mexica já encontrada e a mais pesada com 12 toneladas.  Outro destaque é a pedra Coyolxauhqui com 8 toneladas encontrada no porão de uma livraria.  Também estão expostas as escultura de Huitzilopochtli  o deus da guerra e de Tláloc, o deus da chuva e agricultura.

Visitas: de terça a domingo, das 9 às 17h. Visitei em um domingo, o que não é muito recomendado pois nesse dia mexicanos e residentes não pagam ingresso em museus e espaços culturais, e eles frequentam. Mas não estava insuportável. É oferecido ao visitante visita guiada gratuitamente, veja informções no site.
Valor: 75 pesos (abril/19).

Ruinas do Templo Mayor na Cidade do México
Tláloc, o deus da chuva

Como chegar

Eu estava hospedado no Centro Histórico então fui caminhando. Mas se esse não for o seu caso, você tem a opção da estação de metrô Zócalo da linha 2, ou então alguma estão do Metrobus que atenda a Catedral ou o Palácio Nacional pois o Templo Mayor está bem no centro da cidade.

O Templo Mayor combina com

A visita pode perfeitamente ser feita no dia do Tour no Centro Histórico. Assim você conhece também a Catedral, o Palácio Nacional, museus e outros atrativos. Reserve um dia para esse tour.