‘REVIVER’ SÃO LUÍS DO MARANHÃO

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“O ônibus passa pela parte mais feia da cidade”, foi o que disse a moça do balcão de informações turísticas do Aeroporto Internacional de São Luís. Mas mesmo assim fui de ônibus até o centro da cidade, não só para economizar a grana do taxi, mas também para ter o primeiro contato com o são-luisence (ou ludovicense) e ter as minhas primeiras impressões da cidade. Durante o trajeto de 40 minutos constatei o que a moça disse. À noite eu iria de taxi.

 

Desci na Praça Deodoro e contrariando os relatos que diziam para não ficar hospedado no Centro Histórico, principalmente no final de semana, foi pra lá que fui. O que eu queria ver estava lá: São Luís, cidade dos azulejos.

 

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No final do século XVIII os azulejos foram trazidos de Portugal para revestir as casas e amenizar os efeitos do calor e da umidade. Com isso foi construído em São Luís um conjunto arquitetônico português traçado por ruas estreitas e tortas com sobrados azulejados (em algum momento lembrei da cidade do Porto em Portugal). O acervo arquitetônico com três mil e quinhentas construções, que já havia sido tombado pelo IPHAN, em 1997 foi tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

 

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Patrimônio Cultural da humanidade que era pra ser “a parte mais bonita da cidade”, se não fosse o descaso. Muitos dos sobrados já não possuem nas fachadas os famosos azulejos, outros estão totalmente descaracterizados e outros completamente abandonados. Em 1987 foi criado o “Projeto Reviver” para cuidar da restauração do patrimônio arquitetônico e revitalização do Centro Histórico, região de Praia Grande, bairro mais antigo e tradicional da cidade. Tive a impressão que o “Reviver” foi abandonado. Vi um ou outro monumento com placa de restauração, e a situação e quantidade de sobrados descaracterizados chama mais atenção que os restaurados. Lembrei de uma Havana (Cuba) que só conheço por fotografias, com sobrados belíssimos mas sem nenhum cuidado.

 

VEJA AQUI MAIS IMAGENS DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS

 

Reservei só a primeira noite de hospedagem no Centro Histórico, pois li que era perigoso e que a todo momento seria incomodado por pedintes e que não teria paz. É verdade que as ruas ficam bem mais vazias durante as noites, e no domingo à tarde elas ficam praticamente desertas. Também vi moradores de rua e uma pousada com a porta fechada no cadeado. Revitalização não é só restaurar monumentos é também dar vida ao lugar.

 

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Mas não vi esse perigo e nem fui incomodado, e acabei ficando as 03 noites hospedado no Reviver. E quer saber, eu gostei e curti o lugar.  Não tive problemas e evitando uma rua ou outra eu andei tranquilamente pelo Reviver, e fui abordado somente 01 vez por pedinte. Inclusive sai à noite de ônibus e andando até o terminal que ficava próximo.

 

No dia que cheguei já era fim de tarde, então não foi possível visitar nenhum atrativo internamente, só bati perna pelo Reviver fazendo o reconhecimento do local. Mas antes fui almoçar, ou pela hora, jantar talvez. Comi em um bar e restaurante perto do albergue, pedi uma carne de sol (gosto demais  e nordeste pra mim é sinônimo de carne de sol) e bebi a minha primeira cerveja – e a mais barata (R$ 5,00) – em São Luís. O PF (R$ 10,00) demorou um pouco mas valeu a pena pelo sabor e tamanho generoso da carne.

 

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Arte pelas ruas do Centro Histórico.

 

Continuei andando e cheguei a Praça Nauro Machado, bem no centro do Reviver, e estava toda enfeitada com bandeirinhas e havia uma movimentação de arraial com barraquinhas de comida. Lá eu ouvi o som de tambores, que vinha do Mercado da Praia Grande – um mercado municipal – também conhecido por Casa das Tulhas que fica ao lado da praça. Claro que fui pra lá e assisti uma apresentação do Tambor de Crioula que acontece sempre nas sextas-feiras ali no mercado.

 

Terminei o meu longo dia no Arraial Maria Aragão na primeira noite da festa de São João em São Luís, mas fiquei pouco tempo e retornei ao albergue pois estava cansado. Queria estar descansado para o dia seguinte poder conhecer melhor a Cidade dos Azulejos e visitar alguns atrativos (vou relatar em um post separado as minhas vistas). E à noite voltei ao São João onde assisti as apresentações do Bumba meu boi (Vou escrever um post sobre isso).

 

 

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O meu último dia em São Luís foi um domingo. Então acordei mais tarde, fui visitar o Centro de Cultura Popular que não consegui ver no dia anterior e depois fui conhecer a orla da cidade, não achei lá grandes coisas mas valeu para relaxar e pelo almoço no Restaurante Cabanas do Sol e é claro que comi carne de sol. Fiquei mais um tempo na praia esperando um bar de Reggae abrir para conhecer a ‘Jamaica Brasileira’ mas começou chuviscar e eu estava numa preguiça danada então voltei ao albergue. Dormi cedo pois na madrugada viajei para Santo Amaro.

 

Apesar do descaso público, não só com o Patrimônio da Humanidade, mas de uma forma geral com a cidade,  São Luís merece uma visita e não só uma passagem rápida para os Lençóis Maranhenses. Vale uma visita ao museus e espaços culturais da cidade, e vale muito conhecer o Reviver (de preferência ficar hospedado lá) e andar sem pretensões pelas suas ruas. Até os sobrados abandonados em alguns momentos apresentam imagens interessantes.

 

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Mercado da Praia Grande, também conhecido por Casa das Tulhas. Parte externas com várias lojas de artesanato.

 

 

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 O centro Histórico estava todo enfeitado de bandeirinhas para a festa de São João.

 

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VEJA AQUI MAIS IMAGENS DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO LUÍS

 

INDO DO AEROPORTO AO CENTRO:

Fui de ônibus. Peguei a linha São Cristóvão no ponto em frente ai aeroporto  e desci na Praça Deodoro no centro da cidade. Dali andei 15 minutos e cheguei ao Hostel Solar das Pedras no Reviver.

Tempo de ônibus: 40 minutos.

Valor da passagem: R$ 1,90

Tem a alternativa de ir de Taxi ou moto taxi.

 

ONDE FIQUEI HOSPEDADO:

No Hostel Solar das Pedras. É grande e instalado em um sobrado colonial do século XIX bem localizado no Reviver na Rua das Palmas, 127, perto de bares, restaurantes, mercado com artesanato, terminal urbano de onde sai ônibus para vários lugares da cidade e atrativos culturais.

O quarto é básico com ventilador e armário sem cadeado, fornecem lençol para o colchão e travesseiro, toalha só se pedir. Só os quartos da frente que tem janelas mas tem o incomodo do barulho (muito barulho) da boate que funciona bem em frente nas noites de sexta-feira e sábado.

O café é servido a mesa com fruta, um suco, 02 pães de sal e ovo mexido.

Tem uma sala de TV e área com rede. A limpeza do banheiro deixou a desejar, aliás o Hostel não tinha uma aparência muito limpa.

Não consegui usar internet, mas muita gente conseguiu.

Tirando o barulho da boate o restante foi tranquilo, fiquei sozinho em um quarto de frente (mais arejado e barulhento também) para 08 pessoas.

Paguei R$ 35,00 por noite. Mas quem tem a carteirinha do Albergue da Juventude paga um valor menor.

Com queria economizar acabei ficando as 03 noites ali. Mas se dinheiro não for problema, tem outras opções na região. Andando pude ver a Pousada Portas da Amazônia na Rua do Giz (quarto individual R$ 110,00 – muito bem localizada), Pousada do Porto na Rua Nazaré (quarto individual R$ 100,00 – não entrei pois a porta estava no cadeado e fui atendido pela janela) e vi também a Pousada das Águias anexo 01 na Rua Sete, próxima ao reviver (quarto individual R$ 70,00 – gostei do quarto mas a rua fica totalmente deserta à noite).

Para quem prefere Hostel, tem também o Tijuana Hostel que fica fora do Centro e que é melhor avaliado pelos usuários.

 

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MAIS SOBRE SÃO LUÍS:

A capital maranhense, lembrada hoje pelo enorme casario de arquitetura portuguesa, no início abrigava apenas ocas de madeira e palha e uma paisagem quase intocada. Com as capitanias Hereditárias chegaram os portugueses, mas não ficaram devido a resistência dos índios.

Os franceses com o esforço de colonização na América do Sul chegaram em 1612 e fundaram a cidade. Os portugueses não gostaram, expulsaram os franceses e retomaram o lugar mas deixaram o nome de São Luís, uma homenagem ao rei francês Luís XIII. A economia na região prosperou com a produção da cana de açúcar.

Depois chegaram os Holandeses que só foram expulsos pelos portugueses 03 anos depois. Com o crescimento da produção de algodão, o porto ganha enorme movimentação. Com a proibição do uso de escravos indígenas e o aumento das plantações, sobe muito o número de escravos que transformam a cultura negra de São Luís uma das mais ricas do país

Com o desenvolvimento econômico São Luís  vai se transformando em cidade e chegou a ser a terceira mais populosa do país (atrás apenas do Rio de Janeiro e Salvador).

FONTE: http://www.cidadeshistoricas.art.br/saoluis/sl_his_p.php

4 comentários :

  1. Galera tava me chamando pra ir lá

    vlw pelo resumo

    de 2 anos atrás <3

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  2. Olá, gostaria de um relato seu mais minucioso sobre a praça Nauro machado no ano em que você foi visitar (é para um trabalho). Ficaria agradecida!

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    1. Olá Letícia, desculpe, mas não poderei te ajudar. Faz muito tempo que fui e não tenho muitas lembranças da praça.

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