Os diferentes carnavais no Espírito Santo

Carnaval boi pintadinho
Foto de Izaias Faria Buson (www.carnavaldoboi.com.br)

Não só de escola de samba e grandes trio elétrico vive o folião no carnaval capixaba. Aqui temos desfile de escolas de samba e já contei como é bom. Temos também lugares do litoral que ainda puxam o carnaval com trio elétrico. Mas temos outras opções, afinal de contas o estado do Espírito Santo tem uma cultura diversificada e em alguns lugares do estado o carnaval é festejado de uma forma bem diferente aproveitando os costumes locais.

Este post é mais uma ação coletiva feita pelo grupo de blogueiros Capixabas Indicam, que trabalham em conjunto para divulgar o turismo no Espírito Santo. O assunto dessa vez é o #carnavalcapixaba, e cada blog participante publicou um assunto diferente para ajudar você a aproveitar melhor o Carnaval aqui no Estado. Clique nos links abaixo e veja os textos que produzimos:
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Desfile de escolas de samba
Sim, temos escolas de samba. E elas dão um show na avenida, ou melhor, no Sambão do Povo que fica em Vitória. O nosso desfile acontece uma semana antes da data oficial do carnaval e as escolas da região metropolitana atraem um grande público. Na sexta e sábado de desfile podemos ver o resultado do trabalho das escolas, e alguns meses antes do carnaval podemos aproveitar os ensaios nas quadras. Leia mais sobre o desfile das escolas de samba aqui.

Carnaval Capixaba

Blocos de rua
São vários pelas ruas do estado, a irreverência fica por conta das fantasias e nomes. Cada um com a sua particularidade sai ao som de samba, modinhas, baterias ou trios. A participação dos blocos não se limita aos quatro dias de carnaval, antes mesmo eles já estão pelas ruas e continuam por dias depois. Em Vitória, durante os dias de carnaval, o centro da cidade é local principal para quem quiser ir atrás dos blocos. Um arrata uma multidão é o Regional da Nair.

Carnaval Capixaba

Banho de Mar a Fantasia
Em Manguinhos, balneário da grande Vitória, o carnaval não é o mesmo se não acontecer no sábado o banho de mar a fantasia. Depois de desfilarem a pé pelas ruas organizados em blocos (ou não) com fantasias confeccionadas com papel crepom, os foliões se reúnem a beira mar até o momento de mergulhar no mar. Esta tradição teve início em 1958 com Dona Altair, uma moradora que depois de dançar muito entrava no mar com a fantasia pois achava divertido ver a água colorida . Ela era acompanhada pela família e alguns poucos moradores e hoje o pequeno balneário fica lotado por moradores e visitantes que ainda querem ver o mar com muitas cores. O carnaval em Manguinhos não tem abadá e nem tem que pagar pela fantasia do bloco, é só criar a sua, reunir os amigos e ir.

Manguinhos esta localizado no município de Serra, litoral norte, distante um pouco mais de 20 km de Vitória. Leia mais sobre Manguinhos e veja como chegar e onde ficar.

Carnaval Capixaba


Atrás da Fubica em Regência
Na década e 1990 quando o axé tomava conta dos carnavais no Brasil, um grupo de amigos resolveu tocar frevo na vila de Regência, norte do estado. Em cima de uma caminhonete saíram pelas ruas da vila e criaram assim a fubica. Um pequeno trio que todas as tardes sai pelas ruas de terra acompanhado pelos foliões. A distância é curta, mas demora a tarde toda pois o povo não deixa ela ir rápida para não acabar logo. Cerca de 5 horas para percorrer 1 km.

Regência ficou conhecida nacionalmente com as notícias da lama da Samarco Mineradora, mas antes disso já acontecia na vila um dos carnavais mais legais do Espírito santo, e continua sendo. À tarde tem a Fubica pelas ruas, na praça tem sempre uma banda tocando forró e reggae e pela madrugada a fora tem mais forró nas chopanas da praia, mas a atração principal é o Ford F100 de 1960, a fubica. Durante o dia você pode aproveitar algumas atrações, veja mais no blog Pelo Mundo com Manu.

A Vila de Regência, localizada distante 120 km ao norte de Vitória, faz parte do município de Linhares na foz do Rio Doce que desagua no oceano atlântico. É pequena e a população formada basicamente por pescadores, na época do carnaval recebe um grande público de várias idades predominando jovens. Tem poucas opções de hospedagem e restaurantes.

Carnaval Capixaba


Boi Pintadinho em Muqui
Na cidade Muqui no sul do estado e distante 175 km de Vitória acontece o principal carnaval folclórico do estado. A folia gira em torno do Boi Pintadinho, folclore envolvendo a figura do boi semelhante ao que tem em outros lugares do Brasil como o ‘Boi Bumbá’ e o ‘Bumba meu boi’ que conta a lenda da morte de um boi para satisfazer o desejo de uma grávida, mas o boi era muito querido e ao ser ressuscitado avança sobre as pessoas que estão ao seu redor. É a parte da ressureição que é apresentada durante a brincadeira, o boi, que é conduzido por uma pessoa que fica embaixo da fantasia vai em direção as pessoas ao redor e a movimentação parece uma dança.

O folclore do boi está ligado aos festejos religiosos dedicados aos santos, e em Muqui a apresentação acontecia em junho durante a festa de São João, padroeiro da cidade. Com o tempo passou a ser somente uma brincadeira durante o carnaval e nunca mais parou e a cada ano ganha mais força e público. São 19 bois na cidade com várias formações, tem o boi Vaca Mocha formado só por mulheres e tem até os bois infantis. Eles saem todos os dias do carnaval e se apresentam no centro da cidade como blocos com baterias e fogos atraindo pessoas de todas idades. Quem não pode ir atrás do boi fica nas calçadas assistindo e se divertindo. Em 2016 teve um publico de 15 mil pessoas.

A cidade de Muqui é uma referência histórica e cultural do Espírito Santo. É o maior sítio histórico do estado com mais de 180 prédios tombados e além do carnaval do Boi Pintadinho, realiza o maior e o mais antigo encontro de Folias de Reis do Brasil. Veja aqui onde se alimentar e aqui onde ficar.

Carnaval boi pintadinho
Foto de Izaias Faria Buson (www.carnavaldoboi.com.br)
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Dançando forró em Itaúnas
O som do carnaval não poderia ser diferente na Capital Nacional do Forró Pé-de-Serra. A pequena vila realiza todo ano durante o mês de julho um festival nacional de forró, com isso Itaúnas virou sinônimo de forró-pé-serra, e o som da azabumba, triângulo e sanfona é ouvido nas principais datas e não seria diferente no carnaval. As principais apresentações acontecem em casas fechadas sendo necessário adquirir ingresso, mas é comum ouvir (e dançar) um bom forró nas ruas, praça e praia. 

Distante aproximadamente 270 km de Vitória, no norte do estado, Itaúnas pertence ao município de Conceição da Barra. É uma vila simples com ruas de terra, mas com boas opções de hospedagem e restaurantes. Leia mais sobre Itaúnas aqui.

Itaúnas - ES

COMO CHEGAR A PARTIR DE VITÓRIA

MANGUINHOS:
Distante um pouco mais de 20 km de Vitória. Saindo da nossa capital siga pela BR 101 e continue pela Rodovia Estadual ES 010, um pouco antes do posto da polícia rodoviária está a primeira entrada chegando pelo lado sul – tem placa sinalizando. Mas se passar direto não se preocupe pois tem mais três entradas depois. Também tem ônibus saindo do terminal urbano de Carapina, linha 831.

REGÊNCIA:
Também seguindo pela rodovia ES-010, ate Vila do Riacho e pegar uma estrada de terra (36 km), que chega a Vila de Regência. A viagem de carro dura cerca de duas horas. Outra opção é seguir pela BR-101 norte, até o município de Linhares e no trevo de bebedouro pegar rodovia à direita, seguindo até Regência. Este caminho tem cerca de 23km de estrada de terra. Para ir de ônibus é preciso ir com a empresa Águia Branca até Linhares e depois pegar outro ônibus da Viação Citranstur, telefone: (27) 3371-4832.

MUQUI:
Seguir pela BR 101 sul até a cidade de Cachoeiro do Itapemirim, depois BR 482 e BR 393. Não consegui informação sobre como ir de ônibus.

ITAÚNAS:
O trajeto é pela BR 101 norte até o trevo para Conceição da Barra, onde entra na ES 421 viajando aproximadamente 10 km até o início da estrada de terra que fica à esquerda. Para quem for de ônibus, o percurso é feito até Conceição da Barra pela viação Águia Branca  e depois pela viação Mar Aberto , telefone (27) 3762-2093.

Desfile das escolas de samba de Vitória

Carnaval Capixaba


Sabia que aqui no Espírito Santo também tem escolas de samba? Pois é, temos e elas mandam muito bem. Tanto que em Vitória tem um sambódromo que é conhecido como Sambão do Povo, onde atualmente desfilam 14 escolas de quatro cidades da região metropolitana. 

Escolas de samba tem em várias cidades, não é novidade, o que é diferente aqui é que o desfile acontece uma semana antes do carnaval oficial. Isto passou a acontecer em 2002 para o que o desfile de Vitória, em desvantagem, não tivesse que disputar o público com o desfile do Rio de Janeiro, que devido a proximidade, preferia ir à cidade maravilhosa. A antecipação do desfile deu certo, passando a ter um grande público, não só de capixabas como de outros estados e até mesmo de outros países. Com isso as escolas ganharam força e nós capixabas ganhamos, pois podemos curtir o desfile e aproveitar o feriado do carnaval. Hoje há quem defenda, devido a proporção do nosso desfile, que as escolas voltem a desfilar nos dias oficiais do carnaval. Veja aqui como foi o desfile de outros anos.

Carnaval Capixaba

AS ESCOLAS

As escolas são representadas pela Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (LIESES).

GRUPO ESPECIAL:
No sábado desfilam as seis melhores escolas do ano anterior. O público capixaba nos últimos anos tem ido ao Sambão do Povo para ver principalmente a disputa entre a Independente de Boa Vista, Mocidade Unida da Glória e Unidos de Jucutuquara, as escolas que mais investem. A escola que tiver menos ponto passa a desfilar no Grupo A do ano seguinte.

A escola Novo Império, das cores azul, branco e rosa, é da região de Santo Antônio em Vitória. De 1956 é uma das mais tradicionais e antigas do Estado. Possui seis títulos de campeã e uma das melhores baterias do carnaval capixaba.

A Unidos de Jucutuquara, das cores verde, vermelho e branco, é do bairro de Jucutuquara também em Vitória fundada em 1972. A escola conhecida pela coruja possui sete títulos de campeã e foi a vice do ano passado.

A escola Mocidade Unida da Glória, com suas cores vermelho e branco, é do bairro da Glória na cidade de Vila Velha e foi fundada em 1980. Possui seis títulos sendo que o último foi o ano passado. Tem como símbolo o leão.

A escola Pega no Samba com suas cores o azul, vermelho e branco é do bairro Consolação em Vitória. Fundada em 1976 ainda não possui título no grupo especial, a melhor colocação foi de terceiro lugar em 2010.

A escola Unidos da Piedade, é a escola mais antiga fundada em 1955 no Morro da Fonte Grande em Vitória. Uma das mais tradicionais escolas é também a maior campeã do carnaval capixaba com treze títulos. Tem o dragão como símbolo.

A Independentes de Boa Vista, que possui azul, vermelho e branco, foi fundada em 1975 na cidade de Cariacica, região da grande Vitória. Possui três títulos de campeã e tem como símbolo a águia.

GRUPO A:
São oito escolas que desfilam na sexta feira. A cidade de Vitória é representada pelas escolas Andaraí, Chega Mais, Chegou o Que Faltava, Imperatriz do Forte e Unidos de Barreiros. Da cidade de Vila Velha participa a tradicional escola de samba Independentes de São Torquato, que já foi cinco vezes campeã no carnaval capixaba. O município de Serra é representado pelas escolas de samba Rosas de Ouro e Tradição Serrana. A campeã deste grupo passa a desfilar no grupo especial do anos seguinte.

Carnaval Capixaba

QUANDO ACONTECE

Este ano será nos dia 17 e 18 de fevereiro, sexta e sábado respectivamente. Na sexta desfilarão 8 escolas do grupo A e no sábado serão 6 escolas do grupo Especial. O desfile terá início ás 21 horas.

LOCAL DO DESFILE

Em 1987 foi inaugurado o nosso sambódromo, o Complexo Walmor Miranda que é popularmente conhecido como Sambão do Povo. As escolas desfilam  por uma avenida de 500 metros e o folião pode optar em assistir a apresentação em arquibancadas, mesas de pistas ou camarotes. No local é comercializado bebida e comida, conta com banheiros e serviço médico. Está situado na região da grande Santo Antônio bem próximo a rodoviária de Vitória.

COMO CHEGAR

Quem vai ao Sambão do Povo conta com o serviço de ônibus, taxi e Uber. Nos três casos ele terá que caminhar uma distância aproximada de 600 metros passando pela área de concentração das escolas e o publico em geral, bom que já vai entrando no clima. Quem optar pelo ônibus é só pegar algum que passe pela rodoviária de Vitória, e tem que que saber que não funciona a noite toda, então só vai conseguir retornar às 5 horas que é quando voltam a circular e sempre muito disputado. Quem for de carro tem a opção de estacionamentos pagos próximos ao Sambão e do estacionamento da rodoviária que também é pago porém mais seguro.

Para chegar ao local escolhido (arquibancada, mesas de pista ou camarotes) é preciso prestar atenção pois só tem sinalização do setor nos portões de entrada que não é visível de longe (a sinalização é falha). pra quem chega pelo lado da rodoviária, os portões ficam em lados opostos com a concentração das escolas no meio e se for pelo caminho errado terá que retornar pelo meio da multidão, dando uma grande volta e perdendo tempo.

Lado esquerdo da concentração: Camarotes A e D, arquibancadas (B-E)  e mesas de pista (C-F).
Lado direito da concentração: Somente camarotes (G, H,I,J e K).

Carnaval Capixaba

INGRESSOS

Ainda é possível comprar ingressos para as arquibancadas NESTE SITE, ou na Central do Carnaval, localizada no Shopping Vitória (Limite de aquisição por CPF: 6 unidades). Os ingressos aqui têm bons preços, para sexta –feira o valor é R$ 40,00 (meia R$20,00), para sábado R$ 70,00 (meia R$ 35,00).
Não tem mais mesas de pista e camarotes só os coletivos (vendas AQUI, AQUI e AQUI).

ONDE FICAR EM VITÓRIA

O lugar mais próximo é o centro da cidade tendo como opção alguns hotéis simples como Cannes Palace Hotel, tem o Guanaaní Hostel uma opção melhor é o Alice Vitória Hotel. Ficando no centro é possível conhecer os monumentos do Centro Histórico que ficam abertos a visitação. Outros bairros com boas opções de hospedagem é a Praia do canto com Shopping e praia, e a Praia de Camburi com boas opções de frente para o mar.

COMO CHEGAR A VITÓRIA

De ônibus através da rodoviária (Kaissara, União, São Geraldo, Águia Branca, etc), de avião através do aeroporto Eurico de Aguiar Sales (Azul, Gol e Tam), e se for de minas tem a opção do trem de passageiros que sai diretamente de Belo Horizonte (veja aqui).

O QUE FAZER EM VITÓRIA

Quem for assistir ou participar do desfile no Sambão do Povo, no dia seguinte vai querer dormir ou descansar para a noite seguinte. Mas se quiser aproveitar a vinda a Vitória pode conhecer alguns lugares. Se curte atrativos históricos, tem o Visitar no centro da cidade com Monumentos desde o século XVI e que são abertos a visitação com monitores. Mas se quiser só uma praia para relaxar e tomar uma cerveja, também encontrará várias opções. Se não quiser nada de visitas históricas e nem ficar no calor das praias, pode aproveitar um dos restaurante da cidade (veja as dicas do blog caixa de viagens), e se gostar de peixe, comer  nossa saborosa moqueca capixaba.

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ROTEIROS DE 06 DIAS PELO PIAUÍ

Piauí

 

É interessante como o Piauí, um estado que muita gente não dá nada por ele, tem uma paisagem tão diversificada. Eu, como muita gente só tinha a informação que é o estado mais pobre do Brasil, que é o único do nordeste que a capital não fica no litoral e que tem o menor litoral do país (66km). Eu imagina que fazia um calor da moléstia e hoje tenho certeza que faz. É muito quente!

 

O Piauí entrou no roteiro da viagem que fiz do Pará a Jericoacoara no Ceará. Aproveitei que já ia pras bandas de lá pensei por que não aproveitar para conhecer lugares como o Delta do Parnaíba e Barra Grande, e quem sabe um dos fantásticos sítios arqueológicos? foi aí que entrou no roteiro o Parque Nacional das Sete Cidades, e também a capital Teresina.

 

Fiquei somente cinco dias no estado, tempo suficiente para conhecer o que planejei, mas o estado tem muito mais para conhecer. A cada dia que passa descubro mais lugares interessantes, e já até passou pela minha cabeça voltar ao Piauí, apesar do calor terrível.

 

Apesar do cenário turístico, o setor não é tão desenvolvido e falta serviços e infraestrutura. O fluxo de turista é pequeno não favorecendo uma oferta maior de serviços e assim deixando eles mais caros. Falta também informações mais atualizadas sobre os lugares, neste quesito quem me ajudou muito foram os poucos blogs que escrevem sobre o destino.

 

Cheguei ao estado pelo aeroporto de Teresina e sai via terrestre indo em direção ao Ceará. Para ir de uma cidade a outra dentro do estado utilizei ônibus.

 

1º DIA

Cheguei a Teresina vindo de Belém. Ô terra quente sô! E o planejamento era aproveitar a tarde para conhecer a cidade, pernoitar seguir viagem na manhã seguinte, mas acabei indo embora no mesmo dia – e não foi por causa do calor não - fiquei decepcionado com a capital. Não sei se foi por era um Sábado, mas não consegui visitar a maioria dos atrativos pois estavam fechados e dois que consegui foram frustrantes (veja aqui como foi). Tudo bem que nunca imaginei Teresina como uma cidade turística (e não é), mas sempre espero o melhor de um lugar que visito.

 

Sai de Teresina no início da noite com destino a cidade de Piripiri para no dia seguinte tentar visitar o Parque Nacional das Sete Cidades (veja aqui como fazer a visita). Fui de ônibus com a empresa Expresso Guanabara, mas tem também a Viação Barroso com menos horários. A viagem teve a duração de três horas em estrada boa, foi tranquila e o ônibus mesmo sendo convencional era bom e tinha ar condicionado. Graças a Deus, porque mesmo à noite o calor continuava. Comi alguma coisa e cama, dormi em uma pousada próxima a rodoviária (o centro da cidade ficava mais afastada).

 

Teresina

 

2º DIA

O meu segundo dia no Piauí foi dedicado a conhecer o Parque Nacional da Sete Cidade (conto tudo aqui). O parque é incrível e para quem gosta de sítios arqueológicos e formações rochosas vale muito a pena. Fiz a visita com calma e ainda consegui seguir viagem (Expresso Guanabara novamente) até Parnaíba, a segunda maior cidade do estado. Foram mais três horas de viagem chegando já à noite. Logo de cara gostei da cidade, pois ventava muito e não sentia mais o calor infernal. Fui para o Hostel e só sai para comer alguma coisa e voltei logo. Parnaíba é a principal cidade para quem quer fazer o passeio pelo Delta do Parnaíba.

 

Paiuí

 

3º DIA

Foi o dia do passeio pelo Delta. Na cidade tem uns passeios tradicionais realizados em grandes embarcações com almoço incluso e com preços bons, mas Parnaíba apesar de fazer parte dos roteiros turísticos como a Rota das Emoções, o mais conhecido e mais importante, não tem um fluxo grande de turistas. Então esses passeios acontecem somente nos finais de semana quando tem público. Durante a semana é preciso contratar pequenas embarcações e fazer um passeio privativo ou conseguir outras pessoas para dividir o custo para não ficar tão alto. Como era uma segunda-feira, eu e outros turistas nos juntamos para não sair dali sem conhecer o Delta. O bom do passeio privativo é que temos mais liberdade e conhecemos mais do Delta (veja aqui como foi o passeio). Retornamos só a noite, dormi ainda na cidade e na manhã seguinte fui para Barra Grande.

 

Piauí

 

4º E 5º DIAS

Saí de Parnaíba para outro destino que queria muito conhece no litoral do Piauí: Barra Grande. Uma pequena vila com uma praia maravilhosa muito frequentada por turistas estrangeiros que descobriram o lugar devido o forte vento que faz com que a praia seja ideal para a prática do Kitesurf. Mas mesmo que não vai praticar o esporte, como no meu caso, aproveita muito Barra Grande. Eu fiquei ali um dia e meio antes de seguir viagem para o Ceará. Apesar de ser um lugar turístico, não tem tanta facilidade para chegar lá usando transporte público e pior ainda foi sair para ir a Jericoacoara.

 

Piauí

 

6º DIA

Na manhã seguinte, me despedi do Piauí saindo bem cedo de Barra Grande e indo para Jericoacoara no Ceará. Não foi tão fácil fazer o percurso não, peguei ônibus, carona e buggy. Contei como foi neste post.

 

Foram só seis dias no Piauí, mas pude ver uma paisagem diversificada com cenários únicos do sertão ao litoral percorrendo distancias relativamente curtas. Fui bem tratado e comi bem. Me incomodou a falta de estrutura turística na capital e mais ainda o calor. Pude ver como o sol castiga quem vive lá.

 

QUANDO IR

Durante o verão tem chuva. De maio a agosto é menos quente e daí em diante até Dezembro é calor forte, são os meses terminados em BRO.

O que (tentar) conhecer em Teresina

Teresina

Visão do mirante da ponte estaiada

 

Acredito que uma cidade sempre tem algo de interessante para conhecer, mesmo que não seja um destino turístico como Teresina, a capital do Piauí. Pensando assim coloquei a cidade no roteiro quando viajei pro lado de lá. Tirando o fato de ser a única capital no nordeste brasileiro que não fica no litoral, eu não sabia mais nada da cidade, não sabia o que encontrar. Dei uma olhada na internet pesquisando “o que fazer em Teresina”, o pouco que encontrei descrevia o atrativo, mas sem detalhes de como ir , horários e etc.

 

Já no aeroporto constatei que teria dificuldades para obter informações sobre a cidade. Precisava de orientações para conhecer os atrativos anotados, então procurei o balcão de informações turísticas. Fui atendido por uma moça muito simpática e prestativa, mas não tive respostas para as minhas indagações. Pedi um mapa, não tinha porque tem um aplicativo de turismo para baixar no celular. Ok, vamos diminuir o uso de papel. Baixei o aplicativo que inicialmente achei interessante e bom, mas depois vi que as informações eram gerais como em outras fontes de pesquisa, desinstalei.

 

Pedi sugestões do que conhecer, ela foi falando, mas não consegui me orientar. Pedi para que mostrasse um atrativo num grande mapa que estava na parede, não foi possível pois o mapa era antigo e o atrativo não estava nele. Perguntei como ir ao centro da cidade, agradeci e fui embora. Quero deixar claro aqui que serviço de informações turísticas ineficiente não é privilégio de Teresina não, em vários destinos turísticos existe este problema. 

 

Teresina

Praça Conselheiro Saraiva bem arborizada, amenizando o calor

 

Quando sai do aeroporto constatei outra coisa, que Teresina faz jus  ao título de capital mais quente do país. Pelo menos disputa de igual pra igual com Manaus, Belém e Cuiabá. Vi logo que outubro não é uma boa época para visitar a cidade, sofri andando pelas ruas. Parece que entre maio e agosto é menos quente e antes de maio tem chuva.

 

Como estava sem saber por onde começar, resolvi ir para o centro da cidade na Praça da Bandeira, sempre tem algum atrativo nestas praças. Durante o percurso pude observar que Teresina é uma cidade limpa, plana, organizada com ruas e avenidas largas. É da segunda metade do século XIX e foi planejada para ser a nova capital do Piauí, antes era a cidade de Oeiras. Era um sábado e as ruas estavam tranquilas e quase vazias, mas no centro próximo a praça havia uma movimentação grande de pessoas, carros e claro, barulho. Típico de região de comércio.

 

Acertei em ir para a Praça da Bandeira pois a maioria dos atrativos se encontra próximo a ela, sendo possível fazer o tour a pé. Somente um ou outro fica fora do centro. Ao lado da Praça da Bandeira está um dos lugares que anotei para conhecer, o MUSEU DO PIAUÍ. Mas logo vi tapumes e uma placa informando obras de restauração (no aeroporto não fui informado), fiquei frustrado por não poder visitar talvez um dos principais atrativos, mas gostei de ver que estavam cuidando dele.

 

Teresina

Catedral Nossa Senhora das Dores

 

O museu funciona em um sobrado colonial de 1859 construído para ser residência de um Comendador. Depois funcionou como Palácio de Governo, poder judiciário e a partir de 1980 passou a abrigar o museu que já existia e funcionava no Arquivo Público. Possui o acervo eclético com 7.000 peças com um perfil histórico, artístico e antropológico, retratando o Piauí desde a pré-história. Com as obras o museu ganhará melhorias na estrutura física, mais conforto, novas salas e uma pinacoteca. O museu é aberto ao público.

 

Poucos metros do museu, em frente a Praça da Bandeira, está a igreja mais antiga da cidade a matriz NOSSA SENHORA DO AMPARO. Uma igreja bonita e imponente, mas estava fechada e não pude conhecer o seu interior.

 

A minha programação era de ficar uma tarde e uma noite em Teresina, e seguir viagem na manhã seguinte. Não tinha hospedagem reservada e passei a não ter certeza se dormiria na cidade e não fui procurar lugar pra ficar. Deixei a bagagem no guarda volume da rodoviária e no fim do tour resolveria o que fazer.

 

Teresina

Theatro 4 de setembro

 

Recomecei o Tour a pé no centro da cidade numa praça bem arborizada, e entre as arvores aparecia torres de uma igreja. Como gosto de conhecer igreja, lá fui. A praça é a Conselheiro Saraiva, grande e bem cuidada e a igreja é a CATEDRAL NOSSA SENHORA DAS DORES. Estava aberta e finalmente consegui entrar em um atrativo. O seu interior é simples e bonito, e apesar do tamanho as arvores não deixam ela ter o destaque de uma catedral, normalmente elas são grandiosas. A igreja de Nossa Senhora do Amparo chama mais atenção. Não sei se a catedral fica aberta diariamente ou se dei sorte, só havia dois senhores trabalhando e não consegui nenhuma informação.

 

De um lado da praça está a Casa da Cultura, não visitei pois também estava fechada. Segundo o site ela é aberta a visitação de segunda a sexta das 8h às 18h e no sábado das 9h às 13h. Do outro lado da praça está o Colégio São Francisco de Sales, instalado em uma edificação que chama atenção.

 

Da catedral sai procurando o THEATRO 4 DE SETEMBRO e acabei dando uma volta maior. Mas caso vá a Teresina o menor trajeto é pela Rua Felix Pacheco seguindo pela Rua 10 de Maio, uma distância de 300 metros. Muitos estabelecimentos comerciais estavam fechando e as ruas já estavam mais vazias.

 

Teresina

Monumento no pátio do Centro de Artesanato

 

O tamanho do teatro me surpreendeu, imaginei ser menor. O prédio com uma fachada simples é do finalzinho do século IXI e o seu nome é a data de início da construção. Ele estava aberto, fui até a bilheteria pedir informações sobre a visita, a atendente não era funcionária do teatro e estava ali só para vender ingressos da apresentação da noite e não soube informar. Mas foi gentil e pediu que esperasse pois iria perguntar a alguém. Aguardei com esperança de poder fazer a visita interna, mas ela voltou com a informação de que eu teria que procurar a administração do teatro. Entendi como um não e desisti.  Esta semana telefonei pra lá para tirar a dúvida (não achei nada na internet que informasse), quem atendeu mostrou insegurança, mas informou que é preciso ligar e agendar. O telefone é (86) 3222-7100, boa sorte!

 

O teatro fica na Praça Pedro II e do outro lado uma construção grande chamou a minha atenção, fui até lá. Se tinha identificação na fachada não vi, entrei onde parecia uma recepção. Havia uma moça e perguntei o que era ali, mas ela estava ali só esperando alguém e não sabia o que era, imaginava ser um hospital. Vi logo que hospital não era, havia um balcão de informações turísticas, mas estava vazio e só tinha uns panfletos de propaganda do comércio local. Durante a visita descobri que era  o CENTRO DE ARTESANATO MESTRE DEZINHO.

 

Teresina

Palácio Karnak, sede do poder executivo

 

Ele funciona no prédio que abrigou o Comando da Polícia Militar, tem um pátio grande onde parece que acontece algumas apresentações culturais, e ao redor ficam as lojas. Tem também um quiosque que funciona como bar que serve pratos típicos. Era por volta das 14 horas e talvez eu tenha chegado no final do expediente pois o centro de Artesanato estava praticamente vazio, somente uns moradores estavam no bar. Era um dos atrativos da minha lista e eu estava curioso para conhecer o artesanato Piauiense, mas não foi ali. Apesar de ter muitas lojas, só uma ou outra ainda estava aberta.  Centro de Artesanato, principalmente no nordeste, normalmente é colorido, vivo e ali não vi isto, senti um certo descaso com o lugar. Fiquei ali só o tempo de beber uma cerveja para aliviar o calor.

 

Saindo pela direita e seguindo pela Avenida Antônio Freire logo cheguei ao PALÁCIO KARNAK, sede do governo do Piauí. Uma construção toda branca, bonita, que chama atenção, lembra um templo grego, bem diferente das outras construções da região. Ao redor do prédio tem um bem cuidado jardim de Burle Marx. Um lugar que dá vontade de entrar para conhecer, mas estava fechado. O máximo que consegui foi tirar uma foto da grade do portão. Ah, o nome é de um templo do Egito. Não é aberto a visitação.

 

Teresina

Igreja de São Benedito

 

Ao lado do palácio está a Praça da Liberdade tendo ao centro a IGREJA DE SÃO BENEDITO, outro atrativo da lista. Da segunda metade do século XIX, é um dos principais templos católicos da cidade. Com 40 metros de altura está em destaque no final de uma escadaria. Não sei como é o seu interior, dei com a cara na porta. 

 

Alí na igreja terminei o meu tour a pé. A esta hora o centro estava praticamente vazio e o calor estava de matar. Na minha lista ainda havia três atrativos para conhecer (?) fora do centro, mas devido o que não vi, fiquei com o pé atrás em continuar. Perguntei sobre os lugares aos taxistas e moto taxistas , não transmitiram muita firmeza nas informações (um deles sugeriu os shoppings), mas fui conhecer o mais próximo dali que era o COMPLEXO TURÍSTICO DA PONTE ESTAIADA.

 

Uma obra de engenharia bonita com um eixo central tendo no alto de 95 metros um mirante com fotos da cidade e que proporciona uma visão de 360° da cidade de Teresina. A subida é por um elevador panorâmico, mas é só isso. Pra mim “Complexo turístico” transmite a ideia de vários atrativos em um só lugar, mas não é esse o caso. É só a ponte que cruza o Rio Poti com um mirante (mesmo que o mirante seja interessante), não havia uma lanchonete nem restaurante. O nome do atrativo criou muita expectativa em mim. O tempo de permanência no mirante é limitado em 10 minutos, eu desci antes. A visita acontece de terça a domingo das 11h às 18h e tem um custo de R$ 3,00. Não tem ponto de ônibus próximo dali, é preciso pegar taxi ou moto taxi.

 

Teresina

Visão do elevador panorâmico da ponte estaiada

 

Depois da visita frustrada ao “complexo turístico” desisti de continuar o tour . Ainda faltava o bairro Poty Velho, onde começou Teresina e onde estão mais dois atrativos: Polo Cerâmico Artesanal, local que reúne grande número de artesãos, e o Parque Ambiental Encontro dos Rios, onde os rios Parnaíba e Poty que cortam a cidade se encontram. Desisti de pernoitar na cidade, fui para a rodoviária e embarquei no ônibus com destino a cidade de Piripiri para no dia seguinte conhecer o Parque Nacional de Sete Cidades.

 

Tudo bem que Teresina não deve receber tantos turistas, mas a cidade deveria dar mais atenção aos atrativos, alguns lugares que consegui visitar achei mal aproveitados e até precisando de cuidados. Tudo bem que eu fui num sábado e não observei os horários de visitação, mas não entendo como deixam atrativos fechados (ou com horários restritos) no fim de semana, sendo que é quando as pessoas têm tempo para poder visitá-los. Também falta informações tanto na cidade como na internet (inclusive em blogs).

 

Sei que fiquei pouco tempo na cidade e que o calor me incomodou muito, mas Infelizmente não tive uma experiência legal em Teresina e não encontrei a cidade que gostaria. Esta foi a minha experiência, mas a sua poderá ser melhor.

 

TRANSPORTE

A cidade é atendida por ônibus sendo que alguns têm ar condicionado (pelo calor que faz deveria ter em todos), van, taxi e moto taxis (achei o valor caro). Tem também metrô mas faz um percurso limitado, não usei. A rodoviária fica distante do centro.

O que fazer num bate - volta a Ilha de Marajó. Vale a pena?

Praia do Pesqueiro

 

A partir de Belém é possível fazer bate – volta a lugares da região, como a ilha de Marajó. A maior ilha do Brasil conhecida por muitos pelo grande rebanho de búfalos e pela arte marajoara representada nas cerâmicas, herança dos índios que habitavam o local. Mas a ilha oferece também passeios em fazendas, e praias de mar e de rio, já que é banhada pelo oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins. Fui a Belém sem me planejar e não sabia se teria tempo suficiente e nem tinha certeza se queria ir a Ilha de Marajó. Como tive a informação de que conseguiria comprar as passagens lá, não me preocupei e nem reservei nada, deixei para resolver quando estivesse na cidade.

 

Ilha de Marajó

 

Já em Belém percebi que poderia separar os meus dois últimos dias para ir a ilha de Marajó, precisamente em Soure umas das cidades da ilha. Para chegar lá a opção mais comum e econômica é ir navegando pela baía em lanchas ou grandes embarcações, mas também tem a opção de ir de taxi aéreo, e desde 2016 em voos comerciais regionais realizados numa aeronave monomotor que faz parte do “Voe Pará”, um programa do governo do Estado para incentivar o turismo .

 

Escolhi o serviço de lancha rápida, que na verdade é um catamarã, oferecido somente pela Tapajós Expresso. Mesmo sendo as passagens mais caras que em outras embarcações, escolhi esse serviço por não sair tão cedo e pelas lanchas serem mais confortáveis e mais rápidas com o tempo previsto de viagem de 02 horas, metade do tempo das outras embarcações. Fiz o check out no hostel e fui ao Terminal Hidroviário de Belém comprar as minhas passagens e embarcar.

 

Ilha de Marajó

 

Já na fila para comprar as passagens ouvi que não tinha mais vagas na lancha, informação que foi confirmada no guichê da empresa. Ainda fiquei um tempo no terminal na esperança de ter alguma desistência mas não aconteceu.  A próxima saída seria só à tarde por outra empresa numa embarcação lenta com o dobro do tempo de viagem chegando a Soure já no início da noite, como não tinha reserva de hospedagem e não tive retorno de uma fazenda que oferece um passeio, mudei os planos e desisti de pernoitar na ilha. Comprei passagens para o dia seguinte fazendo um bate – volta, pois era o meu último dia na cidade.

 

Resolvi fazer o bate e volta porque havia a empresa Tapajós Expresso que fazia a travessia com o tempo estimado de 02 horas com desembarque em Soure. Com outras empresas a viagem demora 3:30 hs, o desembarque acontece na cidade de Salvaterra e de lá tem que seguir com transporte rodoviário e balsa para Soure aumentando a viagem em mais 01 hora. Enquanto escrevia este post fiquei sabendo que a Tapajós Expresso não faz mais a travessia. Não teria feito o bate e volta se fosse com outra empresa de navegação pois além da logística ruim e tempo de viagem, o horário de saída de Belém é bem cedo.

 

Ilha de Marajó

 

Como a empresa não opera mais no trajeto, pensei que não teria sentido escrever este post, mas resolvi continuar pois pode servir como referência de logística de viagem e o que fazer no pouco tempo em Soure, já que quem vai nas embarcações mais lentas tem praticamente o mesmo tempo pois sai de Belém às 06:30 hs chegando em Soure depois das 11 horas e precisa sair de Soure até às 15 horas para embarcar em Salvaterra, chegando a Belém por volta das 19:30 hs.

 

Teria pouco mais de 04 horas na ilha pois o horário previsto de chegada era 10 hs e a saída às 14:45 hs. Teria, pois na verdade a viagem demorou mais de 2 horas e meia, e quando sai do porto para conhecer Soure já era quase 11 horas.  Tinha pouco tempo e não dava para fazer muita coisa, precisava ser objetivo. No dia anterior tentei marcar um passeio na Fazenda São Jerônimo, mas não tive sucesso então resolvi ir a Praia do Pesqueiro, mas não poderia sair de Marajó sem ver as cerâmicas marajoaras. No desembarque em Soure tem muitos taxis e moto taxis oferecendo os serviços, fechei com um moto taxi para me levar à praia parando em algum lugar para eu ver as cerâmicas e depois me buscar na praia. É preciso combinar para ir buscar pois pode não ter moto taxi na praia.

 

Ilha de Marajó

 

ATELIÊ DE CERAMICA MARAJOARA

Minutos depois que saímos do porto o moto taxista parou em uma casa pequena em um bairro simples para eu conhecer a arte marajoara. Confesso que esperava encontrar um grande mercado com muitas peças, mas graças a Deus e ao moto taxista não foi isto que encontrei pois em um grande mercado poderia ter muitas peças não autenticas. A pequena casa era o ateliê e local de venda de um dos principais escultores e ceramistas da ilha: Ronaldo Guedes, uma pessoa calma que fala baixo e que mantem uma tradição produzindo uma cerâmica autêntica cheia de simbologias da arte marajoara. Fiquei ali algum tempo conversando com o artista enquanto demostrava como é feita uma peça. É preciso muita prática para não perder a peça que está sendo confeccionada pois um risco errado não tem como ser refeito.

 

Ilha de Marajó

Ceramista Ronaldo Guedes

 

PRAIA DO PESQUEIRO

Depois segui até a Praia do Pesqueiro distante 10 km dali. Logo na chegada é preciso passar por umas dunas leves para chegar à praia. No início não gostei muito da paisagem, o tempo estava fechado e ventava,  peguei chuva no caminho. A maré estava baixa com a água bem distante e havia poucas pessoas, parecia que o tempo havia parado. A infra-estrutura da praia é simples com várias barraquinhas cobertas de palha com mesas de plástico e redes. Escolhi uma delas e me joguei, não sei a temperatura da água, o tempo não ajudou e ela estava longe demais, preferi ficar na rede bebendo, comendo e observando a paisagem ao meu redor. Quando queria alguma coisa era só pedir para a menina que, por não ter mais ninguém para atender, ficava o tempo todo perto de mim, era corria até a barraca onde funcionava a cozinha (distante) e trazia o pedido. Que vida boa!

 

Praia do Pesqueiro

 

Tudo e muito simples, mas gostei do serviço da comida e preços. Aproveitei para experimentar o queijo do leite de búfala, que não gostei muito, e almocei um belo bife de carne de búfalo que aí sim, gostei. Por falar em búfalo, na praia os moradores passam com o animal oferecendo passeios. Os búfalos têm uma argola no nariz com uma corda amarrada, toda vez que queriam que o animal andasse os condutores puxavam a corda e o búfalo dava uma fungada e mugia mostrando que aquilo estava machucando. Para os moradores aquilo era normal, mas toda hora eu ouvia aquilo e me incomodou bastante.

 

Praia do Pesqueiro

 

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No horário marcado o moto taxi me buscou para retornar ao centro de Soure. Tinha um tempinho ainda para embarcar e dei umas voltas pelas rua próximas e vi vários búfalos andando tranquilamente. Era estranho ver aqueles animais tão grandes passeando como se fossem pequenos cachorrinhos.

 

Depois foi só embarcar e retornar a Belém. Foi pouco tempo em Soure, tem muito mais pra ver na Ilha de Marajó. Valeu pelo que vi, mas acho que não vale a pena um bate-volta, ainda mais agora que só tem embarcações lentas com viagens mais demoradas. Deve ficar no mínimo um pernoite.

 

Praia do Pesqueiro

 

SAIBA MAIS

Além do Terminal Hidroviário de Belém tem outro terminal no distrito de Icoaraci distantes 20 km de onde são realizadas travessias de carros. A minha escolha do terminal foi devido a sua localização central e pelo serviço da lancha rápida oferecido somente naquele terminal.

 

O valor cobrado pelo moto taxi em Soure para ir até a Praia do Pesqueiro é R$ 15,00 por trecho. Fazendo uma parada no ateliê ele cobrou mais R$ 5,00 ficando ida e volta por R$ 35,00.

 

Leve dinheiro para Soure. Dificilmente irá usar cartão.

 

Não tem previsão de retorno do serviço da Tapajós Expresso. Quem faz a travessia é a empresa Arapari Navegação (91) 3242-1870.

De buggy para Jericoacoara

De buggy para Jericoacoara

 

Fui a Jericoacoara saindo de Barra Grande no Piauí, contei aqui como foi até Camocim. A partir de Camocim, já no Ceará, tem a opção mais comum e barata de seguir de ônibus até Jijoca e lá continuar de jardineira. Outra opção é ir de buggy pelas praias aproveitando para conhecer um pouco mais do litoral cearense e também já fazer o passeio do Litoral Oeste que é oferecidos em Jeri, ganhando assim tempo .

 

O nosso (eu estava com mais três amigos que conheci durante a viagem) interesse era pela segunda opção e na rodoviária de Camocim nos indicaram uma associação de bugueiros que fica na avenida beira mar. Lá fomos atendido por um empolgado bugueiro que mostrou um mapa da região que iríamos conhecer e informou o que teria no roteiro: Lagoa torta, dunas, esquibunda, a velha e a nova Tatajuba com direito a ouvir histórias de antigos moradores. Passagem pelo mangue seco pra ver cavalos marinhos e travessia de rio em balsa. Para falar a verdade eu não prestei atenção nos detalhes pois queria mesmo ir, fechamos o negócio.

 

De buggy para JericoacoaraCamocim

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Saímos de Camocim por volta do meio dia acompanhado por outro bugueiro e não o que nos atendeu. Saímos da cidade já atravessando o Rio Coreaú em uma pequena balsa, durante a travessia o buguiero colocou uma toca ninja, imaginei que seria para o vento no rosto. Minutos depois já estávamos do outro lado sobre as dunas, paramos para a observar a paisagem que era bonita, do outro lado havia ficado a cidade com seus casarios antigos, deu até vontade de conhecer o lugar. A partir daí viajamos por dunas, o sol era forte e vento na cara, que maravilha! O problema é que com o vento começou vir também areia, muita areia. Foi aí que entendi porque o bugueiro colocou a toca ninja. Segundo ele a areia era devido o horário, que na parte da manhã não teria aquilo.

 

De buggy para Jericoacoara

 

Depois aproximadamente 01 hora chegamos a Tatajuba, um vilarejo no meio do nada que normalmente tem lagoas de água doce, mas não foi o que encontramos, elas estavam secas e a paisagem não era lá grandes coisas, seguimos até a Lagoa Torta onde paramos para almoçar. Se não tivessem falado pra mim que aquela lagoa é a que aparece em fotos de divulgação de Jericoacoara com redes dentro dela e que tem sempre uma pessoa deitada fazendo inveja e que dá vontade de você largar tudo que esta fazendo e viajar pra lá, eu não reconheceria. O lugar estava bem diferente, a água estava turva, ventava muito e a paisagem estava feia, fiquei decepcionado.

 

De buggy para JericoacoaraLagoa Torta

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O nosso bugueiro nos levou para uma das barracas simples ao redor da lagoa que servem almoço. Parece que todas atendem no mesmo sistema, o garçom leva à mesa o cardápio ao vivo, o peixe, camarão ou lagosta inteiros. Você escolhe o que quer e enquanto espera ficar pronto pode aproveitar uma das redes dentro da lagoa, ficamos ali tentando tirar uma foto legal na rede, mas não deu muito certo. A melhor parte dessa parada foi sem dúvida alguma o almoço, estava muito bom.

 

De buggy para JericoacoaraEsforço para trocar o pneu. Foto de Giordana

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Tínhamos mais um tempo ainda ali, mas o lugar não estava legal e resolvemos ir embora. Andamos poucos metros e o bugueiro parou para verificar um dos pneus, ele olhou e resolveu continuar. Seguimos com areia na cara. Mais adiante ele parou novamente e viu que o pneu estava pior, ai resolveu trocar pelo estepe. Saímos do buggy e num sol e vento fortes fomos ajudar o bugueiro a trocar o pneu (dá trabalho trocar pneu na areia). Problema resolvido continuamos viagem, mas tivemos que parar outras vezes e descer do buggy, não para trocar pneu, mas para empurrar o buggy que atolou nas dunas pois o estepe era fino e acredito que também pelo bugueiro não ter tanta experiência de andar pelas dunas (fiquei sabendo depois que ele tinha só dois meses de trabalho). Paramos também para ajudar a empurrar outro carro.

 

De buggy para JericoacoaraTodo mundo se protegendo da areia, eu sou o que está com camisa preta na cabeça. Foto de Giordana

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A viagem continuava no buggy atoleiro com dunas, praia, muito vento, sol forte e muita areia na cara. A essa altura eu pensava que poderia estar indo para Jericoacoara num ônibus com ar condicionado, mas me conhecendo, quando chegasse lá contrataria o passeio só para saber como era. Perrengues à parte chegamos a um manguezal, com arvores de raízes altas e expostas. Não sei se é sempre assim ou se a maré estava baixa, mas o fato é que pra mim foi o melhor lugar do passeio com uma paisagem bem diferente do que vi, parecia que eu estava em cenário de filme. Ali fizemos uma parada rápida para fotos.

 

De buggy para Jericoacoara

 

De buggy para Jericoacoara

 

De buggy para Jericoacoara

 

De buggy para Jericoacoara

 

Seguindo viagem chegamos a Guriú onde tivemos que fazer a travessia de balsa no rio com o mesmo nome, uma paisagem bonita. Quando chegamos ao outro lado o nosso buggy atolou novamente, dessa vez demorou mais para sair e precisamos da ajuda de outros bugueiros. Depois do esforço não resisti e dei um mergulho no rio, muito bom. A partir dali estávamos no território de Jericoacoara e faltam 05 km para chegarmos na vila. Ou seja, a maior parte do passeio que vendido em Jeri acontece na verdade no município de Camocim, a lagoa que divulga Jeri não é Jeri. Dali seguimos direto a Jericoacoara passando por região também de mangue, chegamos já passava das cinco da tarde.

 

CONSIDERAÇÕES

* Não sou chato nem fresco, mas não curti muito o passeio devido a forte areia na cara, lagoas secas e o problema com o buggy. Tirando o problema com o buggy, talvez o restante seria diferente em outra época do ano (viajei no final de outubro) com lagoas mais cheias e vento mais fraco. O primeiro semestre é o período de chuva.

* Só depois do passeio conversando com os companheiros de viagem que percebi que não aconteceram algumas coisas que foram faladas na hora da venda, como parada para esquibunda, ouvir uma moradora contar a história de Tatajuba e ver os cavalos marinhos. Ou seja, só aconteceram duas paradas. Acredito que não tenha dado tempo pois paramos muitas vezes devido problema com o buggy, e o bugueiro precisava voltar a tempo de conseguir fazer a travessia na balsa para chegar a Camocim.

* Esta foi a experiência que tive e não gostei tanto, mas tem relatos de outras pessoas que gostaram. Então vá e viva  a sua experiência, mas siga algumas dicas: se sair da Camocim, tente sair pela manhã para ter tempo de conhecer todos os lugares com calma e não ser prejudicado com os imprevistos. Procure saber se o bugueiro tem experiência; se informe sobre o vento (e areia); Se puder faça com um carro fechado.

* O trajeto de Jericoacoara até a lagoa Torta é o passeio do Litoral Oeste é um dos passeios oferecidos em Jeri que dura o dia todo, o outro passeio também longo é para o Litoral Leste que também fiz e achei muito mais interessante, gostei muito mais dos lugares. Sendo assim se tiver que fazer só um deles, sugiro que faça o do litoral leste.

 

COM QUEM FIZ

Fiz com a Camocim Turismo localizada na avenida beira mar próxima a balsa para a ilha do amor.

Telefone: (88) 9921-2928.

Valor do buggy em outubro: R$ 350,00

 

Outra forma de ir de Camocim a Jericoacoara é de ônibus da empresa FRETCAR até Jijoca e depois jardineira até Jericoacoara que já está inclusa no valor da passagem (aproximadamente R$ 30,00).