Puno e as ilhas do Titicaca

Ilha de Uros

Puno é a cidade peruana procurada por quem quer conhecer o Lago Titicaca. Existem atrativos históricos e arqueológicos na cidade e próximo a ela, mas a atração principal é o lago navegável por grandes embarcações mais alto do mundo com 3800 m de altitude e mais de 8.000 km².
 
  
Com toda esta altura é comum sentir o mal de altitude, mas como eu estava vindo do Valle del Colca, fiquei bem. A cidade tem um aspecto bem esquisito com a maioria das construções sem reboco, mas como uma tradicional cidade peruana ela tem uma Plaza de Armas bonita com importantes monumentos históricos com destaque para a Catedral, vale uma visita. O entorno da praça é bem movimentado e a rua Lima concentra bares e restaurantes.
  
  
Catedral de Puno   Catedral de Puno
   
O Titicaca por si só já é uma atração e tanto, navegar por ele é muito bom, mas tem as inúmeras ilhas que são habitadas por povos tradicionais. A partir de Puno saem excursões para as ilhas para conhecer a história, costumes ou simplesmente ter uma das mais belas vistas do lago. Em muitas delas é desenvolvido o turismo vivencial com pernoite em casas de moradores, tudo isto podendo ser reservado pela internet. Cheguei a pensar nesta possibilidade, mas acabei optando pelo turismo tradicional e fiz como a maioria o passeio de um dia conhecendo duas ilhas: Uros e Taquile.
 
  
Os passeios podem ser adquiridos no porto e até mesmo chegar às ilhas em embarcações de transporte regular dos moradores. Eu cheguei à noite e providenciei tudo no hotel preferindo o comodismo de fazer com uma agência de turismo. Paguei 60 soles com transfer até o porto, guia, almoço e todas as taxas inclusas e achei que valeu a pena.
    Ilha de UrosIlha de Uros
   

Ilhas flutuantes de Uros

São ilhas artificiais construídas com o talo da Totora, uma planta aquática que pode chegar a 04 metros de altura. É feita com várias camadas de totora chegando a 1,5 de espessura e de tempo em tempo é necessário uma manutenção trocando os talos para evitar infiltração. O chão é fofo, mas é firme.  As ilhas são habitadas pelo povo Uros, nativos que devido a perseguições passaram a viver nas ilhas flutuando pelo lago distante da margem. Hoje elas ficam ancoradas mais próximas da terra.
 
  
Elas não ficam muito distante do porto e não demora muito para poder visualizar o colorido das roupas dos seus moradores. São várias e pequenas ilhas uma próxima da outra e quando as embarcações se aproximam, as mulheres vão para a borda e começaram acenar e chamar. Se antes viviam só com a pesca e caça e não queriam aproximação das pessoas, hoje fazem questão da presença dos turistas e do dinheiro que eles levam.
  
Ilha de UrosMoradores de Uros esperando os turistas   
   
Ao chegar a ilha escolhida  já fomos ‘estimulados’ a fazer o passeio opcional (10 soles) numa embarcação também de totora. Retornando a ilha o grupo foi reunido num semicírculo onde o presidente da ilha contou a história deles, mostrou como vivem e respondeu perguntas. Depois fomos conhecer as casas, eu fui escolhido pelo presidente para ir ver a dele, simples e pequena como todas, feitas de esteiras. Depois foi hora do artesanato. Tudo é feito com sorrisos e simpatia, mas seguindo um roteiro que deve ser repetido toda vez que chega um grupo de turistas, mas não tem como ser diferente pois são vários grupos todos os dia e provavelmente maiores que o número de habitantes da ilha. Mas uma moradora chamou atenção pela sua espontaneidade, era uma pequena menininha que brincava e corria pela ilha e embarcações.
  
  
Ilha de Uros  A menininha que foi a atração da visita
   
Depois passamos ainda por uma outra ilha onde parece ser a sede de todas. Nessa já tem uma estrutura melhor para receber o turista, porem mais descaracterizada. Há lanchonete com refrigerantes e quartos digamos mais confortáveis que as casas dos moradores para quem preferir pernoitar. Não falta artesanato e é possível carimbar o passaporte por 1 Novo sol. 

Em muitos relatos li que Uros não valia a pena pois não passava de um grande teatro e tal. Isto é culpa do fluxo turístico e não dos locais e acontece em vários outros lugares turísticos. Eu fui ao teatro, com bons personagens, atores nem tanto, mas gostei da peça. As ilhas Uros são diferentes de tudo.
 
  
Ilha de Uros

Ilha de UrosConhecendo a casa do presidente da ilha

Ilha de Uros   
   

Ilha Taquile

Ao contrário da ilha de Uros, Taquile é uma ilha natural. Ela é bem maior, é menos colorida e mesmo com a presença cada vez maior de turistas, os moradores agem de forma natural e não param as suas atividade diárias. Já na chegada se sente uma tranquilidade e um clima gostoso. O lugar é bonito e mais bonito ainda é o visual que se tem dali.
  
Ilha de Taquile
   
A ilha é como se fosse um território independente e a comunidade é que decide e cuida de tudo, inclusive do turismo que ganha cada vez mais espaço na economia local. O visitante, depois que paga a taxa de turismo, circula conhecendo um pouco da ilha e almoça na casa de uma das famílias antes de ir embora. Mas se preferir tem também a opção de pernoitar em uma das residências vivenciando o dia a dia dos moradores e podendo comtemplar por mais tempo o grande lago.

No tour sem pernoite (foi o meu caso) assim que o grupo chega ao porto já começa a caminhada até a praça principal e para chegar lá é preciso encarar uma subida nada fácil devido a inclinação e a altitude. Nessas horas de subir eu fico sempre no grupo dos últimos e vou bem devagar e fazendo varias paradas. Em cada parada aproveitava para observar ao redor e a paisagem ficava cada vez mais bonita. No caminho passei por alguns moradores, mas eles são bem reservados e não trocavam olhares.
 
  
Ilha de Taquile

Fui um dos últimos a chegar no alto da praça e não teria tempo nem de descansar e teria que ir logo atrás do grupo, mas o nosso tour não foi nada corrido e tive tempo de ficar ali e aproveitar o visual e observar a movimentação dos poucos moradores que circulavam sempre discretos. Havia umas meninas envergonhadas que só quebraram o gelo quando viram as fotos delas no celular de uma senhora do grupo. Da praça seguimos pelas ruas estreitas até a casa onde foi servido o almoço. E mais uma vez fomos presenteados com uma bela vista do Titicaca.

A vida na ilha ficou praticamente inalterada e os moradores guardam as suas tradições e costumes. Após o almoço os moradores da casa com ajuda do guia nos mostraram sobre a cultura local que ainda é muito viva e que pode ser observada nas roupas usadas por eles, onde as cores e modelos separam os sexos, idades e estado civil. Os trabalhos manuais fazem parte da tradição artesanal, não é por acaso que a arte têxtil local é um patrimônio imaterial da humanidade. Em Taquile o tricô é feito pelos homens e as mulheres fazem os fios.
 
  
Ilha de Taquile
Ilha de Taquile
  
  
Ilha de Taquile
Ilha de Taquile
Em Taquile quem faz tricô é o homem
   
    
Ilha de Taquile
Ilha de Taquile

Depois de uma tarde prazerosa seguimos caminhando (desta vez era só descida) em direção ao porto. Era hora de ir embora, mas eu ficaria mais tempo em Taquile numa boa.  
  
A permanência em Taquile foi de aproximadamente 03 horas. O tempo de navegação varia dependendo do tipo de embarcação. Há passeios para outras ilhas do Lago Titicaca.

  

ONDE FICAR EM PUNO

Fiquei hospedado no Home Center Puno Hostel, um hotel com uma localização excelente próximo a Plaza de Armas. Paguei um tarifa muito boa em uma apartamento single equipado com café da manhã e transfer inclusos. A recepção providencia todos os passeios e passagem, inclusive para ir do Valle del Colca para Puno com preço melhor que a transportadora. Nessa parte eu vacilei, não comprei com eles. O tratamento do pessoal é muito bom, o que não é muito legal é o fato de não ter elevador e o café da manhã ser no quinto andar.
 
  

COMO CHEGAR A PUNO

A cidade tem rodoviária com ônibus para as principais cidades do Peru. Sendo fácil ir ou chegar de Lima, Arequipa, Ica e Cusco.
Em Juliaca, cidade vizinha, tem aeroporto e para Cusco também há trem com passagens bem caras pois o trem e turístico.

  

SEGURO VIAGEM

Não é obrigatório, mas é recomendável ter um seguro. Eu viajei com o MONDIAL ASSISTENCE, que você pode adquirir aqui no blog.   

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