Caraça, santuário do lobo Guará.

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Depois de sair de Ouro Preto, passar por Mariana, Catas Altas e Santa Bárbara finalmente cheguei ao Santuário do Caraça. Estava ansioso para chegar, mas não queria perder a oportunidade de conhecer novos lugares como as duas últimas cidades citadas, mesmo que me arrependesse depois, mas não foi o caso.

 

Mas mesmo fazendo as paradas consegui chegar em um horário legal. E foi muito bom chegar ao Parque do Caraça ainda de dia e dirigindo, assim eu pude curtir o visual da estrada que leva até o Santuário. Das outras vezes que fui ao Parque não cheguei de dia e não conseguia observar a paisagem e nem curtir o caminho, dessa vez até parei para fotos.

 

Cheguei a sede e fui entrando como se fosse de casa. Passei pela recepção indo direto ao Santuário até chegar a igreja, estava bem à vontade, lá é assim. A igreja estava vazia e pude ficar ali observando sem ser incomodado. A igreja é dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens e é considerada a primeira igreja no estilo neogótico do Brasil, foi construída sem mão escrava (isso em 1883).

 

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O interior da igreja possui algumas preciosidades como vitrais franceses, órgão com 628 tubos portugueses, franceses e de madeira da serra do Caraça; o corpo de São Pio Mártir sob o altar, o primeiro corpo de santo que veio para o Brasil e tem também um quadro da última ceia pintado pelo mestre Ataíde.

 

Saí da igreja pela porta da frente e não pude evitar de lembrar da cena do lobo Guará comendo na mão do padre. É verdade! uma das atrações para quem se hospeda na pousada do Caraça é assistir toda noite (ou quase toda) o lobo guará jantar no adro da igreja.

 

Isso começou em 1982, quando algumas lixeiras começaram a aparecer reviradas e derrubadas. Um irmão achou que era cachorro, outro achou que não era, então começaram a observar até descobrirem que era na verdade um lobo guará. Começaram a colocar uma bandeja de carne em cada portão e elas amanheciam mexidas. Foram aproximando as bandejas da escada da Igreja e por algum tempo os lobos foram alimentados lá embaixo. Até que resolveram subir com a bandeja. A bandeja subiu, o padre subiu, o lobo subiu!

 

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Foto de um cartão postal que ganhei na primeira vez que fui ao Caraça.

 

Depois disso, toda noite no Santuário do Caraça, o padre reúne os hóspedes no adro da igreja e espera o lobo guará subir a escada para comer uma bandeja de carne ali na frente de todo mundo. Ele não segue um horário, pode demorar tanto a ponto de muita gente ir embora, ou até mesmo não aparecer – ninguém paga ingresso para vê-lo. Enquanto o lobo não chega o padre vai contando a história do lugar e pedindo em vão que façam silêncio e não usem flash para tirar as fotos.

 

Mas é magnifico ver o lobo ir subindo desconfiado a escada olhando para um lado e outro atraído pelo cheiro da carne, e o padre ali na sua frente como estivesse esperando um velho amigo.

 

O Guará é o maior canídeo (da família do cachorro) da América do Sul. É um animal de hábitos noturnos, durante descansa. É onívoro: come de tudo. Come pequenos animais e aves, come também frutas. Tem hábitos solitários; não vive em alcateia, em grupo. Também não uiva, ele late. No Caraça tem apenas um casal de lobos. Não cabem mais, porque são territorialistas, demarcando todo o território com a urina. O casal precisa de 2.500 hectares (2.500 campos de futebol). É mais ou menos o que tem no Caraça de Cerrado.

 

Durante o dia o Caraça oferece muitos atrativos naturais como trilhas, cascatas, piscinas e grutas além de atrativos históricos, mas com certeza à noite a principal atração é o lobo guará.

 

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Jardim em frente ao santuário.

 

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Depois das lembranças, fui então procurar a recepção na esperança de conseguir uma vaga para hospedagem e rever o meu amigo lobo. Mas só confirmaram a informação que passaram por telefone, não havia disponibilidade. Era mês de julho e em período de férias e feriados é necessário fazer reserva com bastante antecedência. Eu resolvi fazer a viagem de um dia pro outro.

 

Hospedar-se no Caraça é muito bom, o clima de tranquilidade e de paz ajuda. As acomodações são simples - afinal de contas era um seminário que depois passou a ser um colégio interno – mas são confortáveis. O frio é gostoso estimula a beber um vinho, a comida é básica sem variedade mas é gostosa. E o café da manhã é servido em um fogão a lenha onde você pode fritar ovo e esquentar queijo, é como se estivesse em casa. E sem contar que durante o dia você tem muito mais tempo para aproveitar os atrativos naturais que o parque oferece.

 

Como não foi possível pernoitar, tive que aproveitar o pouco tempo que restava. Na sede tem estacionamento, lanchonete com um lojinhas de lembrancinhas, pousada, igreja, calvário, antigo seminário que hoje abriga um museu e a biblioteca, centro de visitantes com informações e vídeo do parque.  Não dava para ir longe então fui ao museu e depois fiquei aproveitando o sol até a hora de descer e sair do parque.

 

Fiquei pouco tempo, mas gostei da minha ida ao Caraça. Pensei em dormir em uma das pousadas na Rodovia do Caraça e no dia seguinte voltar ao parque mas precisava ir embora. Mas quem não conhece tem que se programar para ir e ficar lá, vale a pena.

 

 

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Prédio que abrigava o seminário. Em 1968 sofreu um incêndio, o que sobrou foi restaurado e abriga hoje a biblioteca e museu.

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Interior do museu.

 

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Fogareiro que foi deixado ligado na sala de encadernação causando o incêndio.

 

O Santuário do Caraça instalado a mais de 1200m de altitude, teve origem com a chegada ao local do Irmão Lourenço que construiu um monastério. Com a morte do Irmão, padres vindo da Europa assumem o lugar e o transformam em colégio de prestígio em  Minas Gerais no qual estudaram grandes personalidades como os presidentes do Brasil Arthur Bernardes e Affonso Pena. No século XX foi transformado em seminário que funcionou até 1968 quando sofreu um incêndio.

 

Hoje é o Santuário é um centro de espiritualidade e missão, de cultura e educação, de conservação ambiental, lazer e turismo. Está dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural - Santuário do Caraça, pertencente a Província Brasileira da Congregação da Missão (uma instituição católica). São mais de 11.000 hectares que faz parte da Serra do Caraça que é um trecho da Serra do Espinhaço localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara.

 

O nome oficial é Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens, mas é conhecido como Caraça devido a serra ter esse nome devido o formato de um rosto humano, uma cara grande, uma “caraça”.

 

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O Parque do Caraça faz parte do Circuito da Estrada Real.

 

COMO CHEGAR:

 

De Vitória siga pela BR 262 até João Monlevade-MG. Seguir pela BR 381, sentido Belo Horizonte-MG, até o trevo para Barão de Cocais. Continue no sentido Barão de Cocais e Santa Bárbara. Antes da cidade de Santa Bárbara, virar à direita para o Caraça.

 

Da Rodovia MG 129 até a sede do Santuário são mais 20km por uma estrada asfaltada (Rodovia do Caraça). No início existe um perímetro urbano mas à medida que vamos seguindo o máximo que tem são poucas pousadas até a portaria do Parque que fica no KM 09. Na portaria é preciso parar e pegar a boleta da taxa de visitação – ela é paga na recepção da Pousada Caraça, na sede. Da portaria são mais 11 km de subida até a sede, e daí em diante já é área de Reserva natural, então suba devagar e aproveite a paisagem.

 

TAXA DE VISITAÇÃO:

 

R$ 10,00 por pessoa (incluindo ciclistas e pedestres).
Criança até 6 anos - entrada gratuita.
Obs: Valor sujeito a alteração.

 

HORÁRIO DE VISITAÇÃO:

 

Segunda a Segunda – 08:00 às 17:00h
A entrada é a partir das 08:00h até às 15:30h e a
permanência dentro do Santuário do Caraça até às 17:00h.

 

Tenha mais informações no SITE DO SANTUÁRIO.

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