Carnaval de Congo de Máscara em Roda D’água

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Aqui no Espírito Santo acontece uma grande festa para a padroeira Nossa Senhora da Penha, na cidade de Vila Velha. Mas as homenagens acontecem em vários lugares do estado. Uma das mais singulares é o Carnaval de Congo de máscara que acontece na comunidade de Roda D’água, no município de Cariacica.

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Apesar de Cariacica pertencer a mesma região metropolitana de Vila Velha, a comunidade de Roda D’água fica distante em uma região rural do município. Conta-se que devido a distância até o Convento, no dia da padroeira, os moradores realizavam procissões locais para homenagear a padroeira acompanhados pelos tambores e casacas, instrumentos das tradicionais bandas de congo do nosso estado. A festa tomou proporções e acontece até os dias de hoje, fazendo parte da cultura popular capixaba.

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O que faz a festa de Roda D’água ser diferente de outras festas de congo que temos aqui, é o uso de mascaras pelos participantes. Segundo também o que contam, as máscaras foram introduzidas pelos antigos escravos que não podiam participar participar da festa, então usavam máscaras para não serem reconhecidos. Para dificultar ainda mais o reconhecimento, se vestiam com palhas secas das bananeiras. Assim surgiu o personagem do João bananeira ou Zé bananeira. Com o tempo, o personagem foi incorporado à festa folclórica, tendo como objetivo de não ser reconhecido quem está vestido, e ser revelado somente ao final da festa.

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Conheci a festa alguns anos atrás através da minha amiga Maria Ribeiro, moradora de Cariacica. Lembro que na época gostei muito, almoçamos na casa de uma moradora que preparou um almoço especial com moqueca de peixe salgado, e havia uma cachacinha muito boa de banana. Nunca mais esqueci da festa e do almoço. Com essas lembranças, acabei voltando outras vezes, mas já não era a mesma. Achei decadente.

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Banda de congo indígena do município de Aracruz.


Mas eu ainda queria ver a boa festa de Roda D’água, voltei este ano e gostei. Estava animada com programação de dia inteiro, comidas, boas bandas de congo, crianças mexendo com o João bananeira e ele correndo atrás delas. Moradores e visitantes juntos curtindo e mantendo viva a cultura local.

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QUANDO ACONTECE:

Somente no dia da padroeira do estado, Nossa Senhora da Penha, na 2ª segunda-feira depois do domingo de Páscoa. É realizada em um campo de futebol com estrutura de barraquinhas de comida e bebidas, estacionamento e segurança. A origem da festa é religiosa, então na programação tem sempre uma missa. Tem também shows musicais, mas o ponto alto da festa são as bandas de congo de vários lugares do estado e a figura do João bananeira.
 
COMO CHEGAR:
 
É meio confuso pois não tem sinalização. Eu mesmo que já fui outras vezes tive que parar e perguntar mais de uma vez. A medida que você vai andando a paisagem vai mudando e características de centro urbano vão dando lugar a de interior. Nem parece que faz parte de uma região metropolitana. Mas dá para chegar numa boa.
 
De carro, vá até a estrada do contorno (BR 101) na altura do Motel Classic e pegue a estrada boca do mato atrás do motel e vá perguntando. Ou então pare em algum posto de combustível na mesma região do motel e pergunte qual a melhor maneira de chegar lá.
 
Tem ônibus do sistema Transcol que sai do Terminal de Itacibá, mas acho que não chega ao local da festa. A linha é de número 753.






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