Pelas ruas de Lisboa.

O avião pousou às 06h31min no aeroporto internacional de Lisboa. A imigração foi tranquila, não me perguntaram nada, não me pediram nada, somente carimbaram o passaporte. Mas percebi que eles conversavam muito com mulheres e principalmente quando elas eram negras.

Para Lisboa eu fiz reserva em um residencial que é tipo uma pensão onde você aluga quartos, muito comum em vários países, assim você tem uma hospedagem barata e não precisa ficar em albergues, se não quiser.

Mas minha amiga Mônica me chamou para ficar na casa dela. Eu havia enviado um e-mail para ela antes de sair do Brasil e ainda não sabia da resposta. Precisava acessar a internet ainda ali no aeroporto. Aqui não teve jeito, tive que pagar 3 € para usar meia hora de internet. Mas valeu a pena, a Monica não só respondeu positivamente como estava online e me deu todas as dicas de como chegar lá.

Antes de continuar, deixa eu falar de Mônica. Conheci essa pessoa incrível em uma excursão para Porto Seguro na Bahia, eu era o guia da viagem. Depois de um bom tempo sem contato encontrei Mônica fazendo parte de um grupo que passei a guiar em viagens pelo Brasil. Daí em diante passei ver a Mônica sempre nas excursões, e quando soube que eu pretendia ir à Europa ela ofereceu hospedagem em Lisboa, onde passa uma temporada este ano.

Ela tem um blog onde conta de uma forma bem divertida o seu dia a dia em Lisboa e suas viagens pela Europa. Se você estiver mal-humorado, depressivo ou simplesmente quiser rir um pouco, leia o Blog da Mônica, é muito divertido!

Fui então pegar o ônibus, perguntei ao motorista se passava em tal lugar, ele me respondeu em uma língua que eu só sei que era português porque estava em Portugal mas eu não entendi nada. Eles falam rápido e a gente acaba não entendendo.

Aqui os ônibus não tem cobrador nem roleta, o usuário adquiri um cartão recarregável e toda vez que entra no ônibus tem que validar esse cartão numa maquina que fica na entrada. Quem não tem o cartão pode pagar a passagem 1,5 € direto ao motorista. Pode correr o risco de usar o ônibus sem crédito mas se for pego pelo fiscal, tem que pagar uma multa altíssima.

Eu com um mapa na mão ia procurando as ruas por onde o ônibus passava, mas demorei em achar as placas com os nomes, pois elas são colocadas nas paredes em um lugar mais alto que o normal. Durante o percurso eu já pude observar como Lisboa é uma cidade bonita. É ampla com avenidas largas, bem cuidadas e limpas. Os termômetros marcavam 17 º. 

Pouco tempo depois estava sendo recebido por Mônica e Nery, outra amiga. Com a conversa e gargalhadas acabei saindo só às 13 horas. De início parei em um grande e lindo parque, Eduardo VII, um dos maiores parque da cidade. Depois passei pela praça Marques de Pombal e fui andando sem pressa pela elegante Av da Liberdade, um dos endereços nobres de Lisboa, desci observando seus luxuosos prédios que servem de endereço para grandes hotéis, restaurantes, teatros e escritórios. Logo cheguei na praça dos Restauradores e no Rossio.

Lisboa Parque Eduardo VII da Inglaterra, mais conhecido como parque Eduardo VII. Foi batizado em homenagem ao Rei do Reino Unido, que reafirmou a aliança entre os dois países. Um local pouco citado nos relatos de viagens, eu mesmo só conheci porque fiquei nas redondezas do parque. Ao fundo o rio Tejo.

Lisboa7Funicular ou elevador da Glória, ele faz a ligação entre a praça dos Restauradores e o bairro alto. Tem vários espalhados pela cidade.

 Lisboa9Estação de comboios (trens) do Rossio, está entre a praça dos Restauradores e a praça do Rossio.

A praça do Rossio (que na verdade é Praça D. Pedro IV) chama atenção pelo espaço e pelas suas construções majestosas como o Teatro Nacional. O local reúne Lisboetas na correria do dia a dia com turistas que  circulam o local tirando fotos e ocupando os seus restaurantes e cafés. Aproveitei para almoçar também, pedi o “prato do dia” em um dos restaurantes da praça. Parece que todos eles oferecem o prato do dia, é servido o prato escolhido, bebida (que pode ser água, refrigerante, cerveja ou vinho), sobremesa e o cafezinho. Achei o prato pequeno, mas tudo bem.

Depois fui entrando pelas ruas sem compromisso e fui saindo em becos e outras praças, conhecendo um pouco mais Lisboa. Entrei em igrejas, tem várias espalhadas na cidade e são imensas. Provei ”Ginjinha”, uma bebida popular no país. Um licor feito da fermentação da ginja uma fruta similar a cereja. Gostei muito, aprovei.

Continuei andando e observando os detalhes da cidade e do povo na rua. Lisboa é tranquila e em momento algum passou insegurança, mas em um determinado momento passou um rapaz perto de mim sussurrando alguma coisa, então lembrei que li no blog do Alexandre que nas ruas da cidade ficam uns caras oferecendo maconha e haxixe. Eram eles e dali em diante encontrei vários.

Lisboa10 Praça D. Pedro IV, mais conhecida como praça do Rossio.

Lisboa11Teatro Nacional D. Maria II 


P1060324 As casas tradicionais onde vendem a ginjinha. 

P1060331Olha a peça que estava em cartaz em um teatro. 

P1060333

Lisboa18 Em uma das ruas vi uma igreja que por fora não chamava muito atenção não. Mas não havia entrado em nenhuma ainda, resolvi entrar e fiquei surpreso com o tamanho dela e pelo fato dela ter a aparência de destruída. Nas colunas e paredes faltavam pedaços. Descobri depois que ela foi destruída no terremoto de 1755, reconstruída e em 1959 sofreu um incêndio deixando suas marcas até hoje. É a igreja de São Domingos.

Lisboa19O antigo elétrico.

Lisboa20O novo elétrico. 

Cheguei até a praça do Comércio. Ela é imensa e foi o local do palácio dos reis de Portugal. Lembra o Largo do Paço – praça XV - no Rio de Janeiro. Aliás Lisboa lembra muito o centro da cidade do Rio de janeiro, só que sem o fedor de mijo (eu adoro o Rio de Janeiro, mas a cidade fede a mijo).

Ela é serve de porta de entrada para a cidade de Lisboa. De um lado é banhada pelo rio Tejo, do outro tem um arco e nas outras laterais tem prédios do governo e restaurantes. Aqui eu fiquei por algum tempo, sem pressa. Muita gente circulando, fotografando, apreciando o rio ou simplesmente fazendo nada.

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Estátua do Rei José I no centro da praça e ao fundo o Arco Triunfal
 
Dali segui para a rua Augusta, a rua do comércio com bancos, lojas, confeitarias, cafés com mesas na rua e muita gente. Encontrei aqui o russo Vladimir Yarets, 69 anos, é surdo-mudo e está dando a volta ao mundo de moto. Vi algumas pessoas paradas e fui ver o que era. Era um senhor sorridente mostrando sua moto e pedindo donativos para continuar a sua viagem. Cheguei perto e ele pediu para eu mostrar no mapa de onde eu era, quando apontei o Brasil ele tirou alguns álbuns de fotografias da sua passagem pelo país.

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Lisboa24 veja o site de Yarets: http://yarets.com/

Seguindo cheguei ao elevador de Santa Justa, construído em ferro fundido por um aprendiz de Gustave Eiffel e liga a Baixa ao Bairro Alto. Não é tão bonito, mas do mirante do alto do elevador tem uma bela vista de Lisboa.

A minha idéia inicial era ir visitar a igreja do Carmo, ou o que restou dela pois foi atingida pelo terremoto, mas já estava fechada. Fui então andando e a essas horas eu já nem olhava mais para o mapa que carregava. O bairro alto é fascinante, passei pelo Largo do Carmo e na continuação cheguei ao Largo Trindade Coelho, onde estão a Santa Casa da Misericórdia e a igreja de São Roque com o seu rico interior.

Depois de uma visita eu sentei na calçada da igreja e fiquei vendo o movimento do fim do dia. Como tinha turistas andando pela cidade com mapa e guias turísticos nas mãos. Eram 8 horas da noite e ainda era dia, mas a temperatura começava a cair.

Dali fui andando pelas ruelas e lá pelas 9 horas foi escurecendo. A cidade já ia se preparando para a noite. As casas de fado foram abrindo, os cafés que antes exibiam os cardápios com os pratos do dia, agora exibiam o cardápio da noite com cervejas e caipirinhas. Os copos de cervejas tinham 3 tamanhos e o que era vendido na rua Augusta por 6 €, ali custava a metade.

Eu já estava cansado, não dormi durante a viagem e ainda tinha o fuso horário. Em Portugal eram 04 horas a mais. Queria ficar para ver o movimento da noite mas eu não iria aproveitar. Então resolvi voltar, mas como voltar?

Andei até a praça do Rossio para pegar um ônibus. Encontrei uma brasileira que falou para eu ir de metro pois seria mais barato e mais rápido. Assim fiz, desci na estação parque, atravessei todo parque Eduardo VII e finalmente cheguei. Eram 10 horas da noite.


P1060388Elevador de  Santa Justa.

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Lisboa27Igreja do Carmo.

2 comentários :

  1. Marcelo, suas fotos estão maravilhosaaaaaaaaaas!!!
    Vc não é twitter naum, mas eu tô te seguindo, viu?
    Amanhã vamos pra Madrid e dia 06 pto Marrocos. Não perca!

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  2. Oi Mônica! eu também estou acompanhando as suas aventuras no Velho Mundo.
    Estou ansioso para ler os seus relatos sobre Marrocos.

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