Machu Picchu e os meus perrengues na viagem

Machu Piccu

Quem aproveitou esta temporada para viajar ao Peru e conhecer Machu Picchu está passando por dificuldades. Devido a greve dos professores, manifestantes estão interditando estradas e deixando os turistas sem serviços. Lendo as notícias e relatos lembrei da situação que passei ano passado em setembro devido também a uma greve. Na época pensei que fosse um caso isolado, mas parece ser comum na região.

Há muito tempo queria conhecer Machu Picchu, o lugar mágico que só via por fotografias. Ano passado foi possível, planejei a viagem e tomei todas as providências para não ter problemas. Mas uma semana antes da minha viagem recebi um e-mail da empresa de trem que me levaria de Ollantaytambo a Águas Calientes informando que no dia escolhido por mim para fazer o trajeto, estava programado uma greve com manifestações na estrada entre Cusco e Ollantaytambo, impedindo a passagem, mas que a saída do trem da estação de Ollantaytambo estava garantida. Mesmo assim eu poderia trocar a minha passagem para outro dia. Como o meu embarque seria em Ollantaytambo, não me preocupei pois entendi que seria interditada a ferrovia.

Só em Cusco que a ficha caiu. As rodovias seriam interditadas e assim não teria como chegar a Ollanta, nem passeios para a região aconteceriam naquele dia. Como programei a ida a Machu Picchu para o último dia, corri o risco de não encontrar passagens nem ingresso para os dias anteriores. Já imaginou a frustação de fazer uma viagem tão esperada e não conseguir ir a atração principal?  Não me desesperei, mas tive que correr contra o tempo. Fui no escritório da empresa de trem e havia poucas opções favoráveis e fui aconselhado antes de trocar a passagem ver no escritório de venda dos ingressos se ainda havia disponibilidade, já que é limitado o número de visitantes. Ainda tinha, mas para trocar precisava apresentar a passagem de trem. Ou seja, um dependia do outro, tinha fila nos dois escritórios e havia muita gente fazendo a mesma coisa que eu. Fiquei a manhã do primeiro dia por conta disso.
       Machu Piccu
   
As passagens não consegui para os mesmos horários e acabei viajando mais tarde para Águas Calientes, mas tudo bem, chegaria tarde, mas teria uma pessoa me esperando na estação para me acompanhar até o Hostel onde teria um quarto só pra mim, onde descansaria e no dia seguinte finalmente iria conhecer um lugar tão esperando. Mas não foi bem assim. A viagem atrasou, não havia ninguém me esperando como combinado na reserva, cheguei ao Hostel e não havia ninguém na recepção. Entrei, chamei, toquei companhia, bati palma, gritei e não apareceu ninguém.

Seguindo indicações fui procurar outro hotel com o mesmo nome, mas não encontrei. Era madrugada e a esta altura a rua já estava deserta e receoso resolvi pedir informações aos policiais. O policial prontamente me ajudou, não só mostrou onde era como me acompanhou até lá e quando viu que estava fechado telefonou para o número que estava na porta e fez a senhora descer para me atender.

Fiz a reserva pelo site do Booking e recebi confirmação, mas a senhora do hotel falou que não havia reserva alguma. E eu estava ali na rua, na madrugada entre um policial e a provável dona do hotel que queria ver a confirmação da reserva e eu não tinha ela impressa e o celular estava descarregado. Até que tanto insistir, e devido a presença do policial, ela me hospedou num hotel próximo pois no dela não havia vaga, mas me acompanhou até o quarto onde liguei o celular para ela ver a confirmação. Com isso fui dormir depois das 2 horas e o plano de subir bem cedo a Macchu Picchu para ver o nascer do sol foi por água a baixo. Frustação.
  
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Passei o dia em Machu Picchu e desci um pouco antes de fechar para tomar um banho e seguir viagem para Ollantaytambo. Devido o ocorrido na noite anterior, a senhora do hotel da reserva permitiu que eu tomasse um banho no fim do dia. Estava cansado, fazia calor e realmente precisava de banho e roupas limpas, mas quando liguei o chuveiro não caiu uma gota d’água. Tive que me vestir sem banho. O hotel estava sem água e a recepcionista não sabia. Fiquei muito puto! Parei no primeiro restaurante, tomei umas Cusquenhas pra dar uma relaxada e embarquei no trem retornando a Ollantaytambo. Definitivamente não tive uma experiência legal em Águas Calientes, mas o perrengue não havia terminado.

Quando cheguei a Ollanta veio a confirmação de que a grave continuava e as estradas estavam interditadas. Dormir em Ollanta não era uma má ideia, mas não sabia como seria o dia seguinte e talvez só fosse adiar o problema. Então entrei na primeira van que passou com o motorista gritando ‘Cusco’. Estava lotada, turistas e moradores locais dividiam o espaço. Fui sentado numa cadeira pequena com as pernas sobre as malas de alguém. Todos os veículos fizeram um caminho alternativo para sair dos bloqueios, em vários momentos tivemos que descer para a van conseguir passar e depois retornávamos, fazia frio. Em outros momentos ficamos esperando dentro da van a liberação, as pernas ficavam dormentes. A viagem que normalmente demora 2 horas teve o dobro do tempo. Já era madrugada quando chegamos a Cusco e finalmente pude tomar um banho e cansado fui dormir, mas satisfeito por ter conhecido Machu Picchu.

“Viajei em setembro de 2016, veja o meu roteiro.

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