Monte Albán e Mitra, duas cidades zapotecas em Oaxaca

Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


O México têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.


>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.


E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan próxima da capital, Tulum no litoral, e no interior conheci Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.


Monte Albán e Mitra, duas cidades zapotecas em Oaxaca

Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Depois de ficar impressionado com as ruínas de Palenque pensei em não visitar mais nenhuma delas. Na minha lista estavam ainda Mont Albam, Mitra e Cholula. A última foi cortada para eu aproveitar melhor Puebla, e as outras duas ficam próximas de Oaxaca, cidade onde eu estava. Acabei cedendo a minha curiosidade e fui conhecer as duas cidades zapotecas. Uma está entre as primeiras cidades pré-hispânicas construídas no México e a outra foi a última grande cidade construída na região antes da chegada dos colonizadores.


Monte Albán, a “Montanha Sagrada”

Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Eu subestimei Monte Albán e fiquei surpreso com o que vi. No alto de um monte encontrei ruinas de uma grande cidade, e o tipo de construção e divisão dos espaços me lembrou Teotihuacan (depois fiquei sabendo que realmente sofreu influencias da cidade dos deuses). O lugar é bonito, amplo e de lá tem uma boa visão da região de Oaxaca. Mas vá preparado para o calor, a área é aberta sem arvores e o sol castiga.


Construída no alto de uma colina, Monte Albán era chamada pelos zapotecas de “Montanha Sagrada”. Fundada 500 a.C ela foi uma das cidades pré-hispânicas mais antigas, expandiu pela região, teve uma grande população. Se tornou capital dos zapotecas e um dos primeiros estados, foi o centro político da região.


Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Séculos depois, antes da chegada dos colonizadores, foi ocupada pelos Mixtecas, povo indígena da região. Nesse período aconteceram muitos sepultamentos no local, possibilitando de encontrar posteriormente muitos túmulos. Um deles se destacou por guardar grande tesouro com peças em ouro.


Monte Albán, assim como Teotihuacan, me pareceu ter sido uma cidade organizada em setores, classes sociais. Há uma praça central e ao seu redor têm outros pátios e construções como se fizessem proteção do lugar. Pelas ruínas, havia muitas construções imponentes.


Não é muito grande, mas é permitido subir na maioria das edificações, entrar em algum túmulo e aí a visita não foi tão rápida como imaginei. Subi em todas que pude e quando encontrava uma das poucas arvores parava para aproveitar a sombra e curtir a paisagem. Acabei ficando 01:30h, sem visitar o museu.


Monte Albán, a "Montanha Sagrada"



Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. Pode entrar só até às 16:30h. No interior têm placas com informações e na entrada têm Guias de Turismo que oferecem os seus serviços.

Visitei em um domingo, dia que os mexicanos tem gratuidade, mas mesmo assim estava tranquilo.

Na entrada tem um museu. Se for visitar, visite antes das ruinas para entender melhor o que irá ver. Esta dica serve para todos sítios arqueológicos.


>> Não esqueça o protetor solar, água e chapéu. Fui em abril e o calor estava insuportável, precisei comprar um na entrada.

>> Tem que comprar antes de entrar, lá dentro não vende.


Valor: 75 pesos para visitar o sítio arqueológico e (abril/19).



Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Como visitar Monte Albán a partir de Oaxaca

>> Com uma volta no Zócalo, praça principal de Oxaca, você irá encontrar anúncios e pessoas oferecendo passeios para Monte Albán. Tem para conhecer só o sítio arqueológico, e tem para conhecer ele e outros atrativos na região.

>> Tem Taxi.

>> Mas tem como ir por conta própria de ônibus, uma forma bem rápida e fácil. Foi o jeito que fui.


Monte Alban está distante no máximo uns 10km do centro de Oaxaca, e tem ônibus que te leva até lá. Inclusive têm agências que vendem o passeio mais caro e te manda nesse ônibus.


Basta você ir até o Hotel Rivera de Angel na Cale Francisco Javier Mille. Não dá 10 minutinhos de caminhada a partir do Zócalo. Comprar a passagem de ida e volta (60 pesos em abril/19) e embarcar na esquina num ônibus urbano simples. O intervalo dos ônibus é de 1 hora, tanto na ida como na volta. Você só precisa ficar ao último horário de volta, que se eu não estiver enganado é às 17h.


Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Monte Albán, a "Montanha Sagrada"


Mitla, a “cidade dos mortos”

No meu primeiro dia em Oaxaca conheci Monte Albán e no dia seguinte conheci Mitla, outra cidade zapoteca e a última cidade monumental construída na região. Depois da decadência da primeira a outra ganhou grande importância.


Mitla, a "Cidade dos Mortos"



O sítio arqueológico de Mitla é pequeno, mas é bonito e sem dúvidas o que chama atenção são as edificações melhores trabalhadas, os detalhes decorativos, a ornamentação nas obras. Não espere encontrar ruínas de grandes pirâmides em Mitla, não era uma cidade de construções monumentais e sim de construções pensadas nos seus moradores.


Mitla, a "Cidade dos Mortos"


A edificação que se destaca pelo seu tamanho é uma igreja católica que fica na entrada e chama atenção de quem chega. Pensei que estivesse fora do sítio arqueológico, mas pelo contrário, está praticamente no centro dele. Mitla ainda funcionava como centro religioso quando os espanhóis chegaram e construíram a igreja San Pablo sobre a cidade zapoteca.


Se Monte Albán era o centro político, Mitla era o centro religioso. Lugar de grande devoção aos antepassados era considerada a ligação com o mundo dos mortos. Não foi atoa chamada de “Cidade dos Mortos”.


Mitla, a "Cidade dos Mortos"


A área a ser visitada é pequena, o guia nos deu o tempo de 40 minutos. Inicialmente achei pouco, mas acabei visitando em meia hora. O fato de já ter visto várias ruinas de cidades mexicanas e o calor que estava de rachar também contribuíram para isso e acabei não fazendo uma visita detalhada.


Distante 40km do centro de Oaxaca, Mitla está localizada na cidade San Pablo Villa de Mitla. Com ruas estreitas calçadas de pedra, como se fosse uma continuação do sítio arqueológico. Aliás, há informações que moradores retiram pedras de Mitla para construírem suas casas. Fiquei curioso para conhecer aquele lugar, talvez vale a pena ir com mais tempo.


Mitla, a "Cidade dos Mortos"



Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada têm Guias de Turismo que oferecem os seus serviços.


>> Foi o Sítio arqueológico com a estrutura mais simples que visitei. 

>> Aos domingos os mexicanos tem gratuidade. Nesse dia pode ter um público maior.

>> Não esqueça o protetor solar, água e chapéu.

>> Ao redor do sítio têm muuuuuitas barracas de artesanato.


Valor: 75 pesos para visitar o sítio arqueológico e (abril/19).



Mitla, a "Cidade dos Mortos"


Mitla, a "Cidade dos Mortos"


Como visitar Mitla a partir de Oaxaca

>> Há opção de ir de taxi, mas não deve ser tão barato já que Mitla está distante uns 40km.

>> Para ir por conta própria tem que pegar um transporte que não te deixa no sítio arqueológico e sim na entrada da cidade. Não tenho mais detalhes sobre esta opção.

>> Outra opção é ir numa excursão que visita outros atrativos além de Mitla. Foi a que escolhi, paguei 150 pesos mais o ingresso. Na praça principal de Oxaca, você irá encontrar anúncios e pessoas oferecendo a excursão. A vantagem é o comodismo. A desvantagem é o tempo limitado de visita e ir a lugares que não valem tanto a pena.

Palenque, a impressionante cidade maia na selva mexicana

Cidade maia de Palenque

O México têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan próxima da capital, Tulum no litoral, e no interior conheci Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Palenque, a impressionante cidade maia na selva mexicana

Cidade maia de Palenque

As ruinas de Palenque não são tão famosas como as de Teotihuacan, Tulum e, principalmente, Chichén Itza. Eu só soube dela depois de ter organizado o meu roteiro, e achei os relatos tão interessantes que acabei alterando a minha programação. Diminuí dias em outros lugares para poder conhecê-las. Não me arrependi, foi o sítio arqueológico que mais gostei.

Localizada no município com o mesmo nome no estado de Chiapas, a cidade maia fica no Parque Nacional de Palenque, portanto cercada por uma floresta. Ela foi abandonada no século IX e só encontrada séculos depois com as suas edificações invadidas pela mata. Em alguns lugares arvores rompem as pedras tornando uma coisa só. O aspecto selvagem, mais a surpresa de encontrar grandes e conservadas construções deixa Palenque mais impressionante.

Cidade maia de Palenque

Palenque passou de pequena vila de agricultores a poderosa cidade com importantes construções, entre elas túmulos, grandes templos e palácios. Entre os governantes se destacou o rei Pakal, mas é possível que Palenque também tenha sido governada por uma mulher, um fato raro. Essa suspeita se dá por ter sido encontrado o esqueleto de uma mulher nobre ligada a Pakal coberto por minério vermelho chamada pelo arqueólogos de Rainha Vermelha.

Em Palenque ainda é permitido subir e andar pelas ruinas. Se isso por um lado não ajuda na conservação, por outro lado deixa a visita mais instigante como se ao andar por seus corredores eu estivesse indo ao encontro dos mistérios maias. Há muitas ruinas a mostra, mas a maioria está escondida pela mata. Em muitos lugares predomina a vegetação e é possível ouvir sons e ver pegadas de pequenos moradores. Palenque é um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Cidade maia de Palenque

Cidade maia de Palenque

Cidade maia de Palenque



Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. Pode entrar só até às 16:30h. No interior têm placas com informações e na entrada têm Guias de Turismo que oferecem os seus serviços.
Visitei durante a semana e havia muitos visitantes, mas não uma multidão como em Chichén Itzá. Foi possível visitar tranquilamente. Aos domingos a visita é gratuita para moradores, então aumenta o público.

Cheguei à portaria por volta das 8:30h e sai próximo ao meio dia. Durante esse período só fiquei na parte das ruínas. Li relatos de quem visitou em um pouco mais de uma hora, eu teria ficado mais tempo se tivesse. Vai depender do seu interesse. No estacionamento tem um museu (aberto de terça a domingo) com com acervo de peças do sítio arqueológico e a réplica do túmulo do rei Pakal, mas não deu tempo de visitar.

>> Vá com calçado confortável e o terreno têm desníveis.
>> Não esqueça o protetor solar, água e chapéu. A mata ameniza um pouco o calor.

Valor: 36 pesos para entrar no Parque Nacional de Palenque + 75 pesos para visitar o sítio arqueológico e (abril/19).


Cidade maia de Palenque

Cidade maia de Palenque



Como visitar as ruínas de Palenque

>> Se estiver hospedado em Santo Domingo de Palenque, distante 8km das ruínas, você têm a opção de ir de van ou taxi.
>> Se for visitar outros atrativos na região, você pode fazer um pacote com as agências locais.

Como eu fui

Eu só tinha um dia em Palenque.  Cheguei às 6h vindo de Mérida numa viagem noturna de ônibus e no fim do dia teria que encarar outra viagem noturna para San Cristóbal de las Casas. Eu não sabia exatamente como fazer.. a ideia era conhecer as ruínas e o que mais fosse possível até dar a hora de seguir viagem. 

Cidade maia de Palenque

Tinha lido sobre vans que saíam de madrugada da cidade de San Cristóbal de las Casas para a visita em Palenque retornando à noite, mas não tinha informações do trajeto contrário.

Quando cheguei ao terminal de autobus da ADO perdido sem saber que rumo tomar, vi propagandas de uma agência dali de dentro com passeios para os atrativos da região. Fiquei surpreso em ver várias opções, só lembrava das ruínas, e acho que eu ia gostar de conhecer alguns daqueles lugares.

Cidade maia de Palenque

Logo se aproximou um rapaz para falar sobre os passeios. Eles eram vendidos e saíam dali mesmo da rodoviária, era tudo que eu precisava. E o melhor, tinha passeio com a opção de seguir viagem de van para São Cristóbal de las Casas por um valor menor ainda que a passagem de ônibus e eu ainda chegaria lá naquela noite. Se eu fosse de ônibus só chegaria no dia seguinte porque ele faz um trajeto diferente do roteiro do tour.

Fora da rodoviária outras agências vendiam os mesmos passeios com valores parecidos. Fechei com a agência da rodoviária o passeio para visitar as ruínas de Palenque, cachoeira de Misol-há e as cascatas de Água Azul e me levar até San Cristóbal de las Casas. Em abril/19 paguei 350 pesos pelo serviço sem os ingressos, mas se preferir já pode incluir na hora.

Cidade maia de Palenque


Como é o tour Palenque com Misol-há e Água Azul + San Cristóbal de las Casas

Saí às 8h da rodoviária na van com o motorista. Em um hotel no caminho entrou uma família. O que vi da cidade de Palenque foi durante esse trajeto. Li que é uma cidade pequena e não muito interessante, mas vi que têm boas opções de hospedagem e uma grande área de floresta, deve ter bons passeios.

A primeira parada foi na entrada do Parque Nacional para pagar a taxa de 36 pesos, depois foi já na entrada do sítio arqueológico (75 pesos). Chegamos às 8:30h e tivemos até às 12h para visitar. O motorista era prestativo, educado, mas não passou nenhuma informação no trajeto e nem sobre o atrativo. Só ai que percebi que não tinha o serviço de um guia de turismo. Por ser um Tour pensei que tivesse e não perguntei na hora de comprar. Mas mesmo assim vale pelo custo beneficio.

Cachoeira Misol - há, Palenque
Cachoeira Misol-há.

Dali seguimos por uns 40 minutos até Misol-há que já fica no município de Salto de Agua. Apesar da hora não foi ali o nosso almoço. Tivemos só um pouco mais de meia hora para curtir a principal atração do lugar, uma cachoeira com 30 metros de queda e que forma uma lago convidativo para um mergulho, o que não seria nada mal naquele calor de abril. Eu não sabia que podia e não troquei de roupa, aproveitei o tempo fazendo um caminho que passa por trás da cachoeira.

Mas no local tem muito mais. Na verdade é um centro turístico com hospedagem, restaurante e passeios administrado por uma cooperativa de moradores locais. O lugar é bonito e valeu a parada, fica melhor ainda se tiver mais tempo. Valor do ingresso 30 pesos.

Cachoeira Misol - há, Palenque
Cachoeira Misol-há

Voltamos para a van e viajamos mais de uma hora para chegar a Água Azul, um lugar mais bonito ainda devido a cor da água que dá nome ao lugar. Ali tivemos quase 2 horas, mas eu também estava azul de fome e fui logo comer. Tem várias opções (bem) simples de restaurantes, os melhores ficam no início. O cardápio é parecido e os preços vão melhorando à media que você vai andando.

Água Azul - Palenque
Cachoeira Água Azul.

Acabei dedicando muito tempo a arte de comer e beber, e quando resolvi conhecer o lugar vi que era grande e aproveitei pouco tempo. Então não faça o que fiz, coma logo ou leve algum lanche e explore a Cachoeira Água Azul.

Logo na chegada tem as barracas com venda de comida e artesanato, e é onde concentra o maior público. Havia muita gente com as excursões. Tem também uns mirantes, passe por ali e siga em frente pois mais adiante tem menos muvuca e você pode aproveitar melhor o lugar e até se molhar nas águas azuis. Ali eu fui experto, logo na chegada peguei outra roupa na bagagem que estava na van e aproveitei.

Água Azul - Palenque
Cachoeira Água Azul.

Não espere cachoeira muito altas pois na verdade é um rio encachoeirado com pequenas quedas e a beleza é, principalmente, pela cor da água devido aos sais de carbono dissolvidos. Mas não é toda época do ano que a água tem essa cor. Valor do ingresso 50 pesos.

Ali acabou o tour, e o próximo destino era a cidade de San Cristóbal de las Casas. Gostei do roteiro, fui às ruínas de Palenque que era o meu objetivo e ainda conheci dois lugares bonitos.

Água Azul - Palenque
Cachoeira Água Azul.


Como é a viagem para San Cristóbal de las Casas

Na hora de seguir viagem, as vans que estão voltando para Palenque se encontram com as que estão indo para San Cristóbal. Os motoristas veem quantos lugares têm e vão encaixando as pessoas, esse foi o meu caso. Tive que esperar um tempo sendo um dos últimos.

Quem sai de San Cristóbal e fica em Palenque não passa por isso pois como a última visita deles é nas ruinas próximas do centro, eles já ficam na rodoviária.

Segui em uma van boa, mas não posso dizer que foi uma viagem confortável sem poder me esticar e numa estrada com tantos quebra - molas. Pelo menos fui na frente sozinho com o motorista e observando o cotidiano do interior do México, isso ajudou passar o tempo. Teve uma parada para banheiro e lanche e quando chegamos a San Cristóbal já passava das 22h.

Fico imaginando como é para quem faz o bate e volta de San Cristóbal. Sai de madrugada, faz o trajeto duas vezes e chega tarde da noite. Além disso a ordem dos atrativos é contrária, visitando as ruínas de Palenque por último com um tempo menor. Que pra mim é o objetivo da viagem.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

O México têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, na capital, litoral e interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itzá, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Cabeça da serpente no templo de Kukulkan

Chichén Itzá, assim como Ek Balam que visitei um dia antes, está no estado de Yucatán. Foi uma das grandes e importantes cidades construída pela civilização maia se tornando o centro de um vasto território. Teve uma população numerosa e diversificada, e isso ficou registrado na arquitetura e detalhes das construções. É um Patrimônio Mundial da UNESCO, e em 2007 foi escolhida como uma das Novas 7 Maravilhas do Mundo, o que a deixou mais conhecida e fez aumentar o número de visitantes.

A cidade maia mais famosa foi a quinta que eu conheci em minha viagem pelo México. Normalmente fico com o pé atrás quando um lugar é muito famoso, muito divulgado. Então cuido para não criar uma grande expectativa para ao chegar não achar que é tudo aquilo. Em Chichén Itzá funcionou, ela me surpreendeu.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Você entra, anda alguns passos e no meio da praça dá de cara com o El Castillo, um imponente templo em forma de pirâmide com 30m de altura, e que apesar de ser menor que a Pirâmide do Sol em Teotihuacán, ela me impressionou mais. Talvez por estar só em um espaço aberto e assim se destacar, não sei. Só sei que ela é o cartão postal de Chichén Itzá, e todos querem tirar foto dela ou com ela. O difícil é conseguir uma foto sem uma multidão ao seu redor.

O El Castillo foi construído para Kukulkan, um dos governantes de Chichén Itzá que depois de sua morte virou uma divindade. Ele seria o que o deus asteca Quetzalcoatl foi para Teotihuacan: a serpente emplumada. Na base da escada de um dos lados da pirâmide tem a cabeça da serpente, como em outras edificações, mas é nela que em março e setembro quando marca o início da primavera e outono que é projetada a sombra da serpente descendo do templo para fertilizar a terra.

Há quem diga que o templo foi construído propositalmente para que isso aconteça, mas há quem acredita que não passa de uma coincidência. Seja como for, nesses períodos Chichén Itzá atrai grande público para ver o acontecimento.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
As mil colunas representando os guerreiros e sacerdotes

Mas não pense que se viu o El Castillo viu tudo em Chichén Itza. Têm outras construções bem interessantes e ao contrário de Teotihuacán que ao entrar você consegue ter uma visão geral da antiga cidade, em Chichen Itza não é assim. Ela é espalhada entre arvores e vendedores (muitos) e é preciso ir desviando deles para desvendar a cidade.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Templo dos Guerreiros

Não tem necessariamente que seguir um roteiro, mas há sugestão de um nos mapas do parque. Eu fiz o meu indo para o que chamava a minha atenção. Depois do El Castillo segui para um conjunto de Colunas que os mil soldados do Templo dos Guerreiros, e dali segui sempre à direita passando entre outras construções pela La Iglesia, Observatório e El Osario.

Observatório

De volta ao El Castillo, já estava bem incomodado com o calor, mas segui para o outro lado e passei pelo imenso (o maior existente) campo de Jogo de Pelotas, o esporte praticado pelos maias e que muitos acreditam que também tinha caráter religioso e os derrotados pagavam com a vida. Continuei em uma espécie de rua cercada por vendedores e cheguei ao cenote sagrado usado em sacrifícios aos deus da chuva. Um cenote bonito, mas que não é permitido entrar. Era comum construir as cidades próximas a cenotes, e em Chichén Itzá existem dois.


Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Chichén Itza não é a cidade pré-colombiana mais visitada, mas não se iluda pois você irá encontrar uma multidão. Todos os dias o lugar recebe várias excursões de cidades como Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida. Eu cheguei às 09h imaginando que fosse encontrar o lugar vazio, mas não estava e com as horas o público só aumentava. Quando saí ao meio dia, parecia que eu nadava contra a corrente, uma multidão estava entrando. Naquela hora o que eu mais queria era sair dali pois além da multidão, o calor estava insuportável. É loucura visitar Chichén Itza ao meio dia.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
La Iglesia

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Anexo de las Monjas

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada Guias de Turismo que oferecem os seus serviços. Se puder contrate um, vale a pena. Ou pelo menos tenha um guia turístico para aproveitar melhor a visita.

>> Visitei em 03h só as ruinas sem ir ao museu que fica na portaria. Não foi a que eu mais demorei, mas isso devido ao fato de não poder subir em nenhuma ruina (ou seja, foram 03h só andando, observando e tirando fotos) e pelo calor e multidão que incomodaram muito.
>> É grande e anda muito, vá com calçado confortável.
>> Vá preparado para o calor, não esqueça o protetor solar, água e chapéu.
>> Têm muuuuitos vendedores no local.
>> Na portaria têm lanchonetes e próximo têm restaurantes. Dentro não tem.

Valor: 75 pesos cobrado pelo Governo Federal, mas o Governo do Estado de Yucatán cobra também um valor de 406 pesos, totalizando 481 pesos (abril/19).
“ Todas as noites acontece também o espetáculo de som e luzes onde o El Castillo é iluminado e a história de Chichén Itza é contada. Tem um custo extra. Eu não assisti.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Como chegar

>> Todos os dias saem excursões de um dia das principais cidades turísticas da região (Cancun, Playa del Carmen, Tulum e Mérida) para visitar Chichen Itza e outros atrativos. Pelos relatos que li esta opção não vale muito a pena pois passa mais tempo viajando do que na Zona Arqueológica. Também tem ônibus da empresa ADO saindo dessas cidades.

>> Existem hotéis no povoado próximo a Zona Arqueológica, inclusive tem um resort dentro dela.

>> Eu não fui de excursão e nem fiquei no resort. Optei em ficar na cidade de Valladolid a 50 minutos de ônibus e fui por conta própria pagando 37 pesos a passagem. Têm vários horários saindo do terminal de autobus da ADO. Além de ônibus têm vans que saem da mesma rua do terminal. A princípio eu ia de van, mas um morador sugeriu que eu fosse de ônibus e foi melhor assim, pois a van precisa ter um número de pessoas para sair e como eu estava com bagagem o ônibus foi mais confortável.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
A cabeça da serpente está por todos os cantos

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
Campo do jogo de pelotas. O maior do mundo maia.

Valladolid – Chichén Itza – Mérida:

A Zona Arqueológica fica entre as duas cidades e eu programei a minha visita no dia que fui de uma para a outra. Usei transporte público (ônibus) e foi tranquilo. O desembarque e embarque acontece em frente a portaria principal.

>> De Valladolid a Chichén Itza a viagem demorou 50 minutos. Já para Mérida demorou aproximadamente 2h30min pois o ônibus era da empresa Oriente que é chamado de segunda classe usado mais pelos moradores e para em tudo que é lugar. Têm ônibus melhores da empresa ADO que vão direto, mas os horários são poucos e ruins. Confira o post sobre como viajar de ônibus pelo México.

>> Também dá para fazer o caminho inverso. Inclusive para as cidade de Tulum, Playa del Carmen e Cancun pela empresa ADO.

E a bagagem? Na portaria de Chichén Itza tem guarda Volumes. Eu estava com uma pequena mala de rodinhas, dessas que entra como bagagem de mão no avião e teria que pagar 100 pesos. Do ônibus até a bilheteria foi preciso passar por um mercado de artesanato, foi aí que um senhor de uma das tendas ofereceu para guardar a minha bagagem pela metade do valor cobrado. Aceitei, fiquei um pouco apreensivo, mas deu tudo certo.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias
O cenote sagrado. Fica dentro da zona arqueológica e era usado para sacrifício

Chichén Itza combina com

Na região existem cenotes (confira o post sobre 10 cenotes que conheci no México) que podem ser visitados facilmente se você estiver de carro. Próximo às ruinas está o cenote Ik Kil que dá para ir de carro ou de taxi. Ele estava na minha lista, mas não fui conhecer pois não queria chegar tarde a Mérida e também porque é o cenote que os grupos das excursões visitam e ele fica muito cheio.

Outra opção próxima é a cidade colonial de Valladolid.

Chichén Itzá, a mais famosa das ruínas maias

Ek Balam, ruinas de um reino maia

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Arco de entrada

Quando fui a Machu Picchu um colega da escola onde eu trabalhava disse não entender eu “pagar para viajar para ver pedras”. Imagino o que ele diria agora se soubesse que um dos principais motivos para eu viajar até o México foi poder conhecer ruinas de cidades pré-hispânicas.

>> Confira o meu roteiro de viagem.
>> Leia todos posts sobre o México.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

O país têm inúmeras zonas arqueológicas que preservam ruínas de cidades que existiam bem antes da chegada dos colonizadores espanhóis. Habitadas por diferentes povos como os astecas e maias, foram importantes e dominaram territórios através da cultura, religião, comércio e ciências. De épocas diferentes, até mesmo de muitos anos antes da era cristã, elas viveram o apogeu e deixaram de existir também em períodos diferentes com o domínio dos conquistadores.

E se eu não tivesse conhecido algumas delas, a minha viagem ao México não seria completa. Consegui visitar 8 delas em diferentes regiões, da capital ao litoral passando pelo interior. As primeiras ruinas foram do Templo Mayor na Cidade do México, depois Teotihuacan, Tulum, Ek Balam, Chichén Itza, Palenque, Mont Albam e Mitra. Entre elas muita semelhança na construção e na história, mas também detalhes e curiosidades específicas.

Ek Balam, ruínas de um reino maia

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Vista parcial da cidade a partir do Palácio Oval

Este sítio arqueológico estava na minha lista, mas sinceramente não imaginava que fosse conseguir conhecer pois não tinha informações de como chegar lá sem carro.

Depois de Tulum, no litoral, segui viagem para Valladolid, uma cidade no interior do estado de Yucatán. Andando por suas ruas fui abordado, numa esquina, por um taxista oferendo viagem em um taxi coletivo justamente para Ek Balam. Ele tinha 2 moradores para levar e precisava de pelo menos mais uma pessoa para fazer a corrida. Não pensei duas vezes, paguei 50 pesos e lá fui eu.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

Com um pouco mais de meia hora de viagem, passando por alguns povoados, o taxi me deixou na entrada do sítio. Até as ruínas é preciso caminhar uns 400m. Era ainda cedo, e no caminho passei por meia dúzia de gringos que já estavam de saída, até então eram os únicos visitantes e por um tempo tive a cidade só pra mim. O lugar estava silencioso.

Com o tempo chegou mais gente, mas continuou tranquilo. Não faz muito tempo que Ek Balam foi aberta a visitação, com isso não é uma das cidades mais visitadas.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya


Já na caminhada achei Ek Balam diferente das outras. Ela está envolvida pela natureza, é mais silenciosa. Havia um certo suspense, o sol não estava forte e apesar de ser carcada por mata, muitas arvores estavam secas e a cor de barro predominava criando uma paisagem árida, talvez feia para muitos, mas eu achei interessante, bonita.

Ek Balam é uma das últimas cidades descoberta, relativamente com pouco tempo de pesquisa. Mas já se sabe, ou pelo menos acredita, que sua construção é de antes da era cristã e que foi capital do reino de Talol. Portanto foi uma cidade importante, mas a maior parte dela ainda não foi escavada e está escondida pela mata.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya

A parte que é vista da cidade provavelmente era onde morava a elite, e a exemplo de Tulum também era murada por uma questão de segurança. O acesso principal a esse núcleo se dá por um arco maia que até então eu não tinha visto.

É nesse espaço que estão concentradas as ruínas principais. É dividido em duas praças, a entrada se dá pela praça sul onde se destaca o Palácio Oval que não é tão alto, mas do alto do seu topo se tem uma boa vista da cidade.  Ao lado da praça está o campo de jogo de bola, um dos jogos mais antigos e que era muito praticado pelos maias.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Campo do jogo de bola

A praça seguinte é a norte e nela está a Acrópolis que é o edifício mais importante e mais alto com 32 metros. Do alto do seu topo tem uma visão mais ampla da cidade e a floresta ao seu redor.

Ao contrário de outras pirâmides que conheci e subi, na Acrópolis a atração não é só subir até o topo não. Ela têm patamares que servem de paradas, no meu caso, não só para descansar e tomar fôlego, mas também para ver o que há neles.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
A Acrópolis

Acrópolis foi um palácio real e esses patamares têm suas fachadas com muitos detalhes decorativos em alto relevo. A arte e arquitetura eram valorizadas em Ek Balam se destacando de outras cidades. Os trabalhos estão sendo restaurados e preservados (por isso as coberturas de palha), e o melhor exemplo dessa arte está na tumba de um dos principais governantes que é ricamente ornamentada externamente, e no seu interior estão milhares de presentes depositados na ocasião de sua morte, mas infelizmente não é possível entrar.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Detalhe da facha da tumba de um dos governantes da cidade

Como chegar

Está localizada no município de Temozon, mas das cidades mais conhecidas, Valladolid é a mais próxima. Visitei a partir dela e fui de taxi coletivo pagando 50 pesos o trecho. Não tem transporte público pra lá, e pelo que percebi é mais fácil conseguir outras pessoas para o taxi na parte da manhã, vá cedo.

Visitas: de segunda a domingo, das 8 às 17h. No interior têm placas com informações e na entrada Guias de Turismo oferecem os seus serviços.
>> A área visitada é pequena fazendo com que o deslocamento seja curto e a visita rápida. Demorei aproximadamente 1h30min visitando com calma e subindo nas ruinas. Lá ainda é permitido.
>> O espaço é todo aberto e em um dia de sol forte o calor vai incomodar muito, leve um boné ou chapéu. Na entrada têm muita gente vendendo e não são caros.
>> Não esqueça do protetor solar e água.
>> Na entrada há comércio de artesanato, comida e bebida.
Valor: 75 pesos cobrado pelo Governo Federal, mas o Governo do Estado de Yucatán cobra também um valor de 338 pesos, totalizando 413 pesos (abril/19).

Ek Balam, ruinas de um reino Maya
Vista do alto da Acrópolis

As ruínas de Ek Balam combinam com

A visita no local não é demorada e dá para aproveitar o dia para conhecer outras atrações na região. Se estiver de carro e quiser continuar nas zonas arqueológicas dá para visitar também Chichén Itza no caminho para Mérida. Eu preferi visitar alguns cenotes.

Conheci o cenote XCanché. que fica bem ao lado das ruínas, e como eu não estava de carro fechei um pacote com um taxista que estava no estacionamento para me levar aos cenotes Palomita e Água Dulce e no fim da tarde retornar para Valladolid. Aproveitei melhor o tempo e saiu mais em conta do que se eu voltasse a Valladolid para de lá ir aos cenotes.

Ek Balam, ruinas de um reino Maya