Luta Livre, uma noite divertida na Cidade do México

Luta Livre no México

Assistir Luta Livre na Cidade do México fez eu recordar os meus tempos de criança em Barra do Riacho quando alguns circos que chegavam lá apresentavam como atração principal uma grande luta. Sempre acontecia no final e mesmo gostando dos palhaços, trapezistas e mágico, todo mundo queria que chegasse logo a hora da grande luta na qual a gente sofria com o bonzinho que apanhava, mas no final vencia o malvado para a alegria de todos.


Uma atração de circo do interior do Brasil, e que nem sei se ainda tem, é uma tradição no México. O país importou dos Estados Unidos a luta livre, adquiriu um estilo próprio e atrai um grande público. Na plateia têm turistas e população local. Famílias inteiras, inclusive crianças, comparecem. Algumas lutas são transmitidas pela televisão.

As lutas acontecem toda semana em casas específicas e em várias cidades. Na capital do país tem a Arena México e a Arena Coliseo que foi onde eu assisti, nela as lutas acontecem somente aos sábados, é uma casa mais antiga e menor permitindo que você fique mais próximo do ringue.

Luta Livre no México

Cheguei cedo e já havia uma movimentação na rua em frente a Arena Coliseo. Fui abordado por cambistas, havia ambulantes vendendo tacos e tudo mais que fosse possível preparar em um lugar improvisado. Ali já percebi o que representa a Lucha Libre.

Eu não fazia a menor ideia de quem ia lutar, não vejo lutas e fui pela atração que a Luta Livre se transformou no México. Na rua ganhei um panfleto (primeira foto) com a programação e vi que numa noite acontecem várias disputas. Teve luta individual, em dupla, em grupo, entre anões e a luta principal no final.


Como passei o dia na rua turistando e não consegui ir ao Hostal antes da luta, quase desisti. Mas só tinha aquela oportunidade, e ainda bem que entrei porque foi uma noite muito divertida. Pois a luta livre no México, além de esporte, é um show.

Comprei o ingresso na hora e ainda consegui lugar na terceira fileira. Mas a arena não é grande e a visão nas cadeiras de trás também parece ser boa. Além das cadeiras têm 2 balcões. Não demorou muito e o local foi ficando cheio. Tem música alta rolando, luzes e o tempo todo gente vendendo de tudo, comida, cerveja e até as máscaras usadas por alguns do lutadores. A arena é um caldeirão!

Luta Livre no México

Vai começar! E aí tem apresentador vestido de terno, tem a moça bonita e sensual que aparece segurando uma placa (que ninguém presta atenção, na placa) e as estrelas da noite: os lutadores.  À medida que eles vão aparecendo o público habitual tem uma reação, já os conhecem. Eu e outros gringos só observamos.

Os lutadores já viraram personagens com suas mascaras e trajes coloridos. Tem cada figura! A mascara sempre foi usada, mas hoje muitos já não usam mais. Por outro lado tem quem nunca tira para não revelar a sua identidade. São divididos em heróis e vilões e aí usam algo que identifiquem qual grupo pertencem.


No ringue é incrível o que os atletas fazem, dão golpes rápidos, saltos, chaves, voam sobre os outros. Mas logo fica visível que mais do que lutar, eles estão apresentando um show para a plateia que vai ao delírio. Chega ser cômico ver o lutador esperando o golpe que o levará ao chão. Além das trapaças dos vilões que o juiz finge não ver. E aí me divirto rindo muito. Mas apesar dos caras serem preparados e terem os movimentos ensaiados, pode acontecer alguma fatalidade. Já teve caso de lutadores morrerem no ringue.

A reação da plateia é uma atração à parte e parece ser a única coisa verdadeira ali. As pessoas gritam, xingam, torcem pelos seus preferidos (que não necessariamente são os heróis) e extravasam. As crianças que estavam próximas ao corredor por onde os lutadores passavam aplaudiam e queriam tocar nos bonzinhos e recolhiam as mão para não encostarem nos malvados. No balcão o público se agarrava nas grandes enfurecidos com as provocações e trapaças dos lutadores malvados.

Luta Livre no México

Na mesma fileira que eu estava, uma moça emocionada abriu um cartaz com fotos e frases quando entrou um lutador loiro cabeludo, sem máscara e só de sunga. Parecia um fã de um galã de filme. E próxima a mim estava uma turista que ria muito de tudo que estava acontecendo ali.


Depois de 2 horas de sofrimento nas mãos dos vilões e trapaças ajudadas pelos juízes, os heróis venceram a luta. O bem prevaleceu! Muita gente foi embora feliz pelo resultado da luta, outros felizes simplesmente por extravasarem. Eu saí da arena certo que valeu a diversão.

Assim terminei o meu primeiro dia na Cidade do México. Comecei no Museu Nacional de Antropologia conhecendo a história prehispanica, depois conheci a história a partir dos espanhóis no Castelo de Chapultepec e à noite conheci a história popular dos dias atuais.

Luta Livre no México


LUTA LIVRE

**A Arena Coliseo fica na Calle Republica de Peru 77, Centro da Cidade do México. Só acontecem lutas aos sábados. O valor do ingresso depende da luta e fileira escolhida, quanto mais próxima ao ringue mais caro custa (no dia que fui em abril a primeira fileira custava 240 pesos – R$ 53,00). Os ingressos mais baratos eram das grades (50 pesos) que é tipo um balcão.

**O ingresso pode comprar na hora na bilheteria ou pelo ticktmaster. Crianças até 1,30m paga só 10 pesos nas gradas e balcão, mas só pode comprar na bilheteria.

**Não pode entrar com câmara. Elas são recolhidas na entrada e entregues na saída. Mas podem tirar fotos com o celular (como podem ver, as minhas não ficaram boas).

**Outro lugar onde acontecem lutas na Cidade do México é a Arena México na Quarta e Sexta-Feira e Domingo. Saiba mais sobre a Lucha Libre no site do Conselho Mundial de Lucha Libre.

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