VITÓRIA 459 ANOS: Mercado Capixaba.

O POST A SEGUIR EU ESCREVI EM 2010, EM 2017 A CIDADE DE VITORIA IRÁ COMPLETAR 466 ANOS, É A TERCEIRA CAPITAL MAIS ANTIGA DO BRASIL DEPOIS DE RECIFE E SALVADOR.

 

 

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Dando continuidade ao tópico compras do manual, fui na terça feira visitar o Mercado Capixaba depois de muito tempo.  O mercado funciona em um prédio que ocupa uma quadra e foi inaugurado em 1926 para substituir o antigo mercado municipal. O prédio na fachada principal possui dois pavimentos e chama atenção pela sua arquitetura eclética. A parte superior do prédio não funciona nada desde o incêndio em 2002, e também por causa disto está sem telhado e em situação de abandono.

 

Quando cheguei fui para o interior do prédio que era o que me interessava de início. Logo quando entrei já fiquei decepcionado quando vi paredes mofadas e perdendo a pintura, olhei para cima e vi um telhado improvisado e a medida que ia entrando mais, eu pensava “como indicam o mercado nesta situação no manual como lugar para levar turistas?”.

 

Parte da área do pátio interno serve de estacionamento de carros de órgãos municipais, outra parte tem um galpão com telhado metálico saindo totalmente da arquitetura do prédio. Nesta parte coberta encontrei um acervo de artesanato distribuído em algumas prateleiras e entre elas um senhor sentado na espera de que eu fosse um cliente que saísse dali com alguma compra.

 

 

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Cumprimentei o senhor e pedi autorização para tirar algumas fotos, coisa que aceitou sem nenhum problema. Fui tirando fotos das peças e quando vi estava conversando com o ‘seu Mauricio’ que foi contando a sua historia e a situação do Mercado Capixaba.

 

Mauricio contou que chegou em Vitória em 1978 vindo de Feira de Santana, na Bahia, e quis abrir uma loja em Vitória. Quando viu o prédio do mercado, ficou interessado por uma loja externa, e quando viu o pátio interno também se interessou pela área. Segundo ele o pátio estava abandonado, então buscou informações sobre o local.

 

Foi quando ficou sabendo que no local tinha funcionado um mercado de peixe e verduras que abastecia a cidade de Vitória, e que onde hoje  é a Av. Princesa Isabel era mar e os barcos chegavam até a porta dos fundos para descarregar o pescado. Com o surgimento de outros mercados na cidade, o Mercado Capixaba foi perdendo a sua importância até ficar desativado. E assim o pátio interno serviu de local para desocupados e hippies. Mas como seu Maurício estava interessado no local, foi atrás do antigo responsável pelo pátio e comprou dele o direito de usar o local. Passou então a trabalhar com artesanato vindos da Bahia.

 

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Desde então ele nunca mais saiu do local e garante que hoje a maioria das peças que vende é de artesãos capixabas, tendo de fora do estado somente aquilo que não encontra aqui. O prédio pertencia ao Estado do Espírito Santo e depois passou a pertencer a Prefeitura de Vitória.

 

Seu Maurício fala com pesar da situação que se encontra o prédio. Diz que já participou de vários eventos fora do estado para mostrar a arte e culinária do Espírito Santo para desenvolver o turismo. Já presenciou eventos realizados ali mesmo dentro do mercado, com políticos, onde projetos e contratos de revitalização do mercado foram assinados e que não aconteceram.

 

A parte superior do prédio desde o incêndio em 2002 está em situação de abandono e sem telhado. Mas no início funcionou um hotel, depois passou a ser a sede da Rádio Espírito Santo com programa de auditório, e que segundo Maurício, hoje ainda aparecem pessoas ali relembrando das histórias dos programas da Rádio que eram disputadíssimos. Por último funcionou a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo que foi quando imaginávamos que dariam uma atenção ao Mercado Capixaba.

 

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Sai do Mercado Capixaba perguntando como podem deixar um patrimônio com o valor histórico que tem e um ótimo lugar para levar turistas nesta situação? como querem que o turismo receptivo em Vitória cresça se não cuidam dos locais que temos? não basta ter atrativo turístico, tem que transformá-lo em produto turístico e com estrutura para receber as pessoas. Hoje o Mercado tem uma estrutura precária de banheiro e não oferece lanchonete.

 

O mercado Capixaba que possui duas entradas, uma pela Av. princesa Isabel e outra pela Av. Jerônimo Monteiro. Funciona de segunda a sexta das 09 às 18 horas, e aos sábados das 9 às 14 horas. Lá você vai encontrar peças em madeira, barro, conchas do mar, cestos entre outras peças de artesanato.

 

Para chegar lá de ônibus é fácil, basta pegar qualquer ônibus que passe pela Av. Jerônimo Monteiro ou pela Av. princesa Isabel, como as linhas 0163, 0212, 0122, 0213, 0103, 0121, 0102 entre outras. De carro a pessoa terá que disputar uma vaga de estacionamento no centro da cidade.

 

Hoje o mercado recebe principalmente turistas que ficam hospedados nos hotéis do centro da cidade.

 

 

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Na parte externa do mercado tem várias lojas onde funcionam farmácias, lanchonetes, lojas de calçados, etc... Mas uma loja chamou a minha atenção quando cheguei ao mercado, por isso quis voltar nela para conhecê-la. Era uma loja de discos de vinil com um grande acervo de discos antigos e com as paredes todas cobertas de fotos de cantores e capas de discos.

 

Entrei e logo depois saiu lá dos fundo da loja um senhor barbudo e falante que veio me cumprimentar. Era o Valter Vieira mas conhecido como Golias, dono da mais famosa casa de discos de Vitória, a Golias Discos que em 1998 teve que fechar as portas depois de 27 anos de funcionamento.

 

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Quem entra na loja fica fascinado com a coleção de discos e pela paixão de Valter pelo vinil. Ele estava vibrante com a pequena loja que abril no Mercado Capixaba há 03 meses, e está esperançoso com a volta do vinil no Brasil que já conta com uma fábrica, a Polysom, aberta este ano depois do aumento do gênero na Europa e nos Estados Unidos.

 

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