CENTRO HISTÓRICO DE VITÓRIA, PARTE FINAL.

Finalmente estou conseguindo escrever no meu blog. Estava com problemas com o Windows livre writer, mas agora tudo voltou ao normal. Acho que agora termino este post sobre o centro histórico de Vitória.

 

No ultimo post parei na Escadaria Maria Ortiz. Continuando o nosso passeio, a escadaria está onde era a ladeira do pelourinho que ligava um antigo cais à parte mais alta da vila. Esta ladeira foi usada em 1625 pelos invasores holandeses que tentaram ocupar a parte alta de Vitória, quando foram surpreendidos por água fervente jogada pelos moradores encorajados pela jovem Maria Ortiz.

 

Essa iniciativa que ajudou na expulsão dos holandeses, transformou Maria Ortiz em heroína e em 1899 a ladeira recebeu o seu nome. A escadaria foi construída somente em 1924.


 

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A partir deste ponto você pode continuar o passeio por esta mesma rua ( Pedro Palácios ), ou descer pela escadaria. Os dois caminhos levarão até o Palácio Anchieta, porém se você não estiver com pressa eu sugiro descer a escadaria até a Rua Nestor Gomes e virar a direita. Fazendo esse caminho você poderá visitar o ateliê do Instituto Góia e adquirir uma bela obra de arte baseada na cultura capixaba, especialmente seu patrimônio histórico-cultural. São peças de qualidade produzidas artesanalmente pelos alunos do Projeto Oficinarte.



 

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A ideia é colocar pequenas lojas nos monumentos do centro histórico de Vitória para que o turista possa adquirir peças originais e representativas dos lugares visitados e ao mesmo tempo ajudar a manter o Oficinarte.

 

 

P1040564 Ao andar pela rua observe uma faixa azul pintada no chão. Ela marca o local onde, antigamente, estava o limite entre a terra e as águas do Oceano Atlântico - muito antes do primeiro grande aterro na Capital capixaba, a partir da década de 40.  É na verdade uma intervenção urbana do artista Piatan Lube que faz parte do projeto "Caminho das Águas".
 
 
Seguindo em frente você chegará a Praça João Clímaco, no passado era neste espaço que as coisas importante aconteciam. O local reunia à sua volta sede dos poderes institucionais. Era chamada antigamente como Largo do Colégio em referência ao colégio e igreja São Thiago dos padres da Companhia de Jesus, símbolo da fundação da cidade.
 
 
O prédio tornou-se sede de poder executivo estadual em 1798. Em homenagem ao padre José de Anchieta, “Apóstolo do Brasil”, recebeu o nome de Palácio Anchieta no século XIX, é uma das mais antigas sedes de governo do país.
 
 
O prédio manteve a estrutura original mas passou por várias transformações perdendo as características da colégio e da igreja.
 
 
 
fotopalacio2A fachada principal era voltada para a onde é praça João Clímaco.
 
 
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P1040745Com as mudanças, a fachada principal ficou de frente para a baía de Vitória.
 
 
Imagem 152Escadaria Bárbara Lindemberg vista de uma das janelas do Palácio. Construção de 1860, possui quatro estátuas simbolizando as estações do ano e uma fonte artificial. Conhecida por Escadaria do Palácio, passou a ser chamada Bárbara Monteiro Lindemberg em 1968. Liga a Cidade Baixa à sede administrativa do Governo do estado. Em frente ao Palácio Anchieta.
 
 
Imagem 155Vista do porto de Vitória do hall de entrada do Palácio.
 
 
P1020878Com sua restauração, concluída em 2009, o palácio está aberto a visitação guiada. De terça a sábado: das 10h às 17h. Domingo: das 10h às 16h, apenas com agendamento prévio para grupos. Tel..: (27) 3636-1032.
 
 
 
P1020880Passou a ter também um espaço para exposições.
 
 
 
P1040559Ao sair, vire a direita e dê uma volta ao redor do Palácio e ao passar pela fachada principal vá até a escadaria Barbara Lindemberg e observe o porto de Vitória.
 
 
 
P1040553Rua lateral que separa o Palácio do antigo Ateneu Provincial, educandário do século passado onde havia estudado Nilo Peçanha, que veio a ser presidente da República.
 
 

De volta à praça em frente a entrada, você pode observar algumas construções de época e o monumento em homenagem ao herói capixaba Domingos José Martins. Do outro lado da praça , em frente ao palácio Anchieta está o prédio da antiga Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, Palácio Domingos Martins.

 

 

Saindo do Palácio, à esquerda está a sede da Academia Espírito Santense de Letras.

 

 

4784061264_53c967b278_z Ao lado da academia está a sede da Ordem dos Advogados e em frente ao prédio, o monumento em homenagem a Domingos José Martins. Herói capixaba que participou da Revolução Pernambucana em 1817.
 


Mantendo a sua esquerda, entre na rua São Gonçalo e vá conhecer Igreja de São Gonçalo. No local onde hoje se encontra a Igreja, já havia, em 1707, uma capela que foi construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte, uma irmandade de homens pardos. Anos depois foi construída uma igreja dedicada a São Gonçalo Garcia.

 

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Na segunda metade do século XIX a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção recebeu o título de Confraria. Posteriormente, a Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção tornou-se uma Arquiconfraria, sendo a única a receber esse título em Vitória.

 

Por quase duas décadas a Igreja de São Gonçalo foi sede paroquial, Matriz e Catedral de Vitória. Isso se deu por dois motivos: a desapropriação da Igreja de São Tiago (hoje Palácio Anchieta) e a destruição da Igreja de Nossa Senhora da Vitória, que era a Matriz e Catedral, com o intuito de se erguer uma nova e maior Catedral.

 

A igreja tem estilo colonial com características barrocas em sua fachada e também no altar-mor, que tem entalhes em madeira pintados a ouro. Em 06 de novembro de 1948, a Igreja de São Gonçalo Garcia foi tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Ainda nos dias de hoje a Irmandade se reúne e promove festa que acontece em agosto com procissão pelas ruas do centro de Vitória. As procissões são acompanhadas por homens e mulheres da Arquiconfraria.

 

A Igreja de São Gonçalo é um dos monumentos monitorados nas visitas guiadas, realizadas gratuitamente ao Centro Histórico de Vitória. Telefones: (27) 3235-7078 ou pelo e-mail projetovisitar@vitoria.es.gov.br. Visitas de terça a domingo das 09 às 17 horas.

 

Saindo da igreja pela rua São Gonçalo vire à esquerda e siga até a Capela Santa Luzia, a construção mais antiga de Vitória. No caminho você encontra outras construções históricas do século XIX como a loja Maçônica “União e Progresso” onde funcionam restaurante aberto ao público. Ao lado da loja tem também o antigo colégio São Vicente de Paulo, originalmente residência familiar.

 

194078720_afc1c224ccPrédio da loja maçônica “União e Progresso”.

 

P1040508Antigo colégio São Vicente de Paulo que primeiro foi residência de Moniz Freire, presidente do Estado do Espírito Santo por duas vezes.

 

Construída em pedra e cal de ostra e coberta com telhas de barro, a Capela de Santa Luzia foi construída no século 16. Fica localizada na Cidade Alta e é tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

 

Erguida sobre uma rocha com traços arquitetônicos simples, o monumento pertencia à fazenda de Duarte Lemos, na sesmaria doada pelo primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho.

 

Apresenta as mesmas características das outras igrejas do Espírito Santo: nave retangular, mais longa e mais alta do que a capela-mor.

 

A Capela abrigou o Museu de Arte Sacra entre 1950 e 1970, e a Galeria de Arte e Pesquisa da UFES de 1976 a 1994. Desde 1996 sedia o escritório técnico e o espaço cultural da 6ª Sub-Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

 

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P1040509 Rampa de acesso à Capela Santa Luzia. Existe também um elevador.

 

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A Capela de Santa Luzia é um dos monumentos monitorados nas visitas guiadas realizadas gratuitamente ao Centro Histórico de Vitória. Telefones: (27) 3235-7078 ou pelo e-mail projetovisitar@vitoria.es.gov.br. Visitas de terça a domingo das 09 às 17 horas.

 

Siga pela rua Francisco Araújo (lateral ao colégio São Vicente de Paulo) e vire à direita passando assim pelo Viaduto Caramuru. O Viaduto foi construído em 1925 com o objetivo de ligar as ruas Dom Fernando e Francisco Araújo e servir de passagem para o bonde, que então circulava pela Cidade Alta. O bonde, entretanto, nunca chegou a atravessar o viaduto, ou porque temiam que ele não aguentasse o peso ou porque o bonde não era capaz de fazer a curva que ligava as ruas ao viaduto.

 

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P1040547O novo e antigo lado a a lado no viaduto Caramuru.

 

Vire à direita na rua Dom Fernando seguindo para o Convento São Francisco. O Convento começou a ser construído no final do século XVI pelos padres franciscanos a pedido do segundo donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho Filho. Além da igreja dedicada a São Francisco, a edificação abrangia  as dependências necessárias ao monastério e a Capela da Ordem Terceira da Penitência. Os registros históricos apontam que a primeira missa foi realizada no dia 02 de agosto de 1595.

 

O convento foi a primeira construção de Vitória a ser abastecida com água em domicílio, devido a construção de um aqueduto em 1643.

 

O Convento abrigou diversas irmandades, dentre elas a Irmandade de São Benedito, que se reunia na Capela da Venerável Ordem Terceira e movimentava a cidade com suas festas e procissões. Com o tempo, o Convento ficou ocioso e as autoridades civis passaram a requisitá-lo para diversas finalidades. Atualmente abriga a Cúria Metropolitana e diversas entidades ligadas à Igreja Católica.

 

P1040522O frontispício, reformado em 1744 e 1784, foi o que restou do conjunto arquitetônico original do Convento São Francisco. Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984, demarca o espaço do que foi o primeiro Convento Franciscano construído na Região Sul do Brasil Colônia.

 

 

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P1040529Coluna que marca o local para onde foram transferidas as ossadas encontradas nas ruínas do convento.

 

P1040545A esse conjunto foi acrescentado, posteriormente, um cemitério municipal, que funcionou até 1908. Próximo ao local, uma capela sob a invocação de Nossa Senhora das Neves passou a ser necrotério. A capela, em arquitetura colonial, ainda hoje permanece nas dependências do convento.

 

 

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P1040534 Em 2009 houve uma restauração na capela Nossa Senhora das Neves. Durante o restauro, foram encontrados na parede principal, nichos de restos mortais não identificados. Na época da construção, era comum que ossadas de benfeitores e/ou religiosos fossem colocadas nas paredes dos templos. Os nichos encontrados foram deixados de forma natural, mas com uma proteção que facilita a observação e ao mesmo tempo os preserva.

 

O Convento São Francisco é um dos monumentos monitorados nas visitas guiadas realizadas gratuitamente ao Centro Histórico de Vitória. Telefones: (27) 3235-7078 ou pelo e-mail projetovisitar@vitoria.es.gov.br. Visitas de terça a domingo das 09 às 17 horas.

 

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Depois do convento São Francisco é hora de seguir para o ultimo monumento a ser visitado no Centro Histórico de Vitória, Igreja e Convento do Carmo. Saindo do Convento São Francisco é só seguir pela rua Coronel Montadinho chegando até a praça Irmã Josepha Hosannah onde se encontra a Igreja.

 

O Convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi fundado em 1682 por padres carmelitas. O conjunto era formado pelo convento propriamente dito, pela Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo e pela Capela da Ordem Terceira. Todos possuíam estilo colonial, com linhas barrocas.

 

Dois séculos depois, o Convento do Carmo se encontrava em decadência. Devido à proibição dos noviciados religiosos de formação de padres, o Convento ficou completamente abandonado, em 1872. O edifício foi, então, assumido pelo governo, sendo utilizado em várias funções, inclusive a de quartel militar.

 

Somente após a criação, em 1895, do Bispado do Espírito Santo, o governo devolveu o Convento para a administração da Igreja Católica. Durante a década de 1910, o convento passou por ampla reforma, ganhando mais um andar, enquanto a igreja conventual recebeu uma roupagem eclética com influências neogóticas. A capela da Ordem Terceira, que ficava ao lado da igreja, foi destruída.

 

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A Igreja e Convento do Carmo é um dos monumentos monitorados nas visitas guiadas realizadas gratuitamente ao Centro Histórico de Vitória. Telefones: (27) 3235-7078 ou pelo e-mail projetovisitar@vitoria.es.gov.br. Visitas de terça a domingo das 09 às 17 horas.

 

E assim terminamos o nosso passeio pelo CENTRO HISTÓRICO DE VITÓRIA, um espaço dividido por construções de épocas diferentes e que juntos contam a história desta cidade maravilhosa e desconhecida por muitos, inclusive por capixabas.

 

Fontes das informações: livros, site e prefeitura de vitória.

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