Roma, as praças e o Panteão

Roma
Fontana della Barcaccia e os romanos aproveitando o sol.
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Meu último dia em Roma foi um domingo (último dia também da viagem à Europa). Sai do hostel mais tarde naquele dia e sem muita pressa, queria andar mais tranquilo pela cidade e sem querer conhecer tudo que era importante ou histórico na capital Italiana. Coisa que só seria possível se eu morasse em Roma.

Então me programei para conhecer as praças e voltar ao Panteão, pois no dia anterior não foi possível conhecê-lo. Na estação Termini peguei o metro e fui conhecer a Praça de Espanha (Piazza di Spagna). Uma das praças mais famosas da cidade em uma região ocupada por prédios que abrigam restaurantes caros e lojas de grifes caras.

A praça recebeu esse nome por ocupar uma área que pertencia, no século XVII, à embaixada espanhola. No centro da praça tem, só pra variar um pouco, uma fonte e com o formato de um barco e por isso conhecida por Fontana Della Barcaccia. Ao lado da fonte tem uma ladeira bem íngreme com uma escadaria (Scalinata della Trinità dei Monti) que liga a praça a Igreja da Santissima Trinità dei Monti.

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  Igreja da Santissima Trinità dei Monti
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Particularmente não achei a Praça de Espanha tão interessante assim, então fiquei pouco ali e resolvi encarar logo a escadaria para visitar a igreja. Depois de 19 dias andando sem parar, qualquer degrau é um sacrifício. Imagina subir mais de 130 degraus e sob um sol forte.
 
A exemplo do dia anterior, fazia um calor insuportável em Roma e isso fez com que o Gelato (sorvete) fosse visto em todo lugar nas mãos das pessoas que lotavam a praça. Se pelas ruas de Roma sempre tem muita gente, imagina no domingo e com sol.  Roma estava diferente nesse dia, os lugares não estavam sendo frequentados só por turistas e camelôs, havia também muitos romanos. Os cafés e restaurantes ao redor da praça estavam bem movimentados. Da igreja segui para a Praça do Povo (Piazza del Popolo), passando por uma das principais avenidas que faz a ligação entre as duas praças, a Via Del Babuino.

Piazza del Popolo é uma praça grande que sofreu modificações com o tempo e hoje é utilizada como local de grandes eventos. Nesse dia acontecia a comemoração 159 anos da fundação da polícia. Com isso a praça estava com arquibancadas e toldos que atrapalhavam observar melhor o local. Ao seu redor tem igrejas importantes e uma das portas da Muralha Aureliana, a Porta del Popolo. Cercar as cidades era comum como forma de proteção.

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Porta del Popolo. Ao lado da porta fica a Igreja de Santa Maria del Popolo, contruída no lugar onde Nero morreu e foi sepultado

Também não demorei ali, refresquei em uma fonte, passei pela porta e embarquei num ônibus que não sabia ao certo o seu destino, indo parar em uma bairro distante. Mas fui assim mesmo e passei pelos Jardins da Villa Borghese, a primeira área verde que vi na cidade de Roma. 

De lá fui para mais uma praça, a Piazza della Rotonda. É lá que está o Panteão, o único edifício construído na época Greco-romana que, atualmente, se encontra em perfeito estado de conservação. Desde que foi construído que se manteve em uso: primeiro como templo dedicado a todos os deuses do panteão romano (daí o seu nome) e, desde o século VII, como templo cristão.

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Na fachada do Panteão foi colocada a inscrição que existia no antigo templo construído por Marco Agripina: M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIUM.FECIT. “Marco Agripa, filho de Lúcio, pela terceira vez cônsul”

Roma Observe a altura de uma das porta.

Estava acontecendo um casamento e o Panteão não estava aberto ao público, mais uma vez não pude entrar. Então fiquei pela praça e andando pelas ruas próximas. O calor estava demais, resolvi entrar num supermercado e comprar uma cerveja, na saída o calor tinha se transformado em chuva. Fiquei ali bebendo a cerveja embaixo da marquise e logo fiquei rodeado por vários italianinhos que fugiam da chuva. Eles ficaram brincando e até que eram simpáticos. Diferente do que eu tinha visto nos dias anteriores.

Com a chuva todos os camelôs (eles estão em todos pontos turísticos de Roma) que vendiam produtos legitimamente falsos como óculos Ray Ban, bolsas de grifes famosas e tudo que você possa imaginar, como num passe de mágica, passaram a vender guarda-chuva. Os turistas que circulavam pela cidade com um mapa, garrafa d’água e máquina fotográfica agora tinham mais um objeto para segurar.

O tempo melhorou um pouco e fui até a Praça Navonna. Pensei que devido a chuva ela estivesse mais vazia, me enganei. As pessoas ocupavam os café que rodeiam a praça, e os  artistas de rua e pintores continuavam lá.  Ela é grande e como toda praça da cidade tem suas fontes. Foi construída sobre as cinzas do Estádio de Domiciano,  fica em frente a Embaixada Brasileira que ocupa um palácio de 1650. É a praça mais bonita entre as que visitei.

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Depois de me perder pelas ruas dando volta no mesmo caminho, consegui chegar na praça do Panteão, e para a minha surpresa ele estava aberto. Já tinha perdido a esperança de conhecê-lo por dentro. Ele como o Coliseu e a Basílica São Pedro, é uma construção que chama a atenção pelo seu tamanho e imponência. Mas ele é mais bonito ainda por dentro.

O Panteão foi reconstruído pelo Imperador Adriano entre 118 e 125 d.C sobre as ruínas de um templo de 27 a.C, que ainda traz a inscrição. Foi consagrado como uma igreja cristã em 609 sendo dedicada a Santa Maria dos Mártires. O seu uso como igreja permitiu que ficasse conservado em tão bom estado. Ele abriga sepulturas de grandes personalidades, como o rei Vittorio Emanuele II e o artista renascentista Rafael Sanzio.  O seu interior é muito diferente do lado de fora.

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A chuva não dava trégua, então resolvi ir embora. No caminho até o ponto de ônibus já fui sentindo saudades de Roma. Cheguei ao hostel, arrumei as coisas e mais tarde sai para jantar ali perto mesmo e me despedir da cidade.

No dia seguinte logo depois do café fui para o aeroporto internacional de Roma, Leonardo da Vinci, também conhecido como Aeroporto Fiumicino. Para chegar lá eu poderia ir de trem ou ônibus, além de taxi que descartei logo.

O trem é operado pela Trenitália. A viagem, sem paradas, dura 30 minutos e custa € 14. Achei caro pois em Porto paguei € 2, e em Barcelona paguei € 3 .

Resolvi ir então de ônibus que sai de perto da estação Termini e custa € 8. A viagem demorou mais de um hora e cheguei ficar preocupado, mas deu tudo certo e à noite estava na casa da minha irmã Cristina em Salvador comendo feijão, muito feijão (senti muita falta e pedi para ela preparar pra mim). No dia seguinte voltei para Vitória.

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